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Doom Patrol – S01E09 – Jane Patrol

“No where to turn. No one to tell. Tell no one”.

Acho que é pertinente dizer que desde o primeiro momento que fomos apresentados à Jane, nossa curiosidade sobre seus mecanismos com suas 64 personalidades foi algo latente. Logo, um episódio totalmente dedicado à ela sempre me pareceu algo quase que mandatório para o desenvolvimento da série. Eu não sabia muita coisa sobre a personagem antes do seriado, mas sabia suficiente para compreender que Crazy Jane é, de longe, a personagem mais obscura do Doom Patrol.

A jornada de Cliff no subterrâneo realmente aconteceu nas HQs, e pelo o que sei, é uma das histórias mais populares da Patrulha do Destino. Na adaptação que recebemos, essa “viagem” apenas é possível graças à energia negativa dentro do Larry (que eu carinhosamente apelidei de Larry Negativo), que funcionou basicamente como um fio condutor entre as consciências de Cliff e Jane.

Antes de qualquer conflito recém apresentado no episódio, nós já sabíamos que Jane estava passando por um momento de reclusão e confusão, após ter brigado bem feio com o Cliff, a pessoa que ela mais confiou desde que o Niles desapareceu. Mesmo se ela não tivesse suas personalidades dissociativas, todo esse turbilhão de acontecimentos recentes já seriam mais do que justificados para um surto.

Porém, temos muito mais traumas e questões abertas no meio, né. Jane já é a 3ª personalidade primária, antes dela houveram outras duas. A original, Kay Challis; e logo após, Miranda. Apesar da série não ter deixado claro o que houve com Kay, na história original, ela desapareceu da superfície ainda criança e foi para níveis profundos do subterrâneo, trazendo Miranda à superfície como dominante.

Desde o episódio de Nurheim nós já tínhamos uma boa ideia do que seria o maior trauma de Jane. Mas hoje isso ficou bem mais claro. Kay era abusada por seu pai, e foi durante esse período de extrema dor que ela “desenvolveu” seu processo dissociativo de personalidades. Talvez, por isso, seja bom destacar a fala extremamente simbólica de Kay na memória originária: “eu ainda não terminei meu quebra-cabeça”.

A mente humana é complexa por si só, mas no caso de Jane, é algo completamente único e inexplicável. Cada personalidade coexiste e coabita dentro da mente. Cada uma tem uma função para tentar manter o equilíbrio, e embora nem elas mesmas entendam muito bem os motivos, Jane estar como primária é essencial, como elas mesmas disseram no começo no episódio.

Eu sempre elogio a forma equilibrada que Doom Patrol consegue administrar seus momentos dramáticos e cômicos, mas esse episódio foi tão sombrio e me deixou tão profundamente consternada que eu realmente não lembro de nenhum momento leve. E isso é algo bom, pois eu não imaginaria outra forma de abordar todas as memórias traumáticas e tristes de Jane.

Outro ponto muito relevante, para mim, foi a decisão de algumas personalidades dentro do subterrâneo terem fisionomias próprias e diferentes das que vemos na superfície. Eu achei de uma sensibilidade incrível, pois nem sempre enxergamos nós mesmos da mesma maneira que os outros. Talvez essa decisão não tenha sido tomada por conceitos tão filosóficos assim, mas eu achei algo muito simbólico e bem pensado, e me atravessou desta maneira.

Meu único “medo” durante o episódio era apenas de portarem o Cliff como salvador da pátria; afinal, não seria justo que ninguém além da própria Jane e suas “irmãs” fossem as protagonistas absolutas aqui. Alguém que já passou por tantos traumas, desde inúmeros abusos, internações brutais, violências físicas e simbólicas; que jamais foi aceita ou compreendida de verdade por ninguém e que sempre foi explorada por todos… Alguém assim não precisa de um príncipe num cavalo branco, mas sim perceber que toda a sua força vem de si própria. Felizmente, por fim, isso não aconteceu. Mas nem sei se realmente tivemos um final “feliz” aqui.

Enquanto Jane buscava respostas e traçava o mesmo caminho obscuro que um dia Miranda percorreu; Cliff tentava impedi-la de cometer tal erro. E por sinal, um dos momentos mais chocantes do episódio, foi sem dúvidas, a passagem de Cliff e Penny pelo o que um dia foi o “local” da Miranda. Foi brutal, porém extremamente eficiente em mostrar uma parte de todo peso que Jane carrega consigo.

Contudo, Jane não foi a única a enfrentar seus fantasmas. Quando a Black Annis rasgou o rosto do Cliff, ele foi levado, mais uma vez, a questionar o que é, quem é, quem um dia foi, e qual seu propósito desde então. Toda a nostalgia de se enxergar como um homem novamente foi arrancada dele, o fazendo perceber que tudo o que foi, a pessoa que um dia existiu… Tudo isso foi exatamente o que o tornou no que é hoje, um “não homem” em busca de um intento.

Apesar de rir constantemente com o Cliff e seus “what the fuck” que sempre me representam, toda vez que temos flashbacks e/ou momentos dramáticos dele, eu fico bastante triste. Embora todos ali passem por dificuldades e sofram em reconhecer sua própria humanidade, Cliff é quem menos tem ao que se apegar para caracterizar sua vida, chega a ser desesperador em momentos.

Porém, este “não homem” estava realmente disposto a dar tudo de si para resgatar Jane. E foi esse ato de bravura que despertou em Jane o necessário para enfrentar “Daddy”. Que acreditem ou não, também é considerado uma das personalidades da Crazy Jane. O caminho de volta foi silencioso, mas confesso que em nenhum momento a energia de “vitória” conseguiu chegar em mim, e a cena final da cama deixou isso ainda mais óbvio.

Mas bem, ficamos com essa fissura para os próximos episódios, já que totalmente recuperada ou não; Jane terá que colher seus caquinhos para dar continuidade à busca pelo Niles Caulder, que acabou ficando totalmente em segundo plano em “Jane Patrol”. Provavelmente, no próximo episódio vamos ganhar mais narrações do Mr. Nobody dizendo que já estava incomodado em não aparecer em tantos episódios, né não? LOL. E bem, tá na hora dessas buscas se adiantarem mesmo e esse plot desenvolver, né? Eu estou prontíssima.

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Luana Medeiros

Imagine só que um dia me foi perguntado quem eu era, e juro, até hoje não sei responder. Mas os fatos são: tenho 21 anos; sou de escorpião; amo meu cachorro e meu gato mais que tudo; estudo Rádio/TV/Internet, ouço Maroon 5; piro no Adam Levine; consigo colocar os pés atrás da cabeça; e - contraditoriamente - por fim, nasci de 7 meses.

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