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Cruel Summer – Season 1 – É uma série que te surpreende do início ao fim.

Quem está dizendo a verdade?

Nessa sexta feira (06) foi lançada a nova série de suspense através da plataforma de streaming Prime Video, a premissa é simples, gira ao redor de duas jovens: Kate Wallis e Jeanette Turner, durante os anos de 1993, 1994 e 1995. Kate é a garota mais popular de sua escola no Texas, até que ela some inesperadamente. Por sua vez, Jeanette é uma menina nerd que acaba conquistando a vida que sempre sonhou na ausência de sua ídola, incluindo seus amigos, seu namorado e seu status, mas quando o desaparecimento da loira é desvendado, ela se torna a pessoa mais odiada do país. A história parece ser um pouco clichê e de fato sua premissa é, mas é só embarcamos no primeiro episódio que passamos a ver algo que nunca vimos antes. A linha do tempo adotada, a direção e fotografia, os atores e um roteiro competente do início ao fim, apresentam uma trama coesa, com reviravoltas e um final satisfatório.

A série começa já surpreendendo na estrutura, visto que a história é contada de forma não linear, passeando entre os verões de 1993, 1994 e 1995. Assim, Cruel Summer entrega logo de início um desenvolvimentos de trama e personagens que normalmente são guardados para o final, evidenciando o talento e confiança dos roteiristas no seu trabalho, garantindo mistério e segredos desde os primeiros minutos. A série se utiliza muito bem de fotografia e caracterizações dos personagens para percebermos em qual ano estamos, 1993 possui uma coloração bem colorida, não só na fotografia quanto também nas roupas dos personagens, todos ele sempre estão usando roupas de cores claras e presente, passando uma sensação de inocência para o telespectador e para os personagens. A maioria dos problemas é apresentado já nessa época, mas as cores são usadas para representar a inocência dos personagens, que até aqui estavam intactas.

1994 é ano em que o que aconteceu com a Kate foi solucionado e a coloração passa adotar tons mais amarelos e cinzas, causando a sempre a sensação de desconforto, insegurança, algo que todos os personagens estão passando, principalmente as nossas protagonistas. Algo que me surpreendeu muito e foi o que me conquistou logo de cara foi a quebra de expectativa ao já no primeiro episódio mostrar que a Kate está viva e já dar a resposta de onde ela estava, a série não se tratava de um mistério de desaparecimento, mas sim de quem está falando a verdade. A coloração em 1995 foi a que mais me incomodou, era um uso muito exagerado de contraste e basicamente as únicas cores eram azul, preto e branco, passando a sensação de solidão e desespero que as protagonistas estão passando. O ano final era o menos interessante, pois ele se passa basicamente durante o processo de indenização e tem foco na amizade entre a Kate e a Mallory, e nas consequências para cima da Jeanette.

A atriz Chiara Aurelia já vinha atraindo alguns olhares a um tempo por ser muito talentosa desde pequena (inclusive a atriz é quem faz aquela bully que atormentava a Max em rua do medo: 1976), mas agora em um papel principal para chamar de seu, ela conseguiu mostrar o porquê de ser considerada um provável nome para uma atriz em ascensão. A Jeanette sem dúvidas era a personagem mais difícil presente, já que ela possuía quase uma personalidade completamente diferente em cada ano, mas a Chiara conseguiu mostrar toda a dualidade da personagem de maneira excelente, mesmo com o roteiro deixando claro que a personagem não é alguém confiável, eu me vi torcendo por ela involuntariamente. Já Olivia Holt é uma ex act Disney e já podemos dizer que ela escolheu o projeto certo para começar a desvencilhar sua imagem. Ela é uma atriz boa e fez um bom papel, seu único problema é que ela dividia o protagonismo com um monstro na atuação, era engolida em todas as cenas.

Mas a melhor coisa da série é a competência do diretor e do time da pós produção, algo que eles utilizam frequentemente e muito bem feito são as transições de um ano para o outro, na maioria dos casos era um personagem fazendo algo e cortava para ele fazendo a mesma coisa em um outro ano e gostaria de destacar a transição que eles fazem durante os fogos de 4 de julho, a cada fogos, intercalava para uma versão da Jeanette vendo e também para sequência que mostra a rotina da limpeza bocal da Jeanette e da Kate ao longo dos anos, pequenas cenas assim são o que transformam a série em uma obra prima.

Uma das novelas mais icônicas da globo era a novela “A Favorita”, ela contava a história de duas mulheres vividas pela Patrícia Pilar e Claudia Raia, cada uma acusava a outra de ter matado o amado que elas tinham em comum e o público passou grande parte do tempo tentando desvendar quem estava dizendo a a verdade. Cruel Summer possui uma narrativa muito similar, Kate acusa Jeanette de saber onde ela estava e Jeanette diz que ela está mentindo, restando apenas ao telespectador decidir em quem acreditar. Por vemos o quanto aquilo tudo acabou com a família da ex nerd, é natural se tomar o lado dela, mas o episódio final entrega o que de fato aconteceu e foi muito satisfatório. A série conseguiu apresentar uma solução onde nenhuma das duas estava mentindo, mas a série deixa explícito que Jeanette é a mocinha e que Kate é uma grande mentirosa, já que mesmo que a Jeanette a tivesse visto, ela poderia pensar a mesma coisa que a Mallory pensou, ela acusou a outra apenas por vingança. Se a série tivesse terminado com toda a “verdade” sendo revelada, teria sido um pouco decepcionante, pois seria um final muito feliz, mas a entrevista da Jeanette mais a última cena mostraram que os roteiristas não utilizaram de cenas de duplo sentindo só para enganar o público e nem que a perfeita atuação da Chiara eram atoa, sim, Jeanette Turner sabia de tudo e é capaz de qualquer coisa para se manter popular.

Outras informações:

  • A trilha sonora dessa série é algo de outro mundo, hino atrás de hino.
  • A atriz que faz a Angela, namorada do pai da Jeanette, é a Vanessa de “Eu, a patroa e as crianças”.
  • Rajah O’Hara é a única winner possível de Rupaul’s Drag Race, que participação especial maravilhosa.
  • Que delícia é ver a Sarah Drew em ação, a série ganharia muito se tivessem investido mais nos embates passivo agressivo entre sua personagem e a Joy
  • A personagem Mallory é o maior da série, que personagem insuportável.
  • Desnecessário o cabelo dela ser ondulado quando nerd e liso popular.
  • Não há necessidade de haver uma segunda temporada, mas a série foi renovada.

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Autor

Ives

Um carioca estudante de engenharia querendo se formar, viciado em realitys shows ao redor do mundo e que ama uma praia

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