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Cine Panela: Judas e o Messias Negro – Judas and the Black Messiah

E nos deparamos com mais um show de Daniel Kaluuya que mostra a história real de um dos líderes dos Panteras Negras.

Judas e o Messias Negro é um filme estranho. Isso não quer dizer que é um filme ruim nem nada do tipo, muito pelo contrário, só quer dizer que o filme é diferente daquilo que eu esperava. Ao não ver trailers ou qualquer outra coisa relacionada ao filme, a única informação que eu tinha é que a história abordava o Partido dos Panteras Negras. E é aí que vem o pulo do gato: a história é sobre isso, mas não só.

A trama acompanha a história de Bill O’Neil (interpretado por Lakeith Stanfield), um informante do FBI dentro da sede regional dos Panteras Negras. A missão dele é reportar sobre tudo que o Partido faz, mas dando uma atenção especial para o seu presidente, Fred Hampton (uma atuação primorosa de Daniel Kaluuya). É ele o tal “messias negro” do título, que não é à toa. A forma que o personagem é retratado sempre dá a entender que ele é diferente dos outros, que é melhor, tanto pela imposição física quanto na parte vocal; oratória esta que só colabora para o desenvolvimento dessa aura divina que ele tem. Enquanto isso, O’Neil é um extremo oposto, sendo retratado como alguém que sempre está abaixo, encolhido, como se fosse uma representação física de carregar eternamente o peso de ser o traidor.

The Geek on Twitter: "Daniel Kaluuya é o primeiro vencedor, ele ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante em Filmes por Judas e o Messias Negro. https://t.co/2FGEQIeHMC #GoldenGlobes #JudasAndTheBlackMessiah #WarnerBrosPictures…

O interesse do FBI se dá por meio da presença de J. Edgar Hoover, chefe da agência, que vê Hampton como um inimigo do american way of life, de tudo aquilo que os Estados Unidos representam, ou seja, ele é um negro revolucionário. O plano inicial é prender o alvo, mas matá-lo acaba tornando a solução perfeita, como sempre aconteceu ao longo da História americana. E contar isso não é revelar o plot twist final, já que o filme não se propõe a isso em nenhum momento. Messias morreu, no final das contas, não é mesmo.

Mas falando sobre o estranhamento. Fiquei com a sensação de que os protagonistas não se relacionam, apesar do filme querer que acreditemos nisso a todo custo. Cada um tem a sua história, que segue os próprios caminhos, de forma que a jornada de um tem pouca ou nenhuma relevância na do outro até que o final aconteça. Enquanto O’Neil cresce no Partido e se torna chefe da segurança da sede regional, Hampton tem sua ascensão e depois queda, inicialmente quando vai preso e depois quando é morto. No final, essas histórias se reencontram não por coerência, mas sim porque foi desse jeito que aconteceu. Ao dar o mesmo peso ao dos personagens, criando a dúvida de quem é de fato o protagonista e o coadjuvante, não há espaço para o pleno desenvolvimento entre os dois; há o desenvolvimento próprio de cada um, que coincidem no final, quanto O’Neil dá o veneno que mata Hampton.

Outro ponto a ser retratado é que o que segura o filme são os discursos e falas de Fred ao longo de sua vida. Inclusive, toda vez em que havia um comício ou evento em que ele subia em um palanque, eu me ajeitava no sofá, sabendo que viria algo genial em seguida.

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Mas, além disso, o filme não entrega muita coisa, parecendo estar contido. Isso talvez se deva pelos familiares de Hampton estarem vivos e envolvidos com o filme, tendo inclusive aprovado pessoalmente a escolha do diretor e corroteirista, Shaka King. Ou, quem sabe o roteiro só não é muito bom, e acho que tá tudo bem.

No final das contas, gostei do filme e recomendo ele pelo valor histórico. Porém, ele acaba sendo só mais um filme que volta suas atenções para um período histórico que é abordado em filmes quase que anualmente, como se não houvesse outras histórias negras a serem contadas.

 

 

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Autor

Rafael

Um hiperativo que não sabe viver sem ler, escrever, ouvir música, ver séries e filmes, geralmente tudo ao mesmo tempo. Fã de ficção científica, suspense, Stephen King e histórias em quadrinhos.

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