Posts Populares

Cine Panela: Darkest Hour

“We shall never surrender!”

Chegamos então ao terceiro especial de filmes do Oscar com o tão comentado Darkest Hour, filme que já deixou sua marca em algumas outras premiações, e promete “roubar” algumas estatuetas na premiação mais esperada. Traduzido para “O destino de uma nação”, o filme já recebeu várias indicações, mas sua categoria destaque está sendo a de Melhor Ator, onde o grande Gary Oldman já levou para casa nada mais, nada menos que 4 prêmios, e é a grande aposta para o Oscar também.

O filme começou devagar no início da season awards, correndo por fora, e acabou se tornando um dos mais esperados. Vou tentar falar um pouco sobre ele, sem dar spoilers. Mas atentem-se, caso vejam um [SPOILER], já sabem né?

Bom, o que esperar de Darkest Hour? O filme é dirigido por Joe Wright, para quem não conhece, ele é o mesmo diretor de Orgulho e Preconceito, Anna Karenina, