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Cidade Invisível – 1° Temporada – É uma grande homenagem ao nosso folclore

Na semana passada (05) estreou a mais nova série BRASILEIRA na plataforma de streaming Netflix, a série conta com 7 episódios, todos em torno de 40 minutos. A série conta a história de Eric (Marco Pigossi) um policial recém viúvo que tenta descobrir mais sobre a misteriosa morte de sua esposa, adentrando em um mundo subterrâneo que é habitado por criaturas míticas evoluídas de uma linhagem profunda do folclore brasileiro. Há algumas séries brasileiras sendo exibidas em plataformas mundiais, mas nenhuma apresentava tanto a riqueza da nossa cultura como essa, o folclore é parte integrante da cultura de um povo, é considerado pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial, sendo imprescindível a realização de esforços para a sua preservação, por isso essa série é tão importante, ela revive histórias do nosso povo que nem nós mesmos lembrávamos com frequência.

Na escola nos era ensinado histórias folclóricas, aprendíamos histórias sobre a Cuca, Saci, Mula sem cabeça, Iara, Curupira, mas ao parar para analisar de fato, em toda história da TV brasileira, apenas um show utilizou essas lendas. Todo jovem e adulto hoje em dia cresceu assistindo as aventuras de Pedrinho, Narizinho e Emília, Sítio do Pica Pau Amarelo marcou nossas infâncias e serviu como grande apoio visual de entendimento das lendas folclóricas, sendo o único show na TV a apresentar uma versão de histórias tão contadas de boca a boca no nosso país. Cidade invisível traz uma roupagem completamente diferente, muito mais adulta e trazendo lendas tão icônicas para a atualidade.

A escolha de trazer lendas para uma realidade tão parecida com a nossa me traz uma sensação de que tudo é possível, de que talvez eles realmente estejam entre nós e acredito que essa tenha sido a principal busca do criador. Ver Iara, Cuca, Curupira e Saci caminhando pelas ruas da Lapa é algo surreal, trazer duas coisas tão distintas, mas que não podia combinar melhor e para quem não sabe a Lapa é considerado por muitos um local místico, já que suas diversas ladeiras tem milhões de histórias para contar. Apesar de ter foco em apenas dois lugares, o Rio de Janeiro em si é explorado pela série e diferente de como muitas outras representações com bastante sol, foco no Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, aqui sempre a um tom mais escuro mesmo em cenas de dia e um grande foco nos bares tão misteriosos que se apresentam na Lapa.

Sendo bem feita, qualquer reinvenção é bem vinda, vemos no cinema estrangeiro diversas releituras de contos como lobisomem e vampiro, mas nunca houve uma nossa, por isso foi muito acolhedor ver nossas entidades tendo personalidades diferentes e origens diferentes, inclusive a Cuca e o Curupira nunca tiveram sua origem sendo contada antes, essa foi uma versão completamente inovadora do criador, trazer a história de como eles se tornaram entidades, dando ênfase em que todos nasceram humanos, pode ser uma confirmação de qual será o destino do Eric. A pouca presença das entidades me incomodou inicialmente, mas depois entendi que era necessário um número reduzido para dar tempo de tela e importância a todos ali presente. O nosso folclore é muito enriquecido, são mais de 300 lendas a serem exploradas e com aquele final aberto e a não resolução do vilão, algo indica que muito mais histórias serão contadas nesse universo.

Apesar de ter entidades apenas presentes na cultura brasileira, a série traz uma trama bastante comercial, há um mistério policial muito envolvente e instigante, é uma série que facilmente será maratonada, pois não há “barrigas” em momento algum, todas as cenas tem sua importância, até mesmo as mais aleatórias inicialmente, como o Eric deitando e sentido dor, para lá na frente revelar sua falta de memória. É muito interessante ver como as histórias se entrelaçam, o roteiro dessa série é muito bom, tudo se conecta em algum momento.

O mistério das mortes e o corpo seco são muito interessantes, mas a única coisa que me incomodou na série foi o motivo do vilão e quem era. Ser a filha do protagonista a pessoa por trás de tudo é legal, mas a atriz é muita fraca para tamanha importância, em momento algum eu temia algo de fato devido a tamanha falta de expressividade da atriz e isso se comprova quando passa para o Eric, o ator consegue de fato parecer ser uma ameaça e entrega o que a gente realmente precisava e o fato do vilão da temporada ser um caçador que o Curipira matou soou fraco, poderiam ter inventado uma entidade nova, um simples corpo seco ser quem está por de traz das mortes foi um pouco anticlimático.

Mas a série compensa na parte técnica, toda a parte de pós produção foi excelente e apesar de ter me causado uma certa estranheza a falta de muitos efeitos especiais, no final foi positivo, pois trouxe mais realidade além de nada ter soado mal feito, inclusive a fotografia da série é algo muito bem feito, as cores mais fechadas e apresença quase contaste de uma leve névoa foi perfeito para trazer a tensão que queríamos.

A Alessandra Negrini e o Marcos Pigossi mostram o porquê de serem nomes tão grandes nesse país, ambos conseguem representar perfeitamente os seus personagem, o Marcos consegue trazer todo o desespero e confusão em todas as cenas e a Alessandra é um show a parte, ela conseguiu criar uma ambiguidade na sua personagem que pouquíssimos atores conseguiriam, a Cuca não é boa nem má, ela tem seus interesses e os defende, fica a decisão do público o que eles acham da personagem. A Jessica Córes e o Wesley Guimarães (Camila e Isac) são novatos, mas conseguiram bater de frente com os dois veteranos e apresentarem ótimos personagens.

Cidade invisível é uma série de grande potencial, nos emociona ao representar também o folclore brasileiro e possui uma produção espetacular, espero muito que ela faça muito sucesso e que haja muitas temporadas.

Outras observações:

  • Já quero a Vitória Regi na próxima temporada.
  • Uma pena o destino do Saci, era de longe o mais carismático.
  • Para terminar, é necessário se ouvir mais uma vez o canto da Iara.

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Autor

Ives

Um carioca estudante de engenharia querendo se formar, viciado em realitys shows ao redor do mundo e que ama uma praia

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