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Cine Panela: O Irlândes – The Irishman

Uma homenagem a um tipo de cinema que parece não existir mais.

Quando Martin Scorsese anunciou que estava produzindo um filme de gangster tendo Robert DeNiro e Al Pacino como protagonistas, grandes expectativas foram geradas. Afinal, gangster foi um gênero muito popular na década de 70 e 80, nos proporcionando grandes clássicos, como o Poderoso Chefão (máfia, mas ok), e Scarface. O último grande filme do gênero foi feito pelo próprio Scorecese, Os Bons Companheiros, há vinte anos atrás. Então The Irishman vem como uma boa revisita aos que estão saudosistas desse tipo de cinema.

Pode-se dizer que The Irishman veio para matar a sede dos fãs de gangster. A começar pela sua maciça duração (3h30min!!!). Por aí já dá para ver que o filme vem direto de outra época. Hoje em dia, com a Netflix e Marvel, as pessoas não tem mais paciência para ver um filme tão longo. Algo que era sinônimo de qualidade há décadas atrás, a exemplo do já citado O Poderoso Chefão, O Vento Levou e Era uma Vez no Oeste, cada uma com mais de três horas. A longa duração pode incomodar alguns, mas a verdade é, alguns filmes são feitos para serem longos. Há todo uma trajetória para ser contada, uma jornada que não pode ser resumida em meras duas horas.

O elenco todo é formado por donos já consagrados do gênero. Joe Pepsi e Al Pacino são os que mais brilham em minha opinião. O personagem de Pacino é aquele badass, que não mede palavras com ninguém, e vai soltando frases marcantes e momentos engraçados por todo o filme. A exemplo da cena do jantar com o latino. Icônica! De Niro como principal está comedido e soou meio apático durante a trama. Poderia ter sido feito mais com o personagem em questão de atuação. Em certos momentos seu rosto não demonstra emoções complexas exigidas pela trama.

O plot é o feijão com arroz do gênero. Tramas que já vimos antes, mas que amamos mesmo assim. Vemos a ascensão de um operário para o mundo do crime e violência. Sua relação com família e filha (oi o Poderoso Chefão 3 e Sopranos) são um dos quotes principais, assim como o dilema da lealdade x matar um grande querido (Eu sei que foi você Fredo). Não deixando de ser menos impactantes e dramáticas por isso. A cena em que De Niro descobre uma de suas últimas tarefas até o desfecho é agoniante. Só quem viveu sabe.

Alguns dos incômodos do filme podem ser em questão de previsibilidade. O plot principal com o político já era esperado por mim. Porém, mesmo sabendo o desfecho, não deixou de ser menos triste, impactante e sufocante. Algo que realmente me incomoda no estilo de Scorcese é a utilização de flashbacks (eu odeio o Lobo de Wall Street com todas as minhas forças). Não sou fã do recurso, e apoio seu uso até certo ponto. Aqui me deu uma vertigem no tanto de idas e vindas.

Nada que estrague o filme ou seu final, que é maravilhoso e faz uma interessante analogia de como esse tipo de filme está ficando velho e ultrapassado. Perdido no tempo. Talvez seja a última vez que vemos Pacino, De Niro, Pepsi e Scorcese juntos numa produção desse tipo. The Irishman é uma homenagem a um gênero que parece não existir mais e vem como uma despedida aos velhos tipos de filme de máfia como conhecemos. Nós precisávamos desse adeus.

 

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Autor

Roz

Engenheiro por formação, escritor wannabe por obrigação. Nem exatas, nem humanas, renascentista. Reinventando-se. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. De Pepita a Bowie. De 80s cheese a Sopranos.

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