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Doom Patrol – S01E04 – Cult Patrol

“Because I’ve been to the desert on a horse with no name”.

E eis que “Doom Patrol” já tratou de introduzir algo totalmente novo – e eu diria até inesperado – ao seu plot! Na maior vibe “John Constantine”, nós fomos apresentados ao Culto do Livro Não-Escrito. Pode até ter sido um pouco confuso no início, mas achei que fizeram um ótimo trabalho de ambientação e adaptação. Encontraram ótimas maneiras de misturar cultura pop com o universo místico, como os feitiços que são músicas (que teve, na verdade, uma introdução bem clássica com o cântico/poema “Who Killed Cock Robin”).

Uma das coisas que mais venho curtindo na série é que eles simplesmente não têm medo de ousar, não têm o menor pudor em sair da casinha. Esse episódio poderia ter sido uma bagunça completa, mas a forma leve e descontraída que eles explicam os acontecimentos e colocam a marquinha “Doom Patrol” mantém tudo extremamente instigante e de fácil compreensão.

O Culto do Livro Não-Escrito não é algo que tenho muito conhecimento sobre, mas se eu não estiver bem louca, há uma conexão direta com John Constantine, e todo esse universo do “além da filosofia” da DC. E sinceramente? Já que o DC Universe anda apostando e acertando tanto em suas produções, eu não acharia nem um pouquinho ruim se eles realmente entrassem de cabeça nisso e trouxessem Constantine para uma repaginada.

Mas enfim, chega de falar de hipóteses e vamos focar no que ficamos sabendo. Apesar de toda a ambientação lúdica do episódio, se olharmos a fundo, ele tocou em temas bem sofisticados. Elliot é basicamente uma profecia, e todo o sofrimento e crise de identidade do personagem dialoga metaforicamente com depressão, desilusões, crises ideológicas, e aquela fase da vida que não sabemos mais tão bem qual é o nosso propósito por aqui.

E “não saber o propósito” é basicamente o lema de todos os integrantes da Patrulha do Destino, é quase como a “coisa em comum” que os une. Entre improvisos e incertezas, mais uma vez eles foram jogados no desconhecido pelo Kipling, brilhantemente bem interpretado pelo Mark Sheppard, vale salientar.

Essa passagem de plot pode até ter deixado uma sensação meio brusca, afinal, após uma breve apresentação do universo místico, Kipling simplesmente caiu de paraquedas história. E realmente, foi uma mudança de condução bem drástica. Nos afastamos bastante – nem tanto, se eu não estiver errada – da procura à Niles, mas entramos em algo paralelo e bem mais urgente.

Pode até parecer um pouco clichêzão toda essa história de “o mundo está acabando”, já que é a segunda vez que os quase heróis se veem diante de algo muito maior que eles mesmos. Mas Doom Patrol é tão envolvente que ainda assim consegue encontrar o tom adequado para manter sua essência excêntrica e única.

Jane – Hammer Head, na verdade, pois Jane não emergiu nesse episódio – entrar naquela igreja e surtar foi bastante importante para o backstory dela. E apesar de sutil, tenho certeza que será algo que irá latejar de forma bem mais contundente daqui pra frente. Ainda no âmbito de descobertas sutis, eu gostaria de comentar sobre a fala de Kipling quanto ao “conhecemos duas versões diferentes de Niles Caulder”.

Pode não parecer, mais aos poucos, Cliff, Jane, Larry, Rita e até mesmo Vic, precisam compreender que Niles Caulder não é totalmente um herói ou salvador. Vocês devem lembrar do que ele tentou fazer com a Ravena lá em Titans, e na real, o “Chief” é extremamente controlador e obcecado em “ajudar”. Todas essas pessoas foram “auxiliadas” por Niles, mas ao mesmo tempo, sofreram silenciosamente, e sem perceber, com seus abusos.

Nenhum deles foi capaz de conhecer seu verdadeiro potencial (nem mesmo Jane), sempre tiveram suas asas cortadas, quase como animais em cativeiro. Foram condicionados a achar que não poderiam estar em meio à sociedade, que deveriam viver em reclusão. E vamos lá, isso não é verdade.

A maior prova disso é que FINALMENTE Rita usou seus poderes de maneira funcional! E mais do que seus poderes meta-humanos, a Elasti-Woman encontrou incentivo dentro de si – e através das babaquices do Vic – para ser uma heroína! O momento mais tocante do episódio com certeza foi ela dizendo “nós já falhamos antes, mas por favor, nos deixe pelo menos tentar”. Linda, mulherão da porra em desconstrução e descoberta, te amamos, Rita Farr!

Em adição, Larry começa a compreender minimamente a energia dentro de si ao assistir às fitas de Caulder. É exatamente na ausência de Niles que eles estão se descobrindo e “amadurecendo na porrada”. O “Chief” é um personagem complexo e multifacetado e eu acho bem importante isso ir ficando cada vez mais claro. Afinal, quase toda 1ª temporada de uma história épica é sobre (re)descobertas e desenvolvimento mesmo.

Por fim, algo que não dá para finalizar sem comentar: “what the heck is Nurnheim?”. A cidade fantasma que se esconde em plena vista, mas pode mudar de localização à qualquer momento, se descoberta. Não é exatamente de lá que o “Descriador” vem, mas ela é parte crucial na mitologia do personagem. E bem… Jane e Cliff estão literalmente presos lá, pois não conseguiram suturar os portões nas chagas de Emilio Cuervo, e precisam escapar. Enquanto isso, o Descriador já está prontíssimo para desfazer a realidade (ou melhor, as percepções dela).

Nós já vimos que Nurnheim se encontra, atualmente, num globo de neve na própria mansão de Caulder. Eu nem sei como Kipling ainda não se deu conta disso, mas tenho certeza que no próximo episódio ele vai ter alguma epifania divina e eles irão encontrar uma saída (ou não, até porque “o buraco é mais embaixo”).

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Luana Medeiros

Imagine só que um dia me foi perguntado quem eu era, e juro, até hoje não sei responder. Mas os fatos são: tenho 21 anos; sou de escorpião; amo meu cachorro e meu gato mais que tudo; estudo Rádio/TV/Internet, ouço Maroon 5; piro no Adam Levine; consigo colocar os pés atrás da cabeça; e - contraditoriamente - por fim, nasci de 7 meses.

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