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Cine Panela: Dois Papas – The Two Popes

Em Dois Papas, A Netflix e o Fernando Meirelles buscam mostrar que apesar de ser o emissário de Deus na Terra, o Papa ainda pode ser alguém humano, com falhas, defeitos e até mesmo qualidades.

“The Two Popes” é mais uma obra que a @Netflix nos dá de presente, e a maior plataforma de streaming do mundo segue inovando e surpreendendo com ótimas produções, repletas de realismo, ricas em detalhes e ótimas fotografias. O filme mistura perfeitamente a narrativa por trás do momento histórico para todo o Vaticano e para religião Católica Apostólica Romana como um todo, abordando também a ascensão de um novo Papa – que reforçava as tradições católicas mais antigas -, as polêmicas envolvendo seu nome, sua queda e a escolha do seu sucessor.
O longa consegue desenvolver uma narrativa muito bem-feita ao mostrar a arrumação política interna do Vaticano, trazendo indícios de que o atual cardeal, Joseph Ratzinger, havia utilizado de sua grande influência para ser eleito Papa durante o conclave após a morte de João Paulo II, superando, então, seu futuro sucessor, cardeal Jorge Bergoglio. Ratzinger é nomeado, então, Bento XVI. É interessante como o filme mostra muito bem a diferença entre a simpatia comovente de Bergoglio e a intolerância e secura do Papa Alemão.


Muito se especula sobre a renúncia de Bento XVI, que tomou a decisão afirmando não estar mais fisicamente preparado para exercer suas funções, o que de certa forma é mostrado no longa. O filme basicamente coloca Papa Francisco (Bergoglio) como protagonista e as diversas cenas de diálogo e interação entre os dois papas são de uma genialidade magistral. A intrigante e misteriosa personalidade do Papa Bento XVI, somada à cativante e humilde personalidade de Bergoglio, nos degustam com diálogos que conseguem nos fazer refletir, chorar e rir ao mesmo tempo. Enquanto Francisco trazia sua opinião progressista e evolutiva sobre a religião católica, Bento se mantinha inflexível e petrificado nas tradições ultrapassadas da igreja, que passava por uma crise tamanha repleta de escândalos envolvendo seus cardeais, a maioria desses escândalos tinham relação com pedofilia.
O filme coloca como narrativa o convite pessoal de Bento a Bergoglio a sua casa de férias para uma conversa após o cardeal solicitar sua renúncia, mas diferente do que foi mostrado na trama, não existem indícios de que esse encontro entre os dois papas realmente aconteceu e muito menos que o Bergoglio havia pedido sua renúncia por estar insatisfeito com os caminhos que a igreja católica trilhava. Claramente, conseguimos ver que Fernando Meirelles trouxe uma visão romantizada da real história que circunda os Papas, buscando evidenciar a dicotomia entre os dois. Os diálogos construídos pela ficção são tão bem-feitos que nos fazem acreditar que realmente podem ter acontecido, e a escolha de Anthony Hopkins (Bento XVI) e Jonathan Pryce (Papa Francisco), dois atores sensacionais e extremamente parecidos fisicamente com os Papas reais, agregou ainda mais qualidade à obra.
Alguns assuntos polêmicos são tratados pelo filme de uma forma que claramente gera empatia em quem assiste com histórias que são páginas obscuras da vida dos dois papas. Tanto o envolvimento de Bergoglio com o Regime Militar Argentino e o acobertamento de Bento com as investigações e denúncias que recaíram sobre alguns cardeais são trazidos por Meirelles de forma reflexiva, sendo capaz de humanizar até mesmo a figura santa e canonizada de um Papa.


Mesmo tendo tudo para ser um filme chato e cansativo, “Dois Papas” surpreende por uma narrativa envolvente e contagiante, se tornando uma das melhores produções de longa metragem produzidas pela Netflix. Como já abordado anteriormente, outro ponto interessante é que o filme foi dirigido por Fernando Meirelles, cineasta brasileiro que dirigiu também o filme “O Ensaio sobre a Cegueira” (2008), baseado na obra de José Saramago. Assim como “Dois Papas”, o filme é uma ótima pedida para quem busca um roteiro leve e com uma narrativa realista e surpreendente.

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Rafael Augusto

Um hiperativo que não sabe viver sem ler, escrever, ouvir música, ver séries e filmes, geralmente tudo ao mesmo tempo. Fã de ficção científica, suspense, Stephen King e histórias em quadrinhos.

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