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Defending Jacob – Season 1 – Até onde um pai vai para salvar seu filho?

O promotor Andy Barber acreditava ter uma família perfeita, até que, ao investigar o assassinato de um garoto de 14 anos , um novo fato põe por terra a fachada de normalidade de sua vida: Jacob, seu filho e colega de classe da vítima, é um dos suspeitos do crime. Enquanto tenta descobrir se Jacob é inocente, Andy precisa encarar segredos do passado e tentar preservar seu casamento.

A nova aposta da plataforma de streaming da Apple, o Apple TV+, foi lançada no dia 24 de abril. A minissérie é uma adaptação do mesmo nome do best seller “Em defesa de Jacob”. Assim que foi aprovada, já foi anunciado como protagonista, o consagrado ator Chris Evans. Um pouco depois Michelle Dockery e Jaeden Martell forma confirmados como os parceiros de elenco.

Seguindo o padrão de sua plataforma, foram lançados os três primeiros episódios de uma vez e depois um por semana. Por se tratar de uma minissérie com 8 episódios, é comum de ser esperar algo com muita ação e nenhum tipo de enrolação e é assim, mas não da maneira esperada.

Fica bastante evidente que o Mark Bomback, criador e escritor da série, tinha uma ideia sólida em sua mente. Durante todo o primeiro episódio se trata apenas do assassinato, onde não há suspeitos inicialmente. Por Andy ser o promotor do caso e seu filho ser ex colega de classe, acompanhamos o dia a dia dessa família até então comum. Pode parecer bobo inicialmente, mas até os diálogos mais simples como o filho perguntando onde está o cereal e a resposta contínua de sua mãe vai nos introduzindo de maneira sutil dentro daquela família e seu cotidiano mais comum possível.

Conforme o caminhar da história, vamos vendo aos poucos indícios de que Jacob não é tão inocente quanto diz ser, vai desde uma postura completamente leve no dia do crime [posteriormente ficamos sabendo que ele havia se encontrado com a vítima já morta] e sua indiferença ao ser perguntado como se sentia em ter um colega assassinado.

Já foi televisionado diversas vezes histórias sobre famílias tentando provar a inocência dos seus entes queridos, a diferença aqui é forma crua que nos é mostrado cada fase que a família passa, indo da descrença ao desespero, episódio pós episódio. Por focar tanto no modo como os pais lidam com tudo aquilo, o assassinato em si é quase algo secundário e aqui trás a diferença da série, é uma história batida, mas de uma perspectiva diferente.

Já é como em séries como Law Order e outras policiais vermos pais se recusando a acreditar que seu filho não é quem eles esperavam, mas em séries assim, nós vemos e entendemos a perspectiva dos detetives, mudar o foco traz um sentimento completamente diferente, pois queremos tanto quanto os pais que o menino seja inocente.

É comum já sabermos se o acusado é inocente ou não para trazer a compaixão por aqueles que sofrem injustamente ou festejar com o seu sofrimento, mas mais uma vez em defesa de Jacob segue um caminho diferente. Há realmente diversas provas contra o menino, mas nenhuma que realmente confirme de fato que foi ele e junta-se a possibilidade levantada tão desesperada por seu pai de que um pedófilo que morava nas redondezas deveria ser o principal suspeito e não seu filho, que passamos a comprar essa teoria e me vi agarrando aos menores indícios de inocência do Jacob e tentando ignorar todas as provas concretas e reações do personagem que o incriminava assim como seus pais.

Apesar de ser novo, Jaeden Martell já havia provado ser um grande nome em sua estreia com It: a coisa e aqui ele entrega uma atuação ainda mais potente. Como dito antes, diferente das outras crianças, Jacob havia se mostrado um pouco insensível ao crime, mas a partir das provas contra si, ele passa o tempo todo se dizendo inocente, mesmo tendo bastante furos na sua história sobre como sua digital foi parar no corpo e atitude bastantes sarcásticas para alguém que provavelmente será preso. O ator consegue entregar um olhar vago e as vezes até mesmo sonso, sendo necessário para trazer a dualidade de caráter, as vezes era um menino amedrontado que só queria ir para casa e outras vezes tão frio ao ponto de chamar sua única amiga de vadia ou fazer uma montagem de si mesmo como um serial killer, nos deixando em dúvida durante esses oito episódios sobre sua inocência.

