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Cine Panela: Black Mirror – Bandersnatch

Uma nova experiência

Black Mirror é uma série diferente da curva das demais, pois cada episódio dessa obra vem com um propósito, e esse propósito muita das vezes traz uma lição para os seus telespectadores, além de estimulá-los a criar debates acerca do que foi visto. Um grande universo foi construído em torno da série, o que a coloca em um status de grande visibilidade. Claro que nem tudo é perfeito, temos episódios da série que são nitidamente inferiores a outros que foram brilhantemente bolados. Bandersnatch é uma mistura agridoce do melhor e pior do que a série costuma oferecer, e aqui nessa review, tentaremos mostrar nossos pontos para vocês sobre isso.

Black Mirror: Bandersnatch foi amplamente vendido como um grande passo para a franquia, devido ao fato já conhecido de esse ser um filme interativo. Engana-se em pensar que fazendo isso eles seriam pioneiros, mas, por outro lado, nenhuma proposta anterior a essa havia sido tão ousada, o que já era de se esperar vindo de Black Mirror. O diferencial aqui, é que como sempre a série coloca questões um tanto quanto impactantes para os telespectadores, que cria uma grande comoção. Agora, some um enredo complexo mais esse novo modelo que permite a interação do usuário com o filme, e obtenha uma grande rede de conclusões, sentimentos, teorias, experiências… Talvez esse seja o grande propósito da série.

Claro que podemos chegar a conclusão certa daquilo que o enredo verdadeiramente significa, ou seja, aquilo que os diretores desde o início quiseram mostrar para nós, mas, a experiência individual que cada um teve, mais do que nunca foi potencializada por essa singularidade. Falando sobre aquilo que Bandersnatch significa, chegamos a várias conclusões como alienação, livre-arbítrio e liberdade, e o trabalho que foi construído por cima desses temas foi de certa forma interessante, mas com algumas falhas que podem ter sido ocasionais ou não. Algumas escolhas feitas no episódio pareceram forçadas e sem saída, o que entra em conflito com a proposta de colocar o poder nas nossas mãos. Em contraponto, a liberdade de explorar as alternativas, por mais exaustiva e repetitiva que seja, é uma forma de dizer que estamos com o controle na mão, bem como em um jogo de vídeo game, que por acaso é o tema do filme.

É aí que entra a experiência de cada um com aquilo que nos é apresentado. As pessoas podem seguir um caminho que as afetariam de maneira diferente devido a condição do indivíduo e sua própria alienação com o tema. Há de se pensar que nós temos autonomia, mas até que ponto essa autonomia é verdadeira? O quanto ela nos afeta? E quando perdemos o controle, isso faz de nós alguém ruim? A experiência é o reflexo da nossa autonomia enquanto seres, e ela é verdadeira ao ponto de criar sentimentos e reações em nós. Quando escolhemos fazer o protagonista se jogar do prédio, teremos a experiência criada pela nossa autonomia advinda dessa decisão, mas o que nos levou a ter a autonomia de escolher essa opção tão mórbida? As situações criam o caminho para nossa decisão, e é daí que vem a nossa autonomia, que se encaixa muito bem no que Bandersnatch representa. Não podemos controlar o caminho criado, mas podemos criar o nosso caminho a partir do mesmo, e eu vejo esse filme como isso.

Particularmente fui bastante afetado (de forma positiva) pela trama de Black Mirror, já que estou tão contemplativo aqui em minha escrita kkkk. Os caminhos que criei a partir do caminho pré estabelecido me levaram a crer que em certos momentos tomei a decisão certa, e em outros a errada, porém, a decisão certa pareceu ser a oferecida, e a errada pareceu ser a criada. Conseguem compreender? É dessa forma que tivemos várias experiências, vários relatos, pessoas que gostaram, e outros que se sentiram frustradas por perceberem que não estavam realmente no controle, já que elas conseguiram enxergar que a decisão certa não foi ela quem a diretamente criou. Mas o próprio enredo fala sobre essa falsa sensação de controle, o que faz com que tudo aquilo que o protagonista sente, nós também sentimos, e é nisso que o filme acerta muito bem.

Black Mirror: Bandersnatch é de fato algo experimental e reflexivo, que levanta questões profundas, abordadas de forma inteligente, mas que poderia ter sido executadas um pouco melhor. Se vale a pena ou não tirar de uma a cinco horas do seu dia para você criar sua própria experiência fica a seu critério, no final você verá o resultado.

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24.02.2019 Cine Panela: Vice

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Ricardo Souza

Tem gente que diz que sou um amorzinho, eu digo que sou um trouxa. Viciado em maratonar séries e ficar na bad depois de assistir tudo em um dia. Amo muito música indie, quando quiser me chamar pra ouvir Florence já sabe onde procurar. Mineiro do interior que não puxa o 'r' quando fala, mas adora um pão de queijo.

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