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Cine Panela – Bohemian Rhapsody

Quando descobrimos que fariam um filme biográfico de Freddie Mercury, ficamos divididos, eu pelo menos, entre dois sentimentos:

  1. Ele merece muito, afinal é uma mais maiores lendas da música mundial;
  2. Espero que façam direito e respeitem a vida e a história do Freddie.

No final das contas, o filme ficou num meio termo, deixando um gosto agridoce para quem acompanhou ou gostava muito do cantor ou da banda como um todo. Não se que ele seja ruim, mas alguns aspectos foram mal trabalhados e mal adaptados, o que se torna um problema num filme biográfico, ainda mais com pessoas que presenciaram os fatos na produção. Mas antes de um veredito, vamos entender o pouco da história?

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O filme começa com uma apresentação fracassa do que seria a banda que antecederia o Queen, já com Brian May e Roger Taylor, ambos na faculdade. Freddie, que também estuda lá, testemunha uma briga e a saída o vocalista da banda, e ali no estacionamento faz uma audição para ocupar seu lugar. Conforme o tempo passa e a banda vai ganhando corpo, temos a adição de
John Deacon no baixo. Eles fazem mais alguns shows em bares e nisso vemos Mary, pela primeira vez. Ela é a namorada/noiva/esposa de Freddie, uma personagem importante em sua vida e também no filme, estão presente em momento de conquista pessoais e da carreira do cantor.

A presença de Mary no filme é criticada por algumas pessoas, como uma forma de imposição de um relacionamento heterossexual, até porque todos os relacionamentos homoafetivos de Freddie não tiveram a mesma importância. Mas Mary foi uma figura extremamente marcante em sua vida, mesmo sem ser do lado amoroso, estando presente como uma amiga nos momentos mais difíceis. Então a crítica deveria se dar pelo fato de não desenvolverem o relacionamento de Freddie com Jim, que esteve ao seu lado até o fim, não debater a real necessidade da presença de Mary. Porém, se tivermos que criticara algum momento, seria a forma que a colocaram como “salvadora” fazendo com que ela fosse resgatá-lo nas mãos do grande vilão do filme.

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Um momento especial é toda a sequencia que mostra desde a composição até a gravação do grande hino que dá nome ao filme, que mostra toda a genialidade da banda, desde o uso de recursos inesperados, até a junção do canto quase lírico com o rock. Em quase seis minutos de música, que acaba numa piadinha maravilhosa, temos nada mais que uma obra de arte em forma de música, daquelas que transcendem gerações, que nunca ficam velhas e que ano após anos se torna ainda mais relevante. Mas fica aquela dúvida: será que foi aquela vista bucólica do interior que inspirou Freddie a escrever uma letra tão melancólica? Será que ele estava tão em paz, com um pequeno sorriso em seu rosto, quando pensou em versos como: “Mama, I don’t wanna die, I sometimes wish I’d never been born at all.”

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Os furos temporais e algumas “invenções” são problemas graves: 1. Freddie mostra o vídeo da performance (maravilhosa por sinal) do Queen no Rock in Rio, com o povo cantando Love of My Life para a Mary. Essa apresentação foi no mesmo ano que o Live Aid, em 1985, só que no filme eles se separam nessa noite e na realidade ele terminaram o relacionamento em 1976, nove anos antes; 2. Freddie descobre que é HIV positivo após o Live Aid, então com a escolha do show como sendo o clímax do filme, tiveram que alterar tudo; 3. O Queen nunca se separou. Pode parecer que eles ficaram anos longe, sem se apresentar, após brigarem porque Freddie dizer que gravaria um cd solo, mas nessa época Roger Taylor já tinha gravado dois. Essa situação criada para o filme serviu apenas para mostrar Freddie como alguém egoísta e que só pensava nele. Será que se ele estivesse vivo e na produção do filme, teria sido assim?; 4. Queen não estava sem trabalhar, muito menos brigado antes do Live Aid, tanto que lançaram um cd no ano anterior e saíram em turnê mundial.

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Mas nada é passível de crítica nesse filme, as atuações e caracterizações são majestosas! O que falar de Rami Malek, que nem conheço e quero dar um Oscar? Rami conseguiu pegar todos os trejeitos de Freddie no palco, de uma forma não ficou caricata, o que não é fácil. Mercury era um monstro enquanto cantava, como se um espírito tomasse o seu corpo e o mostrasse como dominar todo aquele espaço e Rami conseguiu transparecer toda a segurança e o conforto de Freddie a frente da banda. Todos os prêmios que ele recebeu até agora foram mais do que merecidos. E o que dizer da caracterização de Brian May e John Deacon? Eles estão absurdamente parecidos.

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Brian May (esquerda) x Gwilym Lee (direita)

E falando sobre boas adaptações, a parte do show do Live Aid em si já valeu o ingresso do filme. Perfeitamente bem ensaiada, com as marcações, e gestuais idênticos ao original. Confesso que fiquei arrepiada e com o coração acelerado, principalmente quando vi o vídeo em que comparam os dois show, colocando-os lado a lado. Por isso é a magia do cinema na sua mais pura forma.

Nota: (3,0)

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Thais Pereira

Feminista, leonina com ascendente em gêmeos e lua em virgem, viciada em memes, em Friends e problematizar na internet. Formada em História da Arte, mas consciente que nunca vai trabalhar com isso na vida. Normalmente eu escrevo e falo mais do que deveria. Eu mesma, Thais Mello.

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