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Black Mirror – S05E03 – Rachel, Jack and Ashley Too [SEASON FINALE]

Mais um retrato da atualidade em Black Mirror.

É quase unânime que esta é uma das piores temporadas de Black Mirror, seja pelos roteiros mais fracos do que estamos acostumados, seja pela falta de plot twists que nos deixem de queixo caído. Fato é que as mensagens por trás dos episódios ficaram muito mais claras de ler, quem sabe pra alcançar o grande público, e tornou tudo tão mastigadinho que não é bem o perfil da série como um todo. Este último episódio, por exemplo, é uma tentativa de chegar no grande público, apostando mais uma vez em finais felizes.

Em “Rachel, Jack and Ashley Too”, conhecemos a história da super popstar Ashley O, como tantas outras que já vimos por aí. Uma jovem artista prodígio que vê seu futuro comprometido por uma carreira baseada em uma vida fake que ela leva, comandada por alguém de sua “confiança”. Paralelo a isso, temos Rachel, uma jovem tímida, com bloqueios sociais, e sua irmã Jack, que também é muito fechada. As duas perderam a mãe e tem com o pai um relacionamento distante. A história gira em torno de um brinquedo tecnológico com inteligência artificial que emula Ashley O, tornando um amigo cibernético perfeito. Mas tudo muda quando Ashley entra em coma por uma ação de sua tia e empresária, que descobre que ela estava fazendo planos pra deixar a carreira de lado. Nisso, Jack e Rachel, junto da bonequinha de Ashley, salvam a verdadeira Ashley O e o dia, mostrando a todos que a tia empresária era uma vilã. Uma historinha bem sessão da tarde.

Agora vamos falar um pouco do que esse episódio nos traz de reflexões. Primeiro, essa questão de empresários do ramo da música, administrando carreiras de jovens prodígios, sugando-os e os tornando escravos de si mesmo, deixando de lado a diversão de se trabalhar com música e entrando num mundo depressivo de muito trabalho pesado. Recentemente, tivemos todo o imbróglio envolvendo Taylor Swift e Scott Borchetta, dono da antiga gravadora de Swift. Esse rolo todo é similar ao que vemos na série, uma vez que assim como Taylor, Ashley tem que produzir algo bonitinho, algo que agrade ao público, sua gravadora e empresários, e não a sua verdade. Da mesma forma, Taylor se viu presa por muitos anos, e agora mais ainda, uma vez que vê todo seu trabalho de mais de uma década nas mãos de outras pessoas, e não dela. Ashley e Taylor foram sufocadas pelo show business.

A questão que segue após o coma de Ashley também retrata bem algumas coisas que vemos atualmente. Primeiramente, os hologramas de artistas que já morreram, sem respeitar a memória afetiva das pessoas e a credibilidade de seus trabalhos. Da mesma forma, a monetização de “material inédito” desses artistas, deixando todo seu legado e emoção de lado, e se pautando apenas em colocar uma voz para cantar uma letra sem vida. Infelizmente, casos como estes têm crescido no mundo. E tudo porque há público órfão desses astros. Mas até que ponto é bacana remexer na memória deles, deixando de lado tudo o que produziram em vida por mais alguns milhares de dólares?

Além de todas os dilemas e polêmicas envolvendo a superstar Ashley O, temos também o brinquedinho da cantora, que com inteligência artificial promete ser sua melhor amiga. A dependência da tecnologia acaba retraindo as crianças e jovens, os tornando reféns de um mundo digital, uma tela de celular, um joguinho, de modo que as relações reais (como de Rachel com os colegas da escola ou até seu pai) fiquem de lado.

Sem me aprofundar nos debates sobre o episódio, acredito que assim como o anterior, este fica levemente fora do que Black Mirror sempre nos apresentou, com aqueles plot twists tensos, mind blowing e etc. Mas ainda assim, apesar das críticas ao roteiro, à Miley e à tônica do episódio, eu gostei bastante e achei um dos mais bacanas da temporada. Sem contar que nos entregou essa música e uma coreo ótima:

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Gerson Elesbão

Um @gerson incomoda muita gente, um @gersonrealoficial incomoda incomoda incomoda muito mais! É DC, é Marvel, é Netflix, é reality. Se a série for boa, chama no probleminha, bebê!

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