A cena do interrogatória foi bastante incômoda de assistir, além do trabalho incrível do diretor com a câmera e não ter som algum de fundo trazendo a sensação de abandono, Jaeden conseguiu ali entregar sua melhor atuação desde a estreia, chegava a ser palpável seu desconforto. Todas as respostas confusas e cheias de furo e a linguagem corporal do ator não nos deixava ter certeza de absolutamente nada, mais uma vez a dúvida permanecia presente.

Sendo um dos produtores, já estava óbvio a escolha de Chris Evans como protagonista. O ex Capitão América foi a escolha perfeita, pois tem o padrão de beleza americano junto a um talento inegável. Por ter o rosto que tem, logo de cara ganha-se o carinho do público e por ter a maior parte da série sendo feita do seu ponto de vista, isso era necessário.

O patriarca da família do início ao fim acreditou na inocência do seu filho e vemos aos poucos essa cega fé fazendo passar cada vez mais dos limites. Por ser o ex promotor do caso, ele sabia de detalhes importantes e como iriam agir com seu filho, tendo esse trunfo, vemos um pai tomando atitudes cada vez mais drásticas. Como eu já havia dito, nós pudemos ver com calma um pai se desesperando cada vez mais, começando apenas pedindo um favor a sua colega de trabalho e termina atacando o outro suspeito do crime.

Chris Evans merece ser pelo menos indicado ao Emmy, a cena em que ele descobre que seu filho é um dos suspeitos foi muito bem feita, parecia realmente que o mundo dele estava caindo diante dos seus olhos. Desde o primeiro episódio há a presença de flashwords onde mostra o Andy já nos tribunais extremamente exausto e ali o ator da tudo si e convence como um pai cansado de tentar mostrar ao mundo que seu filho é inocente.

A mãe por outro lado segue um caminho diferente e complexo, ela inicialmente é a mais apagada do grupo por ser a única afastada do assassinato e a Michelle é a mais fraca no quesito em atuação do trio, porém com o passar da temporada ela passa a ganhar mais destaque e a atriz mostra que consegue bater de igual para igual.

Inicialmente, ambos os pais tem a mesma reação, mas ao saber sobre o passado do seu marido, começamos a ver uma mãe parando realmente para analisar seu filho e percebendo que ele já havia mostrado muitas atitudes de caráter questionável e essa revelação começa a destruí-la por dentro, pois fica evidente a guerra que trava contra si mesma e como se sente culpada quando acredita, mesmo que por um instante que seu filho realmente é culpado.

 

Eu gostaria de destacar a cena do mercado, pois ela representa tanta coisa sem ter um diálogo se quer. Ao se ver no mercado sozinha comprando uma comida que lembra seu filho e ouvir uma música que gosta, a Laurie por um momento se vê esquecendo de tudo que ela está passando e resolve só curtir a música, até se deparar com a mãe do menino que supostamente seu filho matou. O embate, apesar de curto, foi eficiente para deixar claro que infelizmente ela não pode relaxar nem por um momento nessa situação.

Essa série não veio para brincar e trouxe até mesmo para papeis recorrentes, um elenco de peso. Destaque para Sakina Jaffrey, Betty Gabriel, Cherry Jones e principalmente o J.K Simmons. A revelação de quem é o pai do Andy foi uma surpresa e o ator conseguiu dar o tom perfeito para o personagem, conseguindo em pouquíssimas cenas, um personagem bastante manipulador e até sarcástico.

Apesar de ser curta, eu achei interessante a cena com as dicas da advogada, pois tudo aquilo é real quando se está passando por uma situação igual aquela, sempre que se está em destaque, qualquer tipo de ação sua vai ser julgada seja ela qual for. Eles são instruídos a não sorrir, não dar entrevistas e sempre parecer distantes, mas o que aparece nos noticiários é o quanto a postura fria deles mostra nenhum remorso e infelizmente o mundo jornalístico é assim.

Ao assistir o último episódio, eu já ia com uma certeza, não importasse qual dos dois possíveis o roteiro iria seguir, eu iria gostar de ambos e acharia ambos coerente, mas eu posso afirmar que eu jamais esperava os acontecimentos da series finale e deixo aqui o meu pedido para vocês leitores assistirem essa obra prima.

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Ives Gonçalves

Um carioca estudante de direito querendo se formar, viciado em x factor´s do mundo e que ama uma praia

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