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Cine Panela: Coringa – Joker

Coringa é simplesmente uma obra prima do cinema que deverá ficar eternizada na história.

O Coringa – clássico vilão do Batman – sempre foi um dos personagens mais complexos das histórias em quadrinhos. O personagem já teve algumas aparições no cinema, como no filme Batman (1989) onde foi interpretado por Jack Nicholson, e no aclamado Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), onde foi vivido de forma brilhante por Heath Ledger, no papel que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante depois de sua morte. Também teve a tragédia que foi o Coringa de Jared Leto no filme Esquadrão Suicida (2016), mas isso a gente tenta esquecer. O personagem também esteve presente nas séries de TV, como em Batman: O Homem-Morcego (1966-1968) com César Romero, e na mais recente série Gotham (2014-2019), com o excelente ator Cameron Monaghan.

Embora o Palhaço do Crime já tenha tido algumas histórias de origens, como a famosa e chocante “A Piada Mortal” de Alan Moore, nenhuma dessas histórias acontece de forma canônica. No universo canônico da DC Comics nas HQs, o Coringa não tem e nunca teve uma origem, e isso é parte do que torna o personagem um dos maiores vilões da história da cultura pop e um dos mais amados personagens, e esse foi um dos motivos pelo Coringa de Heath Ledger ser tão aclamado.

Em 2019, o diretor Todd Phillips trouxe para os cinemas o longa intitulado “Coringa”, que mostrou a história de origem do personagem que foi interpretado por Joaquin Phoenix. Como dito anteriormente, o personagem não tem uma origem nos quadrinhos, e isso é um dos seus principais charmes, então tentar trazer isso para os cinemas em um filme solo do vilão, seria uma tarefa bastante difícil e desafiadora.

A sinopse do filme fiz: “Arthur Fleck trabalha como palhaço para uma agência de talentos e, toda semana, precisa comparecer a uma agente social, devido aos seus conhecidos problemas mentais. Após ser demitido, Fleck reage mal à gozação de três homens em pleno metrô e os mata. Os assassinatos iniciam um movimento popular contra a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne (Brett Cullen) é seu maior representante.”

Contudo, apesar das dificuldades que o longa teria que superar, Coringa se tornou uma obra prima, ganhando vários prêmios e sendo indicados para vários outros. Sem dúvida nenhuma, o maior destaque ficou por conta da impactante, chocando e totalmente excepcional atuação de Joaquin Phoenix. O ator ganhou prêmios como o Globo de Ouro, o Critcs Choice Awards e o SAG Awards por seu trabalho, além de ser o favorito para ganhar o Oscar.

Apesar de Phoenix ter sido o destaque, ele está longe de ser a única coisa boa no filme. O roteiro consegue passar a sujeira que é a cidade de Gotham City, e mostrar o cenário e o desprezo que a cidade tem com os mais pobres e que ajudaram a transformar Athur Fleck no insano Coringa. Nele também temos diversas críticas a nossa sociedade, como a falta de assistência médica, falta de higiene básica, diversas críticas políticas e várias outras. Por causa disso, vários críticos que assistiram ao filme o consideraram perigoso e irresponsável, pela mensagem que ele passa, podendo incitar revoltas.

Mas o que pode ter sido o maior ponto positivo do roteiro e da direção de Todd Phillips foi a forma como foi feita a evolução e transformação de Arthur Fleck para Coringa. Ao longo do filme, divido em três atos vemos a mudança do personagem, onde em cada ato ele aparenta ser alguém completamente diferente, mostrando sua evolução até se firmar como o vilão Coringa no ato final do filme.

O filme também consegue trabalhar bem os problemas mentais de Fleck, deixando tanto o personagem confuso, como a audiência sobre o que foi real e o que foi invenção de sua cabeça. As relações com outros personagens também foram cruciais para a transformação de Arthur, seja com sua mãe, Penny (Frances Conroy), e os segredos de seu passado, ou com seu interesse amoroso, Sophie (Zazie Beetz). Vale ressaltar também a presença de Robert De Niro no longa, como o apresentador Murray, que era idolatrado por Arthur e contribui para a revolta do personagem, tendo também um papel de suma importância no ato final do filme.

Nos outros quesitos técnicos Coringa também não decepciona, apresentando uma maquiagem excelente e uma trilha sonora que vem ganhando vários prêmios, composta por Hildur Guðnadóttir. A trilha contém músicas de grandes astros como Frank Sinatra e Charles Chaplin.

Apesar de ter a presença de vários personagens do universo do Batman, como Thomas e Martha Wayne, Alfred Pennyworth e o até mesmo o jovem Bruce Wayne, o longa consegue manter o foco no Coringa. Ele não se perder dando atenção demais para esses importantes personagem na mitologia de um dos maiores heróis da atualidade, e ainda consegue dar certo papel de importância para os Wayne ao longo da trama.

Coringa é sem sombra de dúvidas um marco no cinema, e um dos melhores filmes de 2019, mudando a forma como os filmes que adaptam quadrinhos podem ser vistos e feitos. O grande destaque fica por conta de brilhante atuação de Joaquin Phoenix, mas é garantido que ele não será a única coisa boa que você verá caso confira essa obra de arte.

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Viciado em séries e filmes desde sempre. Leitor assíduo e estudante de jornalismo. Um dia vou realizar meu sonho de deixar as séries atualizadas.

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