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Dear White People – S02E01 – Chapter I [Season Premiere]

Prontos para debater privilégios?

Uma das melhores estreias do ano passado, que infelizmente não teve a repercussão que merecia, está de volta para sua segunda temporada: Dear White People. A série continua rápida e afiada nos diálogos, cheia de referencias pop e tratando temas relacionados ao racismo, que tanto precisam ser debatidos. A exceção de Atlanta, não conheço outra série atual que sirva tanto de plataforma aberta a discutir temas primordialmente importantes a comunidade negra. Ponto para DWP.

O ep faz bem seu papel de mostrar que os mesmos ingredientes que amamos no debut continuam aqui, além de apresentar o palco para futuras histórias. O que na season 1 parecia ser uma guerra interna entre os próprios negros do campus para decidir por quais vitorias almejar (aquele ditado, se não houvessem oprimidos entres os opressores, estes não seriam tão fortes), um conflito natural no ativismo, mesmo Malcom X e Luther King não se falavam, nessa temporada, parece que o inimigo virá de fora. Os negros estão acordados de sua condição, e no maior estilo Cantona chute no facista, Troy já mandou avisar que rebeldia foi a melhor atitude que tomou. Agora os brancos que estão atacando com força maior.

Como na outra première, tivemos o foco em Sam. Seu penteado no hair estava deslumbrante! Que mulher linda, que ícone fashion. Quanto a sua trama, tivemos duas assuntos importantes tratados:

– Hate de ataques na net: As redes sócias deram voz a uma legião de imbecis. Pior: nunca fica só no argumento, a certo momento (quando não no começo), se parte para o ataque pessoal, vai para ameaças, e pode acabar com violência, perseguição. Quem se expõe demais a luta da causa, acaba exposto, essa é a verdade. Mulheres negras estão ainda mais propensas a esse ódio gratuito. Basta ver nos realitys (RuPauls estou olhando para você). Ou mesmo na realidade: Marielle presente.

Tenho a impressão que o perfil anônimo Direita-ITA-Branco ainda irá se revelar.

– Militância de facebook: Sam passou o ep todo numa crise existencial. Maior bad, ouvindo sinfonias fúnebres, calada, sem fazer barulho. Quando resolveu fazer algo, foi pegar treta na net com um perfil fake, o que não levaria a nada. Com gente ignorante não se discute. É perda de tempo, você não vai convencê-lo. Tem que haver o mínimo de racionalidade de ambas as partes para se debater: discutir com alguém que afirma não existir racismo, é o mesmo que discutir com alguém que diz “a gravidade não existe.” Só gasta energia psíquica e deixa com raiva. Se poupe.

Militância de facebook, textão, memes, são importantes sim. Porém, não dá para ficar só nisso. Há atitudes mais práticas que podemos ter, com efeito mais direto sobre a atual fase conservadora retrógrada que passamos. Ciranda e beijaço não contam. Mais para protestos e boicote, até a derrubada da Bastilha.

Apesar de entender de onde esse medo vêm, estou feliz por não terem durado muito nessa crise. Para essa temporada, gostaria de uma Sam menos “essa sou e vacilando com os outros” para uma mais segura firme bitch real. Sam não é das personagens mais queridas da série, e para mudar essa imagem não precisa de muito, basta parar com os dramas e indecisões dela.

O discurso dos três privilegiados na rádio doeu de ouvir, tendo todo tipo de asneira que só uma pessoa totalmente cega da realidade, sem qualquer senso de história, sociedade e empatia pode proferir. Bem bolsominion.

No mais, esse ep passou bem rápido e trouxe de volta tudo que nos fez amar a primeira temporada. Deixou bastante ansioso por essa e pelos capítulos que virão. Principalmente ep de Joelle e Lionel. Pisem menos.

P.S.1: Propaganda e doc são gêneros diferentes, e existem SIM documentários sem inclinação ideológica. A exemplo de Selma, filme sobre a famosa marcha de Luther King pelo direito dos negros, com 100% de cenas verídicas, dirigido por Ava DuVernay, negra e ativista. Errou feio a série. Jogou uma referencia-deboche ao sucesso dos 13 Porquês, mas esqueceu dessa perola, que inclusive tem na Netflix.

P.S.2: Sam comentou a inclinação do documentário “Porque lutamos”, mas esqueceu da própria limitação da série nesse sentido, que só trata a realidade de negros universitários deixando uma grande maioria representativa e marginalizada de fora.

P.S.3: Pelo visto a série continuara sem reconhecimento. Novamente, mal houve divulgação para essa nova season, diferente das outras queridinhas da Netflix.

 

 

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Autor

Roz

Engenheiro por formação, escritor wannabe por obrigação. Nem exatas, nem humanas, renascentista. Reinventando-se. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. De Pepita a Bowie. De 80s cheese a Sopranos.

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