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Doom Patrol – S01E01 – Pilot [SERIES PREMIERE]

“We are doomed, aren’t we?”

É engraçado que, em certo momento, “Doom Patrol” tenha quebrado a quarta parede para dizer “os críticos não vão gostar deste programa”, porque é difícil de acreditar que algo tão bem elaborado possa cogitar não ser reconhecido.

Até o começo desse ano – mais especificamente, até assistir “Titans” – eu não colocava fé nos novos projetos televisivos da DC, até porque, meu único parâmetro eram as séries atreladas à CW, que não são assim exatamente excepcionais.

Mas daí, decidi dar uma chance à “Titans” quando chegou na Netflix, e apesar de conseguir enxergar algumas falhas (como o excesso de fillers, principalmente na reta final), como um todo acabou sendo uma obra muito bem feita.

Eu tenho sérios problemas com séries de ritmo lento, ou que enrolam demais para explanar o óbvio. Quase sempre fica aquela sensação de que os produtores duvidam da capacidade intelectual de dedução do espectador.

E esse é o principal ponto pra mim nessa estreia, mas de uma maneira boa. “Doom Patrol” não ficou dando voltas para dar o background de seus protagonistas. De forma MUITO sensível (e sucinta) eles conseguiram atar os laços dos personagens conosco. Claro que ainda tem muito a ser explorado, mas até aqui nos já podemos compreender em grande parte a humanidade deles, suas peculiaridades e aflições.

De fato, o personagem que mais se destacou foi o Cliff (“Robot Man”). Após um acidente fatal onde ele perdeu sua família (ou assim acredita), tudo que pôde ser salvo dele foi seu cérebro, que foi implantado num corpo robótico.

Mas essa narrativa não se distancia por muito dos outros 3 misfits. Rita Farr (“Elasti-Woman”) era uma atriz famosa, egocêntrica e vaidosa, até que um dia viu-se desfigurada e escanteada. Larry (“Negative Man”) era bem sucedido em seu trabalho, mas sentia-se um monstro por dentro por ser gay, até que perdeu sua forma “humana” de maneira dolorosa.

E por fim, Jane (“Crazy Jane”). 64 personalidades, cada qual com seu meta-poder distinto, habitando uma única mente, dividindo um único corpo. E o que os une? Todos tentam não perder total contato com o que os faz minimamente humanos.

O fato desse piloto ter sido narrado pelo vilão (que só se revela nos últimos minutos) foi algo muito criativo também. À medida que víamos como o Chief acolhia seus desajustados, paralelamente estávamos também absorvendo sua motivação por trás daquilo tudo.

Salve especulações particulares, podemos dizer que o Chief carrega grandes arrependimentos consigo e tentar reparar à sua maneira erros do passado. O problema é que nossos fantasmas sempre acabam voltando para o acerto de contas, segundo minha experiência com séries épicas.

Mr. Nobody, aparentemente, será o fio condutor dessa primeira temporada, ou pelo menos, peça importante para os próximos capítulos. Embora não saibamos ainda com certeza quais são seus poderes, está claro que ele quer vingança com o Chief.

Não sei exatamente se ele odeia o cientista pelo o que lhe aconteceu ou se houve algo secular na sequência dos fatos. Pois em dado momento, ele diz “e se eu soubesse o que ele iria me oferecer, teria pago o dobro”, o que pode nos levar a pensar que ele não odeia seu poder (ou melhor, mutação) tanto assim.

Por fim, eu realmente acho que foi um dos melhores pilotos que assisti esse ano. A série conseguiu dosar muito bem humor com drama, o ritmo me parece cuidadosamente bem pensado, e os momentos narrados são a cereja no topo do bolo, mostrando criatividade e perspicácia da parte da produção!

Acho legal também que eles não parecem ter a pretensão de serem grandiosos. Essa é uma história sobre desajustados, excluídos, esnobados, seus maiores problemas são consigo mesmos e seu maior inimigo é a sociedade que os anula. Claro que os elementos de fantasia servem para “confeitar” o material, mas eu realmente acho que o melhor dessa série ainda continuará sendo sua visão humana, e os paralelos com a realidade devem seguir.

Minha única ressalva quanto a essa preocupação e atenção aos conflitos mais humanos dos personagens, é apenas um leve receio de focarem além do necessário nisso. Por mais que seja envolvente, cair nessa vala pode acabar sendo clichê, pois se olharmos com cuidado as mais recentes histórias de herois adaptadas para as telas, todos tentam “ser diferente” por meio de focar no humano e deixar todos os “super” um pouco de lado. Eu não acho que isso vá acontecer com “Doom Patrol”, pois a série me parece ter sido muito bem elaborada. Mas não custa nada dividir essa questão com vocês.  

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Luana Medeiros

Sinceramente, não sei mais há quanto tempo estou nesse site? Mas olha, faz um bom tempo! HAHA. Atualmente cuido mais de reviews de realities musicais, mas também faço meus corres nos seriados, porque a vida é isso aí! Tenho 24 anos, sou formada em rádio/tv/internet, e nas horas vagas vocês me encontram por aqui! ;)

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