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Cine Panela: 1917

Este não é um filme de guerra.

Sabe, na época que “1917” levou o Golden Globe de melhor filme, por motivos óbvios, eu não havia assistido-o ainda. “Parasita” ainda estava fresquinho em minha memória, logo, achei justo ir reclamar do acontecido no twitter. Agora, eu confesso que me arrependo de ter feito isto, afinal, “1917” é absolutamente perfeito em quase todos os aspectos que precisam ser levados em consideração para um prêmio de melhor filme.

Tecnicamente é, sem dúvidas, um dos trabalhos mais brilhantes que eu assisti nos últimos tempos. “Beleza Americana” é um dos filmes preferidos da vida, e sua entrada em plano sequência é uma das cenas mais marcantes do longa. Desta vez, Sam Mendes decidiu ir ainda mais fundo e basicamente desenvolveu um longa metragem de quase 2hrs de duração quase todo em plano sequência. E não só isso, é um filme que se desenrola num cenário de guerra. Um filme que se passa na guerra, em plano sequência.

A sutileza e primor da direção de Mendes surpreende desde o primeiro minuto, não resta nenhuma dúvida que este é o seu melhor trabalho desde “Beleza Americana”, e possivelmente, é o seu projeto mais ambicioso e desafiador. Eu só detectei o primeiro corte de cena lá pelos 22min, e ainda assim, foi algo muito delicado e que se você não estiver prestando atenção à isto, nem irá se dar conta.

“1917” é contado quase como um livro, por capítulos. Basicamente, durante todo o filme, nós acompanhamos o cabo William Schofield em sua jornada para entregar uma carta de “cessar ataque” aos Devons. Inclusive, eu não conhecia muito do trabalho do ator George McKay (Schofield), mas preciso dizer que ele não falhou em momento algum ao carregar mais de 1hr de filme sozinho em cena, um fardo pesado, mas muito bem feito.

Ao fim do filme, nós lemos a mensagem de que todo ele foi baseado nos relatos do avô de Sam Mendes na 1ª Guerra Mundial. No entanto, eu não acho que a beleza de “1917” esteja em ser um “fato real”, mesmo pois, todo o teor artístico da obra não casa muito bem com a realidade que ele, talvez, tenha tentado embutir na história.

A fotografia de “1917” precisa e deve ser notada, no entanto. Os cenários de guerra são devastadores, ainda assim, de uma beleza inacreditável. Ao fim do que seria o 8º capítulo, nós vemos William Schofield de costas observando uma cidade inteira pegando fogo, e se você apesar congelar este momento, é simplesmente estarrecedor. É doloroso, mas é lindo e extremamente artístico.

E eu acho que se tivesse que escolher apenas uma palavra para definir esta obra, definitivamente seria “arte”, pois do começo ao fim, Sam Mendes se atém aos mínimos detalhes para tornar seu “filme de guerra” em uma obra de arte, algo visualmente deslumbrante.

E por mais que este feito tenha sido alcançado, ele está ali para, possivelmente, cobrir tudo o que falta de sustância no roteiro. Como disse anteriormente, por mais que Mendes tenha feito questão de nos dizer “olha aqui, é baseado na realidade”, seu roteiro é completamente fictício e hollywoodiano. Não que não seja algo “crível”, mas existem muitos desfechos poéticos para te deixar surpreso com qualquer escárnio de guerra.

“1917” é, essencialmente, a jornada do heroi. É um conceito comum do cinema, mas não é compatível com a qualidade técnica do longa. Este é o único fator que ainda me deixa com pé atrás quanto à uma possível vitória de melhor filme nos Oscars. Por mais que a obra de Mendes seja visualmente deslumbrante, ela não é inovadora ou transgressora além dos padrões técnicos. E vale levar em consideração que a concorrência é “Parasita”, uma obra extremamente “fora da caixa”, ainda que inferior tecnicamente.

O que eu posso afirmar com toda a certeza sobre “1917” é que é um filme perfeito em quesitos técnicos, mas talvez, polido demais, “perfeito” demais na hora de apresentar sua urgência de uma obra “real”. Sam Mendes é um diretor colegiado, clássico, e talvez, isso tenha o deixado preso demais para alcançar a visceralidade pretendida inicialmente. A história te prende sim, do começo ao fim, mas não por seu teor de “história”, mas sim por sua perfeição artística.

Se você pretende assistir ao longa, aconselho que o veja nos cinemas, em IMAX, se possível. Afinal, a maior e mais inebriante qualidade de “1917” é seu visual e técnica apurados. A guerra é, aqui, apenas segundo plano. Nós passeamos por telas e capítulos, quase como um passeio em uma galeria. É suficiente, é acima da média. De todos os concorrentes à melhor filme dos Oscars, “1917” é aquele que você precisa assistir nas telonas para compreender o real sabor da obra!

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Luana Medeiros

Sinceramente, não sei mais há quanto tempo estou nesse site? Mas olha, faz um bom tempo! HAHA. Atualmente cuido mais de reviews de realities musicais, mas também faço meus corres nos seriados, porque a vida é isso aí! Tenho 24 anos, sou formada em rádio/tv/internet, e nas horas vagas vocês me encontram por aqui! ;)

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