Posts Populares

Emily In Paris – Season 1 – É uma série fofa, mas um pouco problemática

“Emily em Paris” é a mais nova série do serviço de steaming Netflix, a comédia romântica criada por Darren Star foi lançada no dia 02 de outubro e possui 10 episódios em média de 28 minutos cada. A história da série é bastante simples, uma americana se muda para outro país devido a uma oportunidade de emprego e lá vive grandes aventures e amores, ou seja, a mesma história de diversos filmes dos anos 2000 ou até mesmo a de “Sex & The City”, que possui o mesmo criador. Todos os fatores que fizeram a antiga série ser o sucesso que foi estão presentes na atual, tem a protagonista fofa e carismática (assim como a atriz que a interpreta), tem uma cidade famosa como pano de fundo, tem a moda sempre presente, tem as amigas que estão sempre ali para a principal e tem o par romântico complicado, a série não erra no enredo, mas também não inova em absolutamente nada.

A série não tem como proposta ser algo inovador ou que traga clinfhanger em cada episódio que nos deixe implorando pelo próximo, pelo contrário, é uma série leve que tem como único propósito te distrair, não vai tocar em assuntos polêmicos ou trazer personagens complexos. Todos os problemas que a Emily enfrenta são resolvidos no mesmo episódio de uma maneira as vezes fácil até demais, parece até uma crítica a era de digital influencers onde tudo é perfeito, o namoro dela acaba de maneira incoerente e sem qualquer explicação, mas no episódio seguinte já está tudo bem e é como se o namorado nunca tivesse existido. O maior problema enfrentado pela protagonista é o seu romance com Gabriel, apesar de ela se envolver com diversos homens, fica sempre claro que o Gabriel será o escolhido no final e o empasse para que esse casal aconteça é que ele é comprometido com a Camille, amiga da Emily. É uma história batida, mas funciona, minha maior ressalva fica em relação a como essa história foi conduzida, porém isso falaremos mais para a frente.

Por ter mudado de vida drasticamente por trabalho, é claro que grande parte da história se passaria nesse universo e esse era o meu núcleo favorito, todos os personagens agregam a série e o trabalho em si é bastante interessante, é uma empresa de markenting e em todo episódio há um cliente novo apresentando um problema novo que é sempre solucionado pela Emily e como todo bom clichê a chefe de todos é extremamente amarga e não curte muito a fofa protagonista. Por ser a única personagem que apresenta um embate real para Emily, Sylvia possui bastante destaque nessa temporada, fica claro que há um duelo de gerações acontecendo e é compreensível as ações da personagem, afinal de contas quem gostaria de ver alguém que mal chegou mudando completamente sua empresa? Apesar de gostar da personagem, eu senti falta de uma humanidade nela, sabemos que ela é amante de um dos clientes, mas não há nada além disso, não conhecemos sua história e nem o porquê de sua personalidade, parece estar ali apenas para ser a antagonista.

Outra personagem que me conquistou foi a Mindy, inicialmente achei que seria apenas a conselheira da Emily, mas é contado sua história, explica do porquê de ela estar onde está e como chegou ali, seu trauma é resolvido nessa temporada mesmo, deixando em aberto uma ótima história para ser trabalhada na próxima temporada. A relação entre Mindy e Emily é a única que eu achei natural, não houve nenhum clichê ou situação impossível para que rolasse um encontro entre as duas, foi algo do destino e vimos aos poucos a amizade sendo fortalecida e se tornando a interação mais orgânica da série, porém o roteiro deixou claro que haverá um desconforto agora que elas moram juntas.

“Emily in Paris” é uma ótima série para relaxar e curtir as belas imagens da bela Paris, se você curte esse tipo de série mais leve é a escolha perfeita para maratonar no final de semana, mas infelizmente a série mostra da melhor maneira o quanto a visão de um estadunidenses é distorcida da realidade e completamente egocentrista, a protagonista vai para um país que fala uma língua diferente, mas não se preocupa em aprender antes de chegar lá e todos a sua volta falam inglês, inclusive a momentos que ela nem está presente, mas eles estão falando em inglês. No próprio trabalho eles apresentam um desconforto inicialmente, mas depois estão completamente acostumados a falar apenas em inglês e segundo a própria protagonista, ela foi para lá para levar uma perspectiva “americana” à empresa, estadunidenses e a sua mania de achar que todos devem se rebaixar a sua cultura.

Mas nada é pior do que os estereótipos sobre o povo francês, frequentemente eles são motivo de piada na trama, seja pela sua língua, quanto pela sua forma de trabalhar ou pela sua personalidade, generalizando toda uma população. Basta pensar um pouco para questionar se o que está sendo mostrado ali não é ofensivo. Fazendo uma simples busca no Google, alterando o idioma para francês, aparecem algumas matérias no topo de pessoas nativas do país criticando a série. Todos os estereótipos possíveis do país acontecem: Emily comendo croissant, pessoas arrogantes e preguiçosas, uso de boinas e cigarros sendo consumidos a todo momento e a reafirmação de serem um povo infiel ou sexualizados demais, tendo até uma cena de uma mãe perguntando se o filho é um bom amante, precisa mais?

Paris, a cidade dos ratos da luz:

-Não entendi a necessidade de por mais um personagem como par romântico na reta final, fica bem claro quem ela quer de verdade.

-Todos os personagens se vestem como se tivessem em uma fashion week, incluindo os figurantes.

-O próprio Lucas Bravo, interprete do Gabriel, concordou com a maioria das críticas feitas a série.

-Kate Walsh completamente mal utilizada, uma atriz desse porte fazendo um papel tão pequeno é algo muito estranho.

 

Talvez Você também goste de...

gostou da matéria? deixe um comentário!

Autor

Ives

Um carioca estudante de direito querendo se formar, viciado em x factor´s do mundo e que ama uma praia

Tema por Gabriela Gomes Todos os direitos reservados ao Panela de Séries