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Cine Panela: Vice

“No que nós acreditamos?”.

Já gostaria de começar dizendo que dos filmes que vi para minha maratona do Oscar, “Vice” foi o melhor, ou pelo menos, o meu preferido. Infelizmente, não consegui assistir “Green Book” (e que parece ser muito bom), mas acho que ainda assim fecharia com “Vice” no topo.

Uma das coisas que mais me chamaram atenção aqui foi a montagem do filme. O sarcasmo está presente em todos os momentos, é realmente uma obra muito cínica e aberta quanto à isso. No entanto, o melhor recurso utilizado aqui, ao meu ver, foram as imagens de arquivo encaixadas perfeitamente nos momentos de narração.

Algo bastante único e inusitado para um “filme de Oscar”. Em alguns momentos, até “memes” famosos são veiculados, como as meninas “fritando” na rave. E eu realmente achei uma sacada genial.

Eu não curti muito “The Big Short”, e apesar de sentir a mesma energia aqui, acho que Adam McKay conseguiu aprimorar mais seus sentidos para ditar o ritmo de “Vice”. Quando o filme “acaba” no meio, você realmente fica intrigado com o que virá a seguir.

A forma como a história é contada é extremamente didática, mas sem cansar o espectador. Especialmente para nós, estrangeiros, entrar e compreender o cenário político americano pode ser complexo. E por mais que o foco seja o vice presidente Dick Cheney e sua “silenciosa” subida ao poder, você se envolve diretamente com os personagens secundários.

Amy Adams, mais uma vez, entrega um trabalho primoroso. Como fica exposto na história, Lynne Cheney sempre foi extremamente ativa e participativa na vida política de Dick. Amy consegue emular perfeitamente essa esposa que, de certa forma, “usa” seu marido para atingir seus objetivos ambiciosos. E que se recusa veemente a ser posta apenas como figura simbólica. Por mais que Lynne seja uma figura republicana e conservadora, ela se apresenta aqui como uma mulher determinada a deixar sua marca e assegurar sua presença na história.

Outro ponto que colocou “Vice” por cima, na minha opinião, foi a forma despretensiosa, e até “lúdica”, que os fatos “reais” foram tratados. Entre tantas ótimas cenas, a que mais se destacou e que me fez pensar “nossa, eu tô assistindo algo que com certeza será um clássico daqui alguns anos” foi a cena do diálogo entre Lynne e Dick quando ele revela que irá “ajudar” George W. Bush a encontrar um vice.

Esse diálogo poderia ter sido encerrado após a narração dizer que não iria “dramatizá-lo” como uma obra de Shakespeare. No entanto, a decisão de fazer exatamente isso em sequência foi, provavelmente, um dos maiores acertos em questão de roteiro que eu assisti nos últimos tempos.

A química e sincronia em câmera entre Amy Adams e Christian Bale simplesmente transbordaram nessa sequência. Eles tiveram uma boa dinâmica durante todo o filme, mas essa cena em especial mostrou com louvor o que acontece quando você junta duas lendas.

E bem, eu rodei e rodei, falei dos tantos pontos maravilhosos que eu pude apreciar aqui. Mas quis guardar o ápice desta obra para o final, obviamente. E na verdade mesmo, são duas coisas que se sobressem.

Primeiramente, caracterização dos personagens. Eu nem preciso dizer muita coisa aqui, porque basta você assistir 30 minutos de “Vice” para entender. Christian Bale está praticamente irreconhecível. Sam Rockwell está a cara do George W. Bush, Amy e Steve igualmente. Como dizem por aí, uma imagem fala mais do que mil palavras.

E agora enfim, Christian Bale. Gente, que atuação foi essa? Ele conseguiu incorporar todos os trejeitos do Dick Cheney, desde os vícios de linguagem, até a forma pacata e contida de se expressar. E tudo isso, sem sair da atmosfera proposta por Adam McKay, toda a pegado do “bote silencioso”. O ataque planejado por anos, o jogo de xadrez que se desenrolou por toda uma vida, com paciência e astucia.

Todo mundo já percebeu que ele é um dos favoritos a levar a estatueta de melhor ator, e embora Rami tenha também se entregado de corpo e alma ao seu papel, eu realmente acho que Bale executa com mais primor a sua jornada.

E não digo isso apenas motivada pelo o que assisti em tela. Toda a preparação para o personagem do Bale foi bastante intensa. Ele precisou ganhar bastante peso e se jogou de corpo e alma no desafio. Ele estudou o seu pretendido e incorporou perfeitamente uma figura real e humana.

“Vice” não tentou em nenhum momento romantizar a vida e trajetória de Dick Cheney, de fato, foi levado quase como seria caso fosse uma teoria do Reddit. Christian Bale não precisou criar um personagem baseado em uma pessoa real, ele simplesmente viveu como uma pessoa real em uma situação fictícia, se é que isso faz sentido. E ao meu ver, esse é o grande diferencial para esse prêmio.

Eu não acho que ele irá levar, mas depois de completar essa maratona, eu vou com certeza poder dizer que foi injustiçado. Mas, espero ser surpreendida, hein Academia.

“Vice” deve levar edição e maquiagem amanhã. Mas já deixo aqui minha torcida ao Christian Bale! P.S.: Amy Adams rainha, porém Regina King vai levar merecidamente.

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Luana Medeiros

Imagine só que um dia me foi perguntado quem eu era, e juro, até hoje não sei responder. Mas os fatos são: tenho 21 anos; sou de escorpião; amo meu cachorro e meu gato mais que tudo; estudo Rádio/TV/Internet, ouço Maroon 5; piro no Adam Levine; consigo colocar os pés atrás da cabeça; e - contraditoriamente - por fim, nasci de 7 meses.

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