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Dear White People – S01E02 – Chapter II

Não, não somos todos iguais!

Depois de um incrível primeiro episódio, como eu não vejo há tempo em séries atuais, Dear White People me entrega um segundo episódio ainda mais interessante e até mesmo intrigante.

Uma coisa que eu definitivamente não esperava era que a série fosse usar esse formato meio Skins em contar sobre a narrativa de um personagem em cada episódio e não para por aí, ela ainda usa uma forma de edição em intercala os momentos entre os personagens, onde as histórias acontecem simultaneamente, como a série brasileira Justiça fez em 2016 e que, particularmente, acho fantástico.

Se no primeiro episódio fomos apresentados a Sam, uma garota negra, determinada e com forte opinião, dessa vez estamos com Lionel, com uma personalidade bem diferente da sua sister. Lionel é um garoto tímido, medroso e inteligente, e não é atoa que ele seja também gay, sua personalidade acaba estando extremamente ligada a isso. Se o conceito de masculinidade é presenta na sociedade e extremamente preocupante para homens, para homens negros isso é ainda mais forte, pensem comigo, se mulheres negras são pressionadas a serem mais fortes que mulheres brancas, imaginem o que acontece com um homem negro. Dito isso, um homem negro que não se vê naquele conceito imposto socialmente do que é um homem ideal, ele se fecha e a timidez aparece, o medo da própria sexualidade está presente com Lionel e não é atoa que ouvimos tantas frases homofóbicas no começo do episódio ditas pelos homens negros e héteros da série, se vivemos num ambiente machista e racista, também vivemos num ambiente homofóbico e Lionel está posto aqui para vermos as inseguranças de um homem gay negro que vive nos EUA, mas não difere muito dos gays negros ao redor do mundo.

Lionel também é estudante de jornalismo e estagia numa imprensa com um chefe mexicano, gay, ativo- versátil viciado em rótulos, eu confesso que morri de rir com o chefe dele, acontece que o tal carinha o chama pra uma festa com as pessoas de teatro, que por coincidência, ou não, são os liberais e onde se concentra uma boa quantidade de LGBT’s do campus. Lionel vai até essa festinha acaba conhecendo um cara gay que usa a amiga para conseguir ficar com meninos, eu fiquei horrorizado com a realidade da situação, por incrível e estranho que pareça, isso não é nada incomum, Lionel joga umas verdades na cara dos dois e vai até o escritório, em que seu chefe tinha descoberto um furo sobre Sam, isso tudo deixa Lionel num conflito entre expor sua “amiga” e ganhar créditos no emprego ou contar tudo a amiga e não colocar negros em uma posição constrangedora, já que expor um conteúdo desses poderia tirar toda credibilidade da Sam. Bom, ele fez o certo, na minha opinião, contou tudo a Sam e ela ainda disse que gostava muito dele, tem como não gostar?

Outro ponto muito importante nesse episódio é a relação entre Lionel e Troy, seu colega de quarto hétero, que é também por quem ele está apaixonado. Quero fazer uma pergunta a minhas manas gays que leem esse post, quem nunca? Não é mesmo?! haha, interessante é ver que ele parece notar que Troy é só uma fantasia que ele tem e que é impossível de acontecer, afinal ele se arriscou indo a festa e beijou outras bocas, não me parece um amor platônico, mas ainda assim pode se tornar uma problemática maior no decorrer dos episódios. Ainda assim Troy parece ser um bom amigo, reagiu super bem quando soube da sexualidade de Lionel e eu prefiro eles como amigos, que como um romance, mas não vou julgar Lionel, é impossível não se apaixonar por um homão desses, né! Ah, esse episódio também foi perfeito para eu descobrir que não posso reunir a família na sala e dizer para eles “Vamos aprender um pouquinho!” Tem umas cenas beeem hot e até mesmo nudez, não vou mentir, adoro!

Por hora é isso, estou ansioso para ver mais sobre Lionel e ele já é um dos meus personagens favoritos. Sei que ainda é o segundo episódio, mas a forma como a serie está caminhando me agrada muito, da fotografia, a edição, construção de personagens, atuações e roteiro. Além de claro ser um tema extremamente necessário, Dear White People não vem para ofender ninguém, mas para percebemos o sistema racista estrutural que nossa sociedade está imposta e como isso é amplo e doloroso para a comunidade negra, a forma que a série põe personagens com ideologias e vivencias tão diferentes dentre da própria comunidade negra, é necessário, para que a gente perceba que até mesmo enquanto grupo social oprimido, somos diferentes e é bom ser diferente. E claro, a forma que o humor está posto na série é perfeito, pois faz a gente dar boas risadas, mas não torna tudo aquilo uma grande bobagem, precisamos pensar e falar sobre racismo, afinal ele mata!

É isso, brothers and Sisters pretos e Dear White People, eu imploro, entendam a mensagem da série.

Beijão

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Autor

Andy

20 anos, pernambucano da peste, estudante de Radio, TV e Internet da UFPB. Sagitariano com asc e vênus em aquario, lua em câncer! Signo importa sim! Amante e consumidor massivo de cultura pop, além de problematizadora. Amém Rihanna, amém Katy Perry! Bjxxx de luxx

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