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Cine Panela: O Som do Silêncio – The Sound Of Metal

O aconchego de ouvir a si mesmo!

“Sound Of Metal” (O Som do Silêncio), foi uma das melhores surpresas cinematográficas que tive em muito tempo. Eu confesso que os nomes indicados a melhor filme esse ano não me instigaram tanto, mas esse em questão me deixou com a sensação de que eu precisava assistir e já adianto: faz jus a indicação, e muito.

O longa conta a história de Ruben Stone, um baterista de uma banda de rock/punk na qual sua namorada é vocalista. Sua vida na música e principalmente ao lado de sua companheira, Lou, o salvou do vício em drogas e desde o início do relacionamento ele se mantém sóbrio. Mas esse cenário muda quando ele começa a perder sua audição, o que torna-se um dos maiores motivos do desespero de Ruben: o que fazer quando se perde aquilo que o mantém são?

Esse não é o primeiro filme em que o silêncio se faz protagonista, mas eu particularmente nunca tive uma experiência sonora como essa. O início do filme com a música alta e “violenta” já começa colocando quem está assistindo no lugar do protagonista. Acompanhamos o som se esvaindo e se perdendo, de uma música alta até um misturado de sons e zumbidos. O contraste que é estabelecido entre o que Ruben escuta e o que as outras pessoas escutam é tão bem feito que chega a ser estranho, incomoda.

A experiência de Stone na comunidade surda foi passageira, mas intensa e de muito aprendizado, não só para ele. Quando um filme se propõe a tratar de um assunto que já foi abordado de maneiras diferentes, alguma coisa precisa ser original, trazer algo jamais visto. E aqui a experiência é de acompanhar o dia a dia de uma pessoa que determinada circunstância a colocou em uma situação difícil, mas que não a impediu de viver. Não é um filme sobre a surdez enquanto fim de uma vida, é como o começo de uma nova, e essa é a jornada de Ruben.

Quando ele decidiu fazer a cirurgia eu fiquei pensando em mil coisas que poderiam acontecer. Será que não vai dar certo, ele vai continuar sem ouvir e fazer alguma besteira consigo mesmo? Mas dessas milhares de coisas, o desfecho foi muito além do que eu pensava. O diálogo de Joe e Stone quando falam do quartinho e do aconchego que o silêncio traz, me fez pensar em muitas coisas. Não se trata sobre preferir não escutar, mas sim de não gastar forças tentando reverter uma situação, enquanto se pode seguir em frente. No final, ele tirando os aparelhos e optando pelo silêncio, foi um tapa para mim. Mas, às vezes é melhor pensar no que vem depois, do que continuar vivendo no passado. E o som do silêncio é bem mais do que a solidão, é encontrar a melodia de si mesmo.

O filme encontra-se disponível no Amazon Prime Video!

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Erik Lacerda

Paulista, 17 anos, não bebo mas rola um cantinho do vale de vez em quando (ou é cantina? não sei). Amo comentar sobre tudo o que assisto porém nenhum amigo meu tem paciência pra me ouvir falando besteira sobre GOT, Grey's e How I met Your mother, por isso estou aqui.

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