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Doom Patrol – S01E02 – Donkey Patrol

“Você realmente acha que está no controle?”

Eu não sei nem como começar essa review, pois sinceramente? Esse foi um dos episódios de série mais incríveis que eu já assisti em toda minha vida. Eu nem lembro da última vez que assisti algo e pensei “nossa, isso aqui merece um 10 cheio”, mas cá estou eu para dizer para vocês que “Doom Patrol” é uma série histórica e eu posso provar!

Antes de mais nada, a maneira como o Mr. Nobody narra a história e quebra a 4ª parede é muito genial. Um ser que transcende o espaço/tempo, existe inter-dimensões e que realmente está convicto de que é o narrador das vidas alheias, que se acha na posição de decidir o destino de todos e que tem sede de poder e controle.

Eu não sei quem pensou “olha, se avaliarmos as características do personagem, ele É um narcisista, controlador e narrador”, mas quem quer que tenha tido essa ideia: é um gênio. Dentre os tantos acertos de Doom Patrol, a forma como a história está sendo contada é, sem dúvidas, um dos destaques mais envolventes.

A série tem suas boas doses de humor, um humor ácido e auto-depreciativo, mas que cadência a narrativa de forma muito fluída. No entanto, os momentos sentimentais e psicológicos não são deixados para escanteio em nenhum momento. São tão bem trabalhados quanto, e carregam tanto peso quanto necessário. Você realmente consegue ir do riso as lágrimas em minutos em Doom Patrol!

Finalmente, fomos apresentados ao Ciborgue, e em menos de 45min nós já conseguimos capturar toda sua essência. É quase como ele sempre estivesse estado ali, tudo encaixou muito bem. E olha, teria tudo para ter sido um encontro meio desconexo, já que não teríamos muito tempo para compreender a ligação dele com a equipe de desajustados (e também porque todo mundo queria ele em “Titans”, vamos combinar).

No entanto, Doom Patrol não precisa de muito tempo para criar vínculos entre suas histórias e seus espectadores. Toda a atmosfera da série é extremamente cativante e convidativa. Literalmente, a série dialoga conosco e sempre nos trata como parte da história, não estamos alheios aos acontecimentos, somos sugados para dentro de tudo que está acontecendo.

E bem, ser sugado é realmente o acontecimento do momento, né? Já que o enredo central deste episódio foi o burro, ou deveríamos dizer, o sugador de universos? Eu não posso dizer para vocês que compreendi 100% o que o burro significa, mas por meus poucos conhecimentos de HQs, acho que dá para afirmar que, no mínimo, ele tem/tinha a capacidade de comportar universos inteiros dentro de si.

Tenho certeza que vamos mergulhar mais afundo nisso nos próximos episódios, mas de maneira bem intuitiva eu chutaria dizer que a energia dentro do Larry terá algum papel muito importante daqui pra frente. Não sei até que ponto, mas isso pode estar relacionado com o próprio poder do Mr. Nobody. No mínimo, essa força (que também transcende tempo/espaço) compreende de alguma forma como o moço fragmentado funciona.

E por falar em fragmentado, o que foi Jane neste episódio?! Lembro que um pouco antes de Doom Patrol estrear para o público geral, eu estava lendo umas críticas especializadas e os elogios à atuação da Diane Guerrero estavam por toda parte. E bom, acho que finalmente eu consigo enxergar porquê, né!

A cena que ela está sentada no sofá e múltiplas personalidades se apresentam de forma quase que simultânea foi brilhante. E mais uma vez, sem precisar de muito tempo de explicação, nós já tivemos um insight bem legal de como funcionam as personas de Jane. É fácil relacionar com “Fragmentado” do Shaymalan, mas eu ousaria dizer que aqui isso é um pouco mais complexo.

Se eu estiver correta, a mente da Crazy Jane funciona quase como uma sociedade co-habitada (nas HQs, o subterrâneo é como uma estação de trem, e cada persona habita um vagão). Algumas personalidades se entendem melhor com umas do que com outras, e algumas permanecem em locais mais “distantes da superfície” por diversos motivos, entre eles, por segurança.

Além disso, eu preciso demais parabenizar a caracterização dessa série! Eu adorei ver que as personas da Crazy Jane se manifestam não somente em personalidade, mas também em fisionomia. E a adaptação dos poderes das folhas de quadrinhos para as telinhas está simplesmente divina! Achei tão inusitado e criativo ver as palavras ganharem vida e forma nos poderes da Silver Tongue. Teoricamente, seria algo difícil de adaptar (já que é algo tão “quadrinhos”, né), mas a produção conseguiu fazer um trabalho excelente e que ficou lindo em tela.

E ainda falando sobre caracterizações: Ciborgue! Eu confesso que pelos stills liberados, eu não estava colocando muita fé nessa caracterização, mas ficou muito bom! Ainda que não tenhamos visto muito em questão de efeitos visuais, o design final ficou muito legal. Aliás, toda a equipe me parece estar brilhantemente bem caracterizada!

Enfim com a equipe principal toda reunida, finalmente Mr. Nobody teve a oportunidade de mostrar mais de seus poderes. Enquanto ele conduzia Rita, Larry e Vic dentro de seu mini-verso controlado, nós entediamos um pouco mais do que ele é capaz. Já havíamos visitado os passados de Rita e Larry anteriormente, mas esta foi a primeira vez que entramos no âmago de Vic.

Assistir a forma traumática que Vic tornou-se o Ciborgue foi essencial para compreendermos sua essência, suas motivações. Além disso, é aqui que sua relação com sua figura paterna começa a balançar, já que notamos os sinais de que, talvez, o pai de Vic esteja distorcendo seus propósitos.

Ainda sobre relações, só eu ou vocês também percebem esse crushzinho do Larry na Rita? Sei que nas HQs isso sempre fica subentendido, mas achei que pelo o Larry ser gay aqui (ou bi?), eles iriam deixar essa parte meio em off. Porém até aqui, me parece que eles realmente pretendem nutrir essa relação meio protetiva e que escorre pelas bordas deles. É bonitinho, porque mostra que eles realmente se importam um com o outro e fortalece o conceito de família que a série tenta criar.

No fim das contas, nosso grupo de desajustados ainda não sabe muito bem como agir como heróis, mas aos poucos estão descobrindo, como ficou claro com o “deus ex machina” do Larry que pôs fim à viagem inter-dimensional do nosso trio.

A última coisa que eu gostaria de falar sobre: o momento Annelise Keating se desmontando do Larry. Gente, que cena. Talvez eu tenha me deixado levar pela emoção (o que acontece muito enquanto assisto Doom Patrol, lol), mas eu achei forte de verdade ver a “real face” do ex-piloto (e mais uma vez, palmas para os efeitos).

Daqui pra frente, Larry e a “energia negativa” deverão se comunicar. Teoricamente, essa energia seria o próprio Larry, mas sinto que aqui isso poderá vir a se desdobrar para algo mais complexo e com mais peso simbólico para o desenrolar do plot do Mr. Nobody. Será? Agora só esperando para ver!

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Luana Medeiros

Imagine só que um dia me foi perguntado quem eu era, e juro, até hoje não sei responder. Mas os fatos são: tenho 21 anos; sou de escorpião; amo meu cachorro e meu gato mais que tudo; estudo Rádio/TV/Internet, ouço Maroon 5; piro no Adam Levine; consigo colocar os pés atrás da cabeça; e - contraditoriamente - por fim, nasci de 7 meses.

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