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Cine Panela: Ford v Ferrari

”Who are you?”

Continuando nossa maratona antes do Oscar, hoje falaremos um pouco sobre um longa que talvez não seja um dos favoritos a levar a estatueta de melhor filme, mas que com certeza vale a pena assistir.

Ford v Ferrari esse ano vem representando a “cota esportista” dos filmes indicados ao Oscar. O filme é um drama biográfico de dois ícones do mundo automobilístico, Carroll Shelby (Matt Damon) e Ken Miles (Christian Bale). Pra quem é um amante de carros, corridas e afins certamente deve conhecer e muito a vida desses dois.

O longa estreou nos cinemas em novembro de 2019, mas já havia sido apresentado em um festival de cinema em agosto. Além do sucesso de bilheteria, foi considerado um dos dez melhores filmes do ano e alguns nomes já acumulam alguns prêmios, como melhor diretor e melhor ator (Bale). Mas o que há de tão interessante em um filme de corrida?

Justamente por não ser apenas um filme de corrida. Aliás, pra quem procura um “Velozes e Furiosos” da vida se decepciona, pois apesar do ápice do filme ser a corrida de Le Mans, a relação entre Carroll e Ken, assim como a rivalidade entre Ford e Ferrari são os principais fios condutores da história. O filme se passa na década de 60, período este que o modelo de produção em massa criado por Henry Ford, o Fordismo, começa a decair, uma vez que tal modelo já não se mostra mais eficaz. Tanto que, logo no começo do filme há um reunião entre os membros da Ford e uma discussão a respeito disso é levantada. Chegam a conclusão de que precisam começar a produzir como a Ferrari, prezar pela qualidade ao invés da quantidade.

Com isso Henry Ford II decide por não poupar esforços na criação de um novo automóvel mais veloz que qualquer outro. Principalmente, mais veloz que qualquer outro da empresa Ferrari. Assim, Carroll é envolvido e torna-se responsável (há controvérsias) pela produção desse novo modelo, o FORD- GT40, e chama Ken, seu amigo veterano de guerra e talentoso piloto de corrida para ser o responsável por comandar esse novo automóvel. No entanto, apesar de seu talento com os carros, não pode se dizer o mesmo com suas interações interpessoais, uma vez que seu apelido é “Bulldog” devido a um temperamento bastante explosivo. E não. Isso não foi um trocadilho.

Ken é taxado como alguém que não representa a empresa Ford devido ao seu temperamento, seu visual e seu jeito de ser. Isso é bem característico da época e mostra como dentre as inúmeras preocupações que as empresas tinham, um dos medos era que seu nome fosse atrelado a uma pessoa “pobre”. Essa perseguição a Ken é arrastada até o final, quando o piloto, prestes a ganhar o Le Mans, é sabotado e perde o primeiro lugar para outro competidor da Ford. É o momento mais angustiante e revoltante do filme, mas nesse momento Ken diz algo a Carroll: ele não o prometeu a vitória, e sim correr. Inclusive, a cena em que Ken está sozinho na pista e se emociona é muito linda, provando que ele realmente era a melhor pessoa para pilotar o FORD GT40.

Os dois atores protagonistas, Matt Damon e Christian Bale, seguram o drama do filme nas costas através de uma simples e singela amizade, a gente percebe a tamanha história que os dois já tiveram juntos, e há uma simplicidade muito bacana nisso. Por outro lado, a relação de Ken com sua esposa no plano de fundo é explorada de uma maneira nem superficial, claro que não tinha tempo suficiente pra isso, mas em diversos momentos a personagem mostra-se alguém de personalidade forte e que entende de automobilismo, logo gostaria muito que ela tivesse participação mais ativa no desempenho do marido e não só assistisse de casa. Isso é pedir demais, eu sei, ainda mais considerando a época, mas fica minha simples crítica a obra.

Como o longa é uma história biográfica, era bem previsível a morte de Ken. Porém, foi em um momento muito a parte da história e não teve o impacto que deveria. O momento para se derreter foi entregue a Damon ao conversar com o filho de seu amigo na cena final do filme. Mesmo depois de seis meses após o ocorrido, o personagem ainda sente falta de seu amigo e lamenta pelo que aconteceu, um misto de culpa e tristeza. E é por isso e outras coisas que Ford v Ferrari está longe de ser apenas mais um filme de corrida.

 

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Erik Lacerda

Paulista, 17 anos, não bebo mas rola um cantinho do vale de vez em quando (ou é cantina? não sei). Amo comentar sobre tudo o que assisto porém nenhum amigo meu tem paciência pra me ouvir falando besteira sobre GOT, Grey's e How I met Your mother, por isso estou aqui.

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