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American Horror Story: Red Tide – S10 Parte I – Ciência & Horror [Season Premiere]

Uma sensação de velho e novo combinados.

A princípio tenho que alertar à semelhança de storyline aqui e com o sexto episódio do spinoff, “Feral” funde ciência, governo e horror familiar. O início da décima temporada não é diferente, mas aqui podemos desfrutar de uma atmosfera mais ampla. Em “Cape Fear” fomos tomados pelo suspense e a introdução à nova trama, intrigados pelos possíveis questionamentos que surgiam, seria Provincetown uma cidade projetada? Qual a vibe desse lugar no verão?

A ambientação no inverno e a caracterização do cenário estão maravilhosas, para um horror tão atual/futurista, chega a ser gostosa a sensação de vivenciar algo meio retrô também no ambiente. A arquitetura da cidade contribui imensamente para criar uma estética tenebrosa, a casa dos Brown e o cemitério a céu aberto que o diga. Lily, Frances e Sarah entregam atuações impecáveis, e a caracterização de Karen me faz amar a sátira com a desigualdade social ainda mais.

AHS se tornou espaço para crianças talentosas, e a ambição de Alma evidenciou isto em “Pale“. Fico ansioso para saber qual o desfecho de Doris nessa narrativa e o momento de encontro entre os dois grandes arcos da temporada. Red Tide, ou Double Feature Parte I, investe na química/drogas e traz ainda um fator espiritual em dividir as pessoas em criativas e não, isso me faz referência à “NOS4A2”. A première é suficiente para nos deixar querendo mais, e assim me sinto nas raízes, algo que potencializa a temporada de conseguir deixar sua marca na jornada (de altos e baixos) da série.

Thirst” introduz novos personagens em P-town, à medida que alguns vão perdendo espaço ou despedindo-se. A ideia de ter menos episódios, já que a temporada está dividida em duas partes, desperta um senso de receio em saber se haverá uma ligação entre os dois arcos ou se o desenvolvimento de cada storyline será breve. É meio intuitivo pensar que, com o descuido percebido nas novas mortes, a existência das pílulas virá à tona. Inclusive, é interessante pontuar sobre como estou desfrutando Evan em um papel mais maduro, estar contracenando com Frances tem ajudado bastante. A perspicácia de Leslie foi um dos destaques também e, sem dúvida, não via o momento de ver Angelica em cena, fico a pensar se a veremos fazendo as pílulas e se há alguma magia por trás disso tudo.

O quarto episódio, “Blood Buffet”, volta 5 anos no tempo a fim de mostrar o início do grande arco dessa primeira parte da temporada e é palco para consagrar Frances Conroy e dar espaço para Macaulay e Angelica (que inclusive está belíssima). Apesar de não ver muita necessidade de um episódio flashback, ganhamos ainda a cena drag na cidade com Eureka vivendo sua fantasia de atriz. Vou admitir mais do veio à tona nesse episódio para mim: Frances é divina e o destaque que tem atualmente casou muito bem com a atmosfera da série, tenho recebido muito bem a integração dos novatos no elenco, em especial Macaulay interpretando um personagem muito humilde e inseguro, Billie continua fazendo o que há de melhor (roubar a cena) e Angelica precisa me convencer mais, no entanto, consegue entregar uma frieza atrelada a muitos cientistas, ainda mais da área de engenharia. Mesmo sendo suspeito para falar, é interessantíssimo para mim ter uma engenheira bioquímica na série, ainda mais lidando diretamente com a área farmacêutica, e considero um grande afronte por ser negra.

Gaslight” é o palco para Alma, Doris e Karen serem o destaque. Era de se esperar que o arco da gravidez iria render um grande desfecho para essa primeira parte e usaram o penúltimo episódio dela para consagrá-la e, inclusive, compensar o enchimento de linguiça (se assim dissermos) do anterior. Sabe-se que alguns erros foram mal maquiados, como a reação de Doris (ela se alimentou?), e a repulsão dos pálidos/não criativos ao minuto de ingestão da pílula por Karen. No entanto, devemos aplaudir a sequência musical do sofrimento familiar de Doris, o trabalho de Sarah Paulson e, sobretudo, o impacto causado pela série em causar desconforto e vivenciar o horror de uma perspectiva humana e futurística (mesmo que com ambientação retrô). Parabéns mais uma vez, Ryan Murphy, e também Brad Falchuk e Manny Coto pelo roteiro.

O último episódio é simplesmente frustrante e chega a ser cômico. Mas não só o rumo que a trama tomou foi difícil de digerir, como também a forma que aconteceu, muito abrupta e mal trabalhada. Não falam sobre algum tipo de antídoto ou repelente que garantiu a vida a Ursula, A Química e Eli em meio ao caos de pálidos, jogaram para o alto o lance da investigação da Burleson. Foi simplesmente decepcionante, não precisava haver final feliz, mas se a ideia era finalizar numa vibe meio radioativa/descontrolada, parabéns, foi servido. Resta agora torcer pela segunda parte, mas depois desse final e tratando-se de Ryan Murphy, tudo pode acontecer.

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Antonio Netto

Estudante de Engenharia Química. Pernambucano engraçado, dono de uma gargalhada única e de um sotaque marcante. Apaixonado por comida, séries, química e cálculos. Até gosta de estudar mas, sempre que pode, está pelo mundo curtindo e falando da vida alheia.

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