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Cine Panela: História de um Casamento – Marriage Story

História de um casamento em chamas.

Vamos começar dizendo que, se eu tivesse que recomentar apenas um “filme do Oscar” para alguém nesse começo de ano, seria este. Marriage Story é o tipo de filme que te captura desde o primeiro segundo e, quando te larga, você fica com a imediata sensação de que aquilo que você acabou de ver é ARTE na sua mais pura forma. E isso não é algo que eu sinta com frequência.

Dirigido por Noah Baumbach, que é um diretor consolidado em Hollywood e que tem alguns queridinhos da crítica no seu catálogo como “O Fantástico Sr. Raposo” (que ele roteirizou) e “Frances Ha” (que ele roteirizou e dirigiu em conjunto com sua companheira e também diretora, Greta Gerwig), Marriage Story, na minha opinião, era o filme “popular” que faltava para que ele se tornasse mais mainstream na indústria e, com certeza, pudesse lançar mais projetos de notoriedade num futuro próximo.

A primeira cena é uma das melhores cenas de abertura que eu já vi em um filme em toda a minha vida. Desde ali já conseguimos ver que Adam Driver e Scarlett Johansson são atores excepcionais, pois já conseguem passar uma emoção absurda e nos conectar com seus personagens em tão pouco tempo. Charlie e Nicole iniciam suas histórias dizendo tudo aquilo que eles mais amam um no outro, e o espectador fica com o coração super quentinho até a quebra de cena em que percebemos que, por mais que tudo aquilo seja verdade, foram coisas que eles escreveram para a terapia de casal. Porque eles estão à beira do divórcio.

A partir desse tapa na cara inicial, a história só cresce em ritmo e qualidade de roteiro e direção até chegar em um final que eu não consegui formular nada para criticar. Nada. O filme é perfeito! A cena da maior discussão do casal, em que eles estão no apartamento de Charlie em Los Angeles, é o motivo pelo qual eu daria os Oscars de melhor atriz e melhor ator aos dois principais sem pensar duas vezes. Vendo essa cena, e todo o resto do filme (que, aliás, também foi roterizado pelo Noah), ficamos com a impressão bizarra que tudo aquilo é mérito dos atores, porque o filme é tão natural e as falas fluem tanto que parecem conversas do dia a dia de qualquer um de nós. Tudo parece uma grande improvisação, mas vendo o roteiro e entrevistas de todo o cast, descobrimos que, na verdade, tudo o que as cenas continham foi cuidadosamente roteirizado. Tudo aquilo foi pensado e escrito pelo Noah, que já pode ser colocado no pódio dos melhores roteiristas de Hollywood sem muita competição.

A qualidade da escrita, da direção e da fotografia do filme são notórios, mas também tenho que ressaltar aqui a qualidade dos atores coadjuvantes. Em especial, de Laura Dern (atriz de Big Little Lies, que nós resenhamos aqui no Panela!), que vem fazendo “a rapa” em todos as premiações até o momento e levando várias estatuetas para casa. Ela, que faz o papel da advogada de Nicole, é uma das personagens mais fortes e f*donas que eu já vi em muito tempo. Até parece que advogados são legais assim na vida real! E a mesma coisa para Alan Alda, que faz o papel do advogado bonzinho de Charlie. O elenco de peso poderia dar a impressão de que os atores foram escolhidos para trazer atenção ao filme e compensar pela falta de qualidade da história, mas aqui com certeza não é o caso.

Por fim, focando na história em si, ela impressiona por ser tão crua e real, já que todos os personagens claramente possuem defeitos e mesmo assim nós conseguimos torcer para o sucesso e felicidade de cada um deles. Nicole é uma pessoa problemática, Charlie também, e a família dela também é. Até o filho deles é um pouco chatinho às vezes. E todos esses defeitos e inegáveis qualidades de todos eles fazem com que consigamos nos ver na história mesmo que a vasta maioria dos jovens com Netflix nunca tenha se casado e talvez nunca tenha presenciado as implicações de um divórcio na vida.

Em resumo, não consigo pensar em qualquer aspecto desse filme que mereça críticas. É, como eu disse no começo, uma obra de arte e contém duas das melhores atuações que eu já vi em anos. Como alguém que viu Star Wars com o Kylo Ren e todos os filmes da Marvel com a Viúva Negra, eu não fazia ideia que nenhum desses dois era tão bom ator assim. É muito lindo de ver, e espero que todos tenham oportunidade de presenciar um filme que com certeza vai marcar a história do cinema como um clássico do gênero. Acima de tudo, Marriage Story é uma história de amor e o que acontece quando ele não é mais o suficiente.

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Isabella Oliveira

Poderia estar matando ou roubando, mas provavelmente levaria pouquíssimo jeito para a coisa, daí eu faço Direito. @brockhxmptxn no Twitter.

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