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American Horror Story: 1984 – S09E06 – Episode 100

O centésimo episodio de uma série é sempre um marco. Afinal, não são todas que conseguem alcançar esse feito, seja pela falta de audiência ou conteúdo. Esse episódio, no geral, é usado para celebrar a série e toda sua trajetória, nos fazendo lembrar dos motivos porque tanto a amamos.

“Episode 100” não se preocupou tanto em homenagear a história da série, nesse quesito, o episódio Murder House da S8 remeteu mais a um episodio 100. De todo modo, com ou sem homenagem, a série apresentou uma excelente hora. Quatro anos se passaram e pudemos ver o desenrolar do amanhecer sangrento, com quase todos os núcleos reconfigurados daquele início lá na cabana.

Brooke perdeu seu último apelo e está prestes a morrer na cadeira elétrica. Essa foi a trama mais instigante a se acompanhar: ver como é que ela ia escapar. Felizmente não apelaram para uma ressuscitação através de Satanás, já que essa escolha estragaria toda a questão de “Final Girl” que a garota carrega.

O paradeiro da psicóloga foi ansiosamente esperado durante todo o episódio. Afinal, o que tinha acontecido com ela? As possibilidades mais tangíveis eram: Tramando para revelar a verdade sobre Margaret ou uma possível conversão para o bem, vide Jingles. De um jeito ou de outro, era certo ela agir para ao menos amenizar um pouco as injustiças da qual ela foi culpada.

O modo como a edição foi arrumada, nos enganou a pensar que Ramirez ia livrar a garota. Então, foi mais que bem-vinda a volta de Donna para salvar Brooke no último minuto (minha AHS está viva!). Inclusive, esse plot do Ramirez precisa ser cancelado. Entendo a intenção de ter um personagem “puro maldade” (os assassinos que não tem motivação são mais assustadores, oi Myers e Pânico), porém o ator é péssimo e o personagem não convence em sua vileza.

Nesse plot nada funciona. Desde o visual (aquele cabelo é uma chacota), até as incríveis habilidades concedidas a ele. Basta desenhar um pentágono no chão, e pronto, Ramirez tem poder total. Aí está uma grande problemática na mitologia. As regras desses poderes não são claras e são usadas quando o convém roteiro. Nem sua fuga ao som de rock 80’s conseguiu ser divertida.

Quando foi anunciada que a temporada seria slasher, fiquei bastante animado, tendo em vista ser um dos meus subgêneros favoritos. E toda essa questão sobrenatural foge completamente a proposta do gênero, que é bem pé no chão em relação a mortes. Sempre estarei aqui para uma reinvenção das regras, mas esse não é caso.

A questão de os fantasmas ainda habitarem no acampamento não chega a ser incomoda. Já é a quarta temporada que AHS mata e traz de volta seus personagens na forma de fantasma, como se nada tivesse acontecido. Única limitação se refere a movimentação no espaço. Gostaria de ver a série abrindo mão desse recurso um pouco mais, principalmente aqui, na temporada slasher. Mas é isso que está tendo, não dá para reclamar.

Um destaque dessa temporada é Margaret. Alguns dos melhores diálogos estão com ela, como o “isso foi tão anticlimático, queria de volta a guilhotina”. O personagem é o mesmo que a atriz interpretou nas temporadas passadas, e sempre é um deleite vê-la no modo unapolagetic bitch ligado. Felizmente ela abandonou seu sermão cristão forçado e agora está entregue ao que faz melhor: lucrando em cima da desgraça alheia. Sua nova, não tão nova, investida é o Camp Redwood, de novo. Todos os personagens, sejam fantasmas ou vivos, devem se encontrar lá para um acerto de contas final, que parece bastante promissor.

Enfim, basicamente é isso. Esse episódio (assim como toda a temporada) se assemelhou bastante ao meio de temporada de Roanoke, quando tivemos uma virada de roteiro que descartou o padrão que vinha sendo seguido até então, para preparar uma reunião com a volta de todos os personagens ao mesmo local de antes. Pode-se dizer que essa temporada está ótima, e se continuar subindo o nível até o final, tem tudo para entrar no rol de top 3 de AHS.

P.S.1: Jingles é outro destaque da temporada. O ator é excelente, assim como sua trajetória de injustiças. Sofreu o inferno por algo que não fez, e agora só busca uma vida normal, a qual, sabemos, não vai durar. A propósito, esse é o terceiro serial killer interpretado pelo ator. Já tivemos Twisty na S4 e o Zodíaco no filme do Fincher.

P.S.2: Satanás não tem nada de melhor para gastar seus poderes do que com esse protótipo de vilão? Os níveis de desgraça alcançados pelo Ramirez são irrisórios e sem graças. É um desperdício.

P.S.3: Essa temática de slasher no acampamento dos anos 80 foi zerada pelo filme Sleepway Camp (Acampamento Sinistro). Muitos dos tipos de mortes (a do arco e flecha por exemplo), assim como a proposta da temporada em si, foi tirada desse filme, que inclusive é ícone atemporal detentor de um dos melhores finais do gênero (não vou revelar a surpresa). Se não viu ainda, corre que tem até no youtube. Segue o link:

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Autor

Roz

Engenheiro por formação, escritor wannabe por obrigação. Nem exatas, nem humanas, renascentista. Reinventando-se. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. De Pepita a Bowie. De 80s cheese a Sopranos.

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