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American Horror Story: Cult – S07E07 – Valerie Solanos Died For Your Sins: Scumbag

Misturando acontecimentos reais com teorias mirabolantes e aulas de feminismo, AHS sobe de nível.

Dando início a uma revisita de cultos e seus mestres, prometida por Ryan Murphy, American Horror Story Cult apresenta um ótimo episodio, no qual podemos ter uma versão alternativa para a história real de Valerie Solanas, a mulher que matou Andy Warhol por 90 segundos.

Apesar da temporada não andar das melhores no contexto geral, aqui, com pequenas ressalvas, tudo funcionou bem. Por começar com a ideia de abordar líderes de culto de outras décadas, Manson já confirmado, com Evan Peters revivendo cada um deles. Quer dizer, Andy poderia ser considerado de um culto?

Para quem não conhece a história dos dois, o flashback de abertura é o único que trabalha com fatos concretos da relação. Valerie entregou um roteiro para Andy, que não deu muita bola, e daí começa o stalke e obsessão dela. A série mostra uma Valerie revolucionaria e um Andy machista, culpado, soltando frases exageradas até para um conservador como “mulheres nunca vão chegar a lugar nenhum”.

Os relatos sobre misoginia de Andy são quase inexistentes (objetificar mulheres em seus quadros ressaltando lábios e cabelos estão entre), mas como manipulador e homem de seu tempo, não é difícil acreditar que ele use e descarte mulheres a seu favor. Evans que não foi muito convincente mesmo, com aquele make horrorosa e jeito blasé sou artista.

Já Lena Dunham pode levar parte do crédito pela qualidade do ep, com sua personificação de uma Valeria sangue nos olhos pela libertação feminina. A atriz estava no modo usual Hannah de Girls mais potencializado. Soube intercalar bem os momentos de loucura esquizofrênica com os idealistas e ainda soltar uma gracinha de vez em quando.

Contudo, não dá para romantizar seu papel. As ideias de Valerie tiveram certa difusão com o tempo e não sei se podem ser encaixadas no feminismo, pelo seu radicalismo extremo. Algumas partes parecem bem acurradas e são fáceis de concordar, outras podem ser rebatidas facilmente através da lógica e outras são puro facismo mesmo. Seu livro tá mais para um Mein Kumpf do que para um Segundo Sexo.

Esse plot de mulheres se unindo para destituir o patriarcado é bem mais interessante e relacionável-acreditável do que vários estranhos se unindo para matar pessoas depois da vitória de Trump. Ao mesmo que é dualista, sem fáceis julgamentos. O oprimido tomando lugar do opressor por cansaço, vingança ou simplesmente justiça. Já alertava Paulo Freire, essa inversão de papeis é natural durante uma transição.

Impossível não lembrar de Coven. A proposta era a mesma. Inclusive tivemos participações especiais de duas bruxas: uma das donas de AHS, Frances Conroy (já estava preocupado em não termos sua visita essa season), como possível (?) ex de Valerie, e a querida Nam, como membro do culto.

Uma das problemáticas desse núcleo foi a mirabolosidade forçada e necessidade de conectarem a outro pop culture, Zoodiaco, que devia ser aposentado depois do filme do Fincher por impossibilidade de usarem melhor. Ele já deu as caras na em Hotel, além de várias outras menções durantes as temp. Ryan precisa renovar-incrementar suas referencias. Cansaço de ouvir os nomes O.J. e Manson em toda série dele.

Essa subversão de personagens históricos começou na season 2, com uma Anne Frank sobrevivente, o que foi bem inteligente e refrescante na época. Hoje, depois de meia década, é bom maneiraram no uso do recurso. Não traria prejuízo algum se tirassem esse plot Zoodiaco wanna be.

Sob influência das ideias de Valerie, as meninas se unem para um contra ataque, que em termos práticos não surte nenhum efeito imediato. Engraçado, mas bem descartável aquele vizinho. Adeus coments sobre a filmografia de Kidman.

Deu para sentir falta de Ally no Girl Power? Não tanto. Coincidentemente os ep que ela menos aparece tem sido os melhores, apesar de que sua historia tem melhorada consideravelmente ultimamente. Fiquei muito feliz ao ver que não culparam Ally pelo massacre. Pelo fim do ep passado deu para achar um direcionamento para esse lado, o que seria bem inaceitável de engolir diante de qualquer investigação-evidencia.

Pela caminhar, esperava ao menos um ataque das meninas a Kai, agora mais poderoso, detentor de um exercito de bolso-minions. Entendo que ele não pode morrer agora, mas esse era o tipo de reviravolta que me surpreenderia. Não descobrir que tudo isso era apenas um plano teste dele.

Isso só prova que ele é mais esperto e preparado que se pensa, e Beverly muito inocente. Não existe essa de poder partilhado, lugar a mesa. História só se repete. Ou toma o poder e destrói seus inimigos, ou é destruído. Acho que a essa altura dificilmente Kai não chega ao poder. Resta saber o do que se trata essa queima do mundo como conhecemos.

No fim, o ep cumpre bem seu papel, deixa sua mensagem e resulta em bom entretenimento. Traz um contexto histórico, faz uma correlação, problematiza sobre questões atuais (mesmo que superficialmente), diverte. O horror continua quase inexistente, com mortes e bizarrices com único intuito de chocar, mas com episódios como esse não dá para reclamar.

P.s.1: “Eu não matei minha mulher, só deixei ela louca.” O berro que dei nessa parte. Melhor quote do ep certeza. Não o suficiente para salvar Ivy de seu título de mais chata.

P.s.2: A raça masculina que Valerie queria aniquilar, podia ser substituída pelo machismo que eu estaria de acordo completamente. Aqui  um estudo sobre como questões de gênero influenciaram todos os últimos massacres nos EUA. Nenhum cometido por mulheres.

P.s.3: Falando em Wahrol, precisamos enaltecer essa obra que é Chelsea Girls, filme experimental, principalmente gravado no quarto de hotel Chelsea, de cenas banais e tela dividida ao meio mostrando duas cenas simultaneamente.

Chelsea Girl (1966), Paul Morrissey – Andy Warhol

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Autor

Roz

Engenheiro por formação, escritor wannabe por obrigação. Nem exatas, nem humanas, renascentista. Reinventando-se. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. De Pepita a Bowie. De 80s cheese a Sopranos.

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