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Cine Panela: Green Book

Um filme engraçado, bem pensado, e, acima de tudo, tocante.

Assistir “Green Book” é um privilégio. Não são tantos os filmes hoje em dia que me arrancam sorrisos, risadas, lágrimas, e que me deixam com aquela sensação gostosa de que o mundo é um lugar melhor porque aquele filme foi feito exatamente daquele jeito. “Green Book” é uma destas obras, por diversas razões.

A primeira delas é o elenco incrível. Baseado (mas não fielmente, vejam bem) em fatos reais, o filme traz o desafio aos atores para que desempenhem seu papel de modo a criar um personagem em cima de uma pessoa que realmente existiu e não fazê-lo de forma caricata ou inverossímil, e todos os personagens principais fazem isso com maestria. Elogiar Mahershala Ali, vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo sensacional “Moonlight” (e novamente indicado por este papel), quase sempre será um eufemismo perto da genialidade do ator. Sua interpretação do Dr. Don Shirley é impressionante e extremamente tocante. Já Viggo Mortensen, indicado aqui ao Oscar de Melhor Ator, impressiona igualmente pela sua interpretação engraçada e surpreendente de Tony Lip, motorista do Dr. Shirley e “folgado” por profissão. Precisou de algum acerto de contas? É com ele mesmo, utilizando de violência ou lábia, tanto faz, o que poderia facilmente distanciar seu personagem dos espectadores, mas não o faz.

O filme é uma road trip pelo sul dos Estados Unidos, que une um motorista branco e um pianista da melhor qualidade, negro, porque é assim que as coisas precisavam ser naquela época. Sem a presença de Tony, Shirley não estaria seguro naquele lugar na década de 1960, quando o segregacionismo e o preconceito eram ainda mais mortais do que são hoje. Fica a recomendação para que assistam também “BlacKkklansman”, também ambientado nesta época (resenha aqui).

Não chega a ser um spoiler dizer que Tony é, inicialmente, racista. Não como as pessoas brancas no geral são hoje em dia, quando reproduzem racismo internalizado, mas de maneira mais evidente e maldosa. Logo nas primeiras cenas do filme isso fica muito claro, mas a evolução do personagem é o que impressiona. Mas serão as pessoas realmente capazes de mudar, e influenciar os outros à sua volta no processo? Têm que assistir o filme pra descobrir!

Em suma, o filme é um exemplo claríssimo de que jamais devemos julgar um livro pela capa, e que qualquer um de nós tem MUITO a aprender com qualquer outra pessoa. Eu disse “qualquer”, não importa o quão diferente de nós mesmos. Shirley, um homem estudado, extremamente talentoso, mas solitário e frequentemente embriagado, é extremamente influenciado (e positivamente, acreditem se quiserem!) pela presença do seu motorista violento, pobretão, com uma tendência quase que natural ao crime e ao obsceno, mas também uma pessoa dedicada à família e sensível à sua maneira. E vice-versa.

A concorrência será duríssima ao Oscar de Melhor Filme, mas “Green Book” mostrou a que veio e merece, sim, ser levado a sério em paridade com os demais. É uma obra de arte que toca em questões extremamente delicadas (racismo, preconceito contra a população LGBTQ+, entre outras) de maneira muito sensível. Vale muito a pena!

Acompanhem ao longo dessa semana as demais críticas dos indicados ao Oscar aqui no Panela de Séries, e vamos prosseguir a maratona!

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Isabella Oliveira

Poderia estar matando ou roubando, mas provavelmente levaria pouquíssimo jeito para a coisa, daí eu faço Direito. @brockhxmptxn no Twitter.

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