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Bom dia, Verônica – Season 1 – Uma boa abordagem de problemas persistentes da sociedade atual

O peso de uma obra de ficção que representa totalmente a realidade que o Brasil vive hoje.

“Bom dia, Verônica” é baseada no romance policial de mesmo nome de Ilana Casoy e Raphael Montes, que também assina o roteiro da obra da Netflix. Eu não li o livro, então não poderei comparar a produção audiovisual com a escrita, expondo aqui apenas o que senti e achei ao assistir à série.

A primeira temporada apresentou um conteúdo pesado e difícil de se digerir. A temática principal é a violência contra as mulheres, tanto física quanto psicológica, e a corrupção no sistema policial e político, um soco no estômago a cada episódio. De uma certa forma, a série faz um alerta ao espectador sobre os perigos de se acreditar em qualquer pessoa que surge do nada com uma oferta que pode mudar sua vida, como no caso das vítimas de Cláudio que são enganadas por ele e Janete assim que chegam na rodoviária.

A série me surpreendeu e agradou bastante. O roteiro é pesadíssimo, muito bem escrito e a direção ótima. Claro que dá para apontar pequenos furos na condução da história como a saída fácil para algumas situações, mas isso não me incomodou muito não. É preciso relevar um pouco, porque quase todo enredo, seja de séries, novelas, ou filmes, em algum momento vai pelo caminho mais curto e recorre a uma solução mais simples. No entanto, quero pontuar um detalhe que acredito poder ser melhorado: o mau desenvolvimento do caso da identidade ideológica. Entendo que era algo menor, de segundo plano, mas senti que foi meio jogado e não se entrelaçou com o plot principal.

Preciso dedicar aqui também um parágrafo inteiro para falar sobre o elenco dessa série, pois foram escolhas mais do que acertadas, especialmente os três protagonistas, que estampam o cartaz promocional. Tainá Müller deu show como Verônica, tanto nos momentos de tensão quanto de drama e quando a personagem se sentia impotente. A cena final em que ela mata Giorgio/Pietro e sai pelas ruas de São Paulo andando de bicicleta e dá um grito libertador expõe a força e a intensidade de sua atuação. Outra parte em que se destaca é quando a escrivã faz um vídeo para seu marido e seus filhos com medo de algo acontecer consigo. Já Camila Morgado dá vida a uma Janete perdida e submissa, mas que no fundo quer fazer o bem e se livrar de seu marido violento e abusivo. Ela mergulha na personagem e consegue nos transmitir todo o drama e angústia pelas quais a mulher passa. Du Moscovis também entregou tudo com seu coronel Brandão, um homem frio, quieto e violento com uma mente perigosa. A expressão de dor e ódio dele ao matar Janete foi certeira e mostrou perfeitamente a mistura de sentimentos do homem naquele momento.

Outra coisa que queria ressaltar é que fico muito feliz pelo Brasil estar fazendo cada vez mais séries policiais, que não são tão comuns por aqui como nos Estados Unidos, por exemplo, onde o estilo domina e obras assim são muito assistidas e adoradas. É claro que temos algumas e destaco Dupla Identidade, que, na minha opinião, foi um marco desse gênero na televisão brasileira, mas o país ainda não é muito reconhecido por esse tipo de show.

Pelo que andei lendo na internet, o final da série foi um pouco diferente da história do livro. Eu pessoalmente gostei muito, principalmente por ter dado a possibilidade do desenrolar de uma segunda temporada, o que realmente espero que aconteça. A ideia da Verônica fazendo a linha justiceira e acabando com o sistema corrupto da polícia de um por um é bastante atraente. Vê-la tentando reconquistar a família depois de fingir sua morte também é algo que tenho vontade de assistir. Além disso, vai ser interessante saber mais sobre outros aspectos que ficaram em aberto como o que aconteceu verdadeiramente com os pais da policial, entender mais sobre o orfanato Cosme e Damião e quem sabe descobrir como o Brandão começou a ser o serial killer que vimos nessa primeira temporada. Já estou ansiosa para acompanhar mais de Verônica Torres e vocês? O que acharam da série? Comentem aqui embaixo e até a próxima!

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Luiza Pinheiro

Carioca da gema e jornalista de corpo e alma. A primeira série que viu mesmo, aquela que a deixou viciada, foi One Tree Hill. Depois disso nunca mais parou e engatou uma depois da outra. Também ligada em cinema, não perde uma cerimônia do Oscar.

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