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Cine Panela – Minari – Minari: Em Busca da Felicidade

“É melhor quando podemos ver”.

E cá estamos nós em mais uma maratona para o Oscar. O mundo não é mais o mesmo, e o ano que se passou foi, sem dúvidas, um dos mais difíceis de toda nossas vidas, seja coletivamente ou individualmente. E toda esse caos global, logicamente, acabou por afetar a industria do audiovisual, como era de se esperar. Hollywood esteve paralisada por muito tempo, a grande maioria dos filmes previsto para estrearem em 2020 foram adiados, afinal, além das gravações suspensas, os cinemas estiveram fechados, muitos até quebraram.

Toda a nossa rotina foi chacoalhada, mas para mim, um dos poucos refúgios que encontrei foi no cinema. Passei incontáveis horas assistindo tudo o que pude, mas diferente de anos anteriores, neste eu tentei ao máximo fugir de filmes reais demais. Digo isso, pois, “Minari” foi o primeiro filme dolorosamente real que eu assisti, e com toda a minha nova bagagem emocional, todas as nuances dessa história me tocaram de maneira diferente do que seria em um mundo “normal”.

Acho que esse período me tornou mais empática e, definitivamente, mais em contato com as dores mundanas. E “Minari”, com toda sua sutileza, me mostrou como a vida está na arte, assim como a arte está na vida.

Esta obra escrita e dirigida por Lee Isaac Chung conta a história de uma simples família imigrante da Coreia do Sul que se muda da Califórnia, para o interior do Arkansas. Inspirada pela própria vida de Lee, nós acompanhas essa história como se estivéssemos inseridos dentro dela. Por boa parte do filme, de forma indireta, nós enxergamos pela ótica de David, o filho mais novo da família.

Cada personagem tem sua particularidade, e de maneira muito humana, somos capazes de sentir identificação com cada um. É algo tão despretensioso, mas ao mesmo tempo, bem bolado. É palpável demais a verdade imposta em cada membro da família Yi.

O grande trunfo de “Minari”, sem dúvidas, é a sua singeleza. Não absolutamente nenhum plot mirabolante aqui, ficamos apenas frente a frente com a realidade de uma história pautada na rotina. É difícil demais conduzir um filme assim, sem soar monótono ou maçante. Mas esse roteiro se mantém por si só, com toda a sua verdade.

Existem várias coisas não ditas que ficam explícitas em tela pelo simples comportamento de cada personagem. Por exemplo, não precisamos de flashback nenhum, para entendermos os traumas e fugas da avó da família. A sua forma de agir nos conta nas entrelinhas a vida difícil que essa senhora teve.

Inclusive, uma das melhores escaladas do filme é, sem dúvidas, o relacionamento de David com sua avó. De início, o menino faz questão de deixar claro o quanto fica incomodado com a personalidade de sua avó, mas aos poucos, eles vão traçando um vínculo cada vez mais estreito. Há uma frase se Sonja que nos antecede essa aproximação, logo quando chega para morar com os Yi, ela diz: “então é esse que você diz que se parece comigo?”.

E sim, eles são muito parecidos, ao mesmo tempo que são imensamente diferentes. A princípio, além do choque de gerações, nos acompanhamos um coque de culturas entre os dois. David até fala coreano, mas ele é um garoto coreano crescendo no ocidente, enquanto Sonja, é uma senhora que viveu todas as mazelas de uma guerra oriental.

Assim que chega, Sonja traz consigo diversas especiarias coreanas, mas o ato mais símbolico – e que dá nome ao filme – é quando a senhora leva seu neto para plantar minari à beira de um pequeno riacho. É nesta cena que a avó ao ver o neto jogar uma pedra numa cobra que passava, explica para David que os problemas mais avassaladores são aqueles que chegam sem avisar, e é melhor termos lidar com aqueles que temos em vista.

Pra mim, essa foi a maior cena do filme. De cara, você imagina que em algum momento do filme um dos dois irá acabar picado por uma cobra ou alguma coisa assim. Mas como “Minari” foge de toda e qualquer obviedade, essa não é a real premonição da cena. Mas entendemos isso apenas alguns minutos após.

David, que sofre de sopro no coração, certa noite, conta para Sonja que tem medo de morrer, e ela com toda a sua sabedoria conforta a criança. E é no raiar do dia que somos surpreendidos pelo derrame da avó. Ela costumava brincar com David sobre sua dificuldade de conter a urina durante o sono, mas nesta manhã David percebe que há algo errado com sua avó quando ela está deitada com seu colchão molhado.

Desse momento em diante, as coisas ficam mais difíceis para os Yi. Mas é com muita sutileza que a história continua se desenrolar, trazendo sempre verdade consigo. Aos passos que o casamento de Jacob e Monica se estremece com as adversidades da família morando no meio do nada, David e Sonja se tornam mais próximos.

Por fim, é válido dizer que “Minari” não é grandioso por contar uma grande história. Ele se destaca apenas por ser identificável. As dificuldades pelas quais os personagens passam são exatamente a realidade de muitas pessoas, e Lee faz questão de fazer tudo da maneira mais simples possível.

Sem twists, sem uma grande mensagem por trás, “Minari” é simplesmente uma metáfora à vida de verdade. A planta que cresce em qualquer solo, no meio das adversidades, que alimenta do pobre ao rico e têm mil e uma funcionalidades, é todo o amago da história.

O filme acaba da maneira que começou, em um recomeço. E a vida é assim, eternos recomeços. Nem sempre as coisas estarão bem, mas também, nem sempre estarão ruins. Tudo passa, tudo vem e vai, e nos cabe apenas ajustar.

Lógico que roteiro não é o único destaque de “Minari”, além disso, somos apresentados à uma fotografia belíssima e, também, atuações muito apuradas. Mas não há como negar a beleza desse roteiro, não há como não admitir que este é, de fato, o principal fator que pode levar o longa de Lee Isaac de encontro à estatueta dourada do Oscar este ano.

“Minari” está previsto para estrear oficialmente no dia 22/04 no Brasil, não sei se chegará aos cinemas. É uma pena, pois seria um filme que eu pagaria ingressos para assistir com muito gosto, em uma situação “normal”.

Mas enfim, eu não acho que “Minari” irá conseguir desbancar “Nomadland”, mas se acontecesse, seria uma grata surpresa!

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Autor

Luana

Sinceramente, não sei mais há quanto tempo estou nesse site? Mas olha, faz um bom tempo! HAHA. Atualmente cuido mais de reviews de realities musicais, mas também faço meus corres nos seriados, porque a vida é isso aí! Tenho 24 anos, sou formada em rádio/tv/internet, e nas horas vagas vocês me encontram por aqui! ;)

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