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Especial: 9 anos de Little Mix

Há exatamente nove anos atrás a maior girlband atualmente e o vencedor mais bem sucedido ganhava o X Factor.

A oitava temporada do X Factor UK começou em 2011 e era a temporada posterior a de grande sucesso que foi a que revelou One Direction, o sucesso foi tanto que o Simon Cowell resolveu tentar o programa nas terras estadunidenses, enquanto na britânica a pressão para se ter uma temporada tão boa quanto a última era enorme. Acho que nem o produtor mais esperançoso esperava que o vencedor conquistaria esse sucesso todo, mas está ai Little Mix conquistando ano após ano mais sucesso. Geralmente os especiais são de 10 anos, mas eu não podia perder a oportunidade de fazer um com tantas coisas acontecendo na história do grupo como foi esse ano.

Para quem não sabe, Little Mix não começou o programa juntas, assim como a maioria dos grupos, elas foram montadas durante o programa e talvez uma das maiores provas de ter sido um tiro certeiro desde o inicio foi que as juradas que montaram o grupo, eram duas ex-girlbands, afinal de contas, como esquecer da Kelly Rowland pegando a fita métrica para montar os grupos de maneira coesa até na altura? Houve vários testes e divisões, mas no final ficou a formação que conhecemos até hoje.

Caso você não seja um grande fã de X factor ou só tenha passado a acompanhar nas ultimas temporadas, emplacar girlbands era algo impossível até então, o mais longe que uma girlband havia chegado havia sido a quinta semana, então as apostas para as meninas que na época inicialmente se chamava Rhytmix não eram altas. As semanas ao vivo chegaram e semana após semana as meninas melhoravam suas performances e iam sendo salvas, tal sucesso se deve a três fatores, o talento das meninas, a química que tinham juntas e a jurada responsável por elas. Tulisa não era muito conhecida no mundo artístico, ela era uma ex integrante de uma girlband de rap que era mais conhecida por polêmicas, mas ela chegou no X Factor pronta para limpar sua imagem e dar tudo de si aos acts que ficou responsáveis e foi isso que ela fez, diferente de todas as outras girlbands que já passaram, ela vendia as meninas como aquelas garotas normais como você, as que podem ser suas amigas e não essas meninas de um padrão inalcançável, chegou a ter semanas que ela comentava a seguinte frase “Vote nelas! Elas não são o tipo de garotas que irão roubar seu namorado, são as que vão estar ali para você chorar caso termine.” foi uma abordagem um tanto problemática hoje em dia, mas na época funcionou.

As escolhas de canções foi outro fator que ajudou muito já que eram sempre atuais e tinham um foco nas harmonias, ponto mais forte das meninas, houve diversas performances ótimas das meninas como “E.T”, “Beautiful”, “You Got The Love”, mas foi com o hit dos anos 90 “Don’t Let Go (Love)” lá na sétima semana que elas agarraram o título de favoritas na competição e ninguém mais conseguiu tirar o prêmio delas.

Provando que já chegaram aclamadas, o winner single delas “Cannobal”” conquistou #1 logo de cara e quase um ano depois chegava nos mercados o álbum de estreia, o DNA. O álbum de apresentação das misturinhas apresentou uma variedade de estilos enormes e mais uma vez um grande foco nas harmonias, o DNA tem como foco apresentar o quão versáteis e promissoras são as meninas. O álbum teve quatro singles, sendo o principal “Wings”, música essa que conseguiu representar bem o estilo das meninas naquele momento, tinha uma pegada bem pop/rnb e apresentou o objeto que cada uma tinha como marca, Jade (laços e gravatas borboletas), Perrie (flores), Jesy (rádio) e Leigh-Anne (bonés).

