Posts Populares

Black Mirror – S05E02 – Smithereens

Quando Black Mirror não foi Black Mirror.

O segundo episódio da quinta temporada de Black Mirror nos trouxe uma visão diferente do que a série vinha trazendo. No episódio anterior, tivemos aquela coisa da relação da tecnologia no futuro com os dilemas da vida moderna. Nesse, no entanto, fugimos um pouco do mind-blowing, focando na verdade nua e crua. Black Mirror não quer chocar pelo irreal, pelo que pode vir a acontecer, mas sim pelo que já está acontecendo.

O episódio conta a história de Christopher, que é um cara que vive num estresse pós-traumático por perder sua mãe e sua esposa, e acaba descontando sua raiva nos criadores da rede social fictícia Smithereens, sequestrando um membro estagiário da empresa, que acaba pagando o pato. No fim, a história de Christopher pouco importa pra análise do episódio como um todo.

Muita gente (e eu me incluo) achou o episódio arrastado, chato e clichê. Num primeiro momento é exatamente isso mesmo. Uma análise mais profunda nos mostra, no entanto, que Smithereens traz uma crítica ao comportamento e indiferença das pessoas em relação ao que está acontecendo no mundo. Quantas vezes não lemos notícias sobre “mares de plástico”, “guerras no oriente médio” ou que um famoso x morreu? São notícias atuais, presentes, que olhamos e ficamos chocado, mas que 2 minutos depois já não estamos mais dando bola. Assim é o que acontece no fim deste episódio, quando o final dos dois personagens brigando pela arma dentro do carro fica em aberto e só vemos pessoas lendo a manchete e seguindo suas vidas como se pouco importasse.

O sensacionalismo tomou as nossas vidas. Estamos sempre buscando histórias empolgantes, desfechos surreais, mas a vida real não é assim. Cabe ao jornalismo sensacionalista transformá-la dessa forma. Então a gente vê o caso de um sequestro (caso Eloá, por exemplo), quer saber as motivações do sequestrador, saber como a vítima está, e não queremos perder um detalhe. Ou quando os repórteres invadem as intimidades das famílias que perderam entes queridos no rompimento de barragens, pouco respeitando o luto, sob a desculpa de passar ao público o que essas pessoas estão sentindo.

De modo geral, esse episódio acaba sendo um ponto fora da curva na história de Black Mirror, seja pelo estilo do roteiro apresentado, seja pela abordagem do episódio. Se a série geralmente foca numa análise futurística da tecnologia, dessa vez ficamos no presente mesmo, numa crítica sutil, as vezes até mesmo sem graça.

gostou da matéria? deixe um comentário!

Gerson Elesbão

Um @gerson incomoda muita gente, um @gersonrealoficial incomoda incomoda incomoda muito mais! É DC, é Marvel, é Netflix, é reality. Se a série for boa, chama no probleminha, bebê!

Tema por Gabriela Gomes Todos os direitos reservados ao Panela de Séries