Seguindo a tradição, um ano após o ultimo álbum, outro chegava ao mercado. Salute foi o primeiro divisor de águas na carreira da Little Mix, apesar de não ter feito tanto sucesso, esse álbum foi um audiovisual do que as meninas tinham como bandeira, a verdade é que o público ainda não estava preparado para ver uma girlband de pop farofa apresentando um som mais maduro e feminista, mas se esse álbum fosse lançado hoje, eu tenho certeza que ele seria idolatrado pelo público.

Por não ter feito tanto sucesso quanto o anterior, o grupo resolveu voltar a um estilo mais parecido com o primeiro álbum e então surgiu Get Weird. O álbum chegou quebrando a porta, pois o logo o seu primeiro single, o “Black Magic” era até então o maior sucesso das meninas, ficando semanas em #1 e apresentando as meninas para todos que não as conhecia. O Get Weird é definitivamente focado para um público mais jovem, não que isso seja ruim, elas estavam ainda tentando achar o seu estilo e aonde seriam mais aceitas, mas eu não curto tanto esse albúm, pois ele é o que se distância mais da proposta das meninas, porém ele também tem a música “Secret Love Song”, o hino de qualquer LGBTQIA+.

Em meio a divulgação de um álbum e preparação de outro, a Perrie teve sua vida virada de cabeça para baixo ao ter seu noivado terminado através de uma mensagem de texto, tal acontecimento é de fato muito triste, mas serviu para as meninas abraçarem de vez suas ideias feministas. O álbum Glory Days chegou em 2015 e apenas confirmou que Little Mix estava longe de acabar, foi hit atrás de hit e dessa vez como disse acima elas colocaram seus pensamentos mais empoderados, mas de uma maneira mais mainstream e foi certeiro, as músicas “Shout Out to My Ex” e “Power” evidenciam bem isso.

Dois anos após o seu álbum de maior sucesso, chegou aos mercados o LM5 e esse sim foi o que mudou completamente o destino da banda. Lá no segundo álbum de estúdio elas haviam tentando passar uma mensagem mais feminista e não foi muito bem aceito, isso fez com que a gravadora barrasse os pensamentos mais empoderados das meninas e focasse mais no pop padrão. A chegada desse álbum mostra que as meninas finalmente estavam consolidadas como artistas e podiam finalmente expor ao máximo as suas ideias. Por terem sido juntadas em uma banda sem nunca ter tido qualquer interação, era necessário um tempo para ver a mensagem que elas queriam passar como um grupo, afinal de contas eram quatro pessoas que pensam separadas e tem suas lutas pessoais e esse álbum foi a junção perfeita de cada uma, já que ouvindo tudo é possível perceber que todas puseram a sua alma ali.

Mas infelizmente esse álbum não ficou conhecido pela sua mensagem, mas sim pela bagunça que foi sua divulgação e a saída das meninas da Syco. O lead single foi a música “Woman Like Me”, a música tinha parceria com a rapper Nicki Minaj e era certa como hit, tanto que ficou por 3 semanas em #2, só perdendo o primeiro lugar porque Ariana havia lançado “Thank U Next”, depois desse lançamento não houve mais nenhuma música promocional para criar expectativas, o álbum foi lançado e no mesmo dia foi lançado o clipe de Strip, mas o que evidenciou a bagunça que foi, foi a música “Think About Us”. Desde o inicio as meninas disseram que queriam esse álbum apenas com participações femininas, mas para a nova gravadora lucrar, tiveram que fazer uma nova versão da música e dessa vez foi um feat com o rapper Ty Dollar Sign. Durante as entrevistas e vídeos soltos das meninas, elas deixavam BEM claro o quanto estavam descontentes com o caminho que álbum seguiu e maioria dos fãs queria apenas enterrar a bagunça que foi essa divulgação e aguardar o próximo álbum.

Como diz o ditado “Após chegar o fim do poço, o único caminho é para cima” e foi assim, logo após o fim das divulgações do álbum foi anunciado o novo reality Little Mix: The Search, mas foi adiado devido a pandemia e falaremos mais dele mais a frente. Em 2020 pela primeira vez Little Mix veio as terras brasileiras se apresentar no festival GRLS e inclusive o clipe de Holiday seria aqui, mas também teve que ser adiado devido a pandemia. E fica aqui minha esperança de que as misturinhas tenham visto o quanto o público brasileiro é o melhor do mundo e voltem logo.

O programa Little Mix: The Search chegou dia 26 de setembro e foi até hoje a manobra mais arriscada do grupo. O programa basicamente buscava um novo grupo, seja ele boyband, girlband ou misto para abrir o show das turnês das meninas e ganhar um contrato, que os programas musicais estão desgastados não é segredo para ninguém, mas por ter uma montagem rápida e poucos episódios, o programa conseguiu dar um frescor ao formato. Mas esse nunca foi a maior preocupação, ser jurado de um programa é sempre algo que pode dar muito certo ou muito errado, afinal de contas você está julgando outra pessoa e a sua personalidade sendo exposta, a Nicole Scherzinger teve que se mudar para a Inglaterra após sofrer ameaças de morte por sua participação no X Factor US, mas as meninas conseguiram fazer dar muito certo, foram sinceras quando precisaram, mas sempre sendo educadas e esbanjaram carisma.

E finalmente o atual e melhor álbum chegou!!! Elas já haviam lançado três músicas promocionais que já mostravam que esse seria o melhor álbum e dito e feito, Confetti já chegou aclamado e tem vários potenciais de hits. Novamente há uma mistura de diversos gêneros e dessa vez além de canções de empoderamento e superação, há diversas músicas debochando do mercado da música e o quão fútil é, como na canção “Not a Love Song”. As meninas ainda estão divulgando o álbum e novamente evidencia o quanto o programa delas foi certeiro, pois no final de cada episódio elas se apresentavam, além de mostrar o quão talentosas eram semanalmente, houve uma plataforma perfeita para divulgar o novo álbum.

 

Provando que um fã de Little Mix não pode ser feliz em um ano por completo, agora no final, no meio da divulgação do álbum foi comunicado que a integrante Jesy estaria tirando um tempo do grupo. Quem acompanha o grupo desde o inicio sabe o quanto a Jesy sempre sofreu ódio online, ela era constantemente chamada de feia e gorda e recebia diversos comentários dizendo que ela devia morrer, tal monstruosidade fez com que a Jesy tivesse depressão e mesmo após tantos anos ela continuou recebendo comentários podres ao ponto de ela não ver outra saída ao não ser o suicídio. Em 2019 ela fez um documentário expondo tudo que ela passou e como ela se sentia, é emocionante, forte e necessário, tais comentários destruíram uma pessoa, fizeram perder sua inocência, ela chega a dizer no documentário que o dia que era para ser o mais feliz de sua vida (a vitória no X Factor) foi o dia em que ela sentiu que era odiada pelo mundo todo. A Jesy já havia tido um ataque de pânico no meio do Live Lounge e agora pediu um tempo para provavelmente poder se recuperar de mais uma crise, irei botar um trecho legendado do documentário, mas recomendo a todos a assistirem o completo.

A verdade é que Little Mix é tudo que uma banda deveria ser, todas as meninas são muito amigas, se respeitam e se apoiam independente de qualquer coisa. As misturinhas tem uma química tão boa e possuem uma harmonia tão certeira que não há uma música em que o refrão não seja cantada por todas juntas e isso também faz com que não haja uma líder, todas são importantes igualmente. Se elas vão conseguir sucesso ao seguir carreira a solo eu não sei, justamente por venderem uma imagem tão em conjunto, mas esse o principal fator para elas serem a girlband ou boyband a permanecerem mais tempo juntas e relevantes.

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Autor

Ives

Um carioca estudante de engenharia querendo se formar, viciado em realitys shows ao redor do mundo e que ama uma praia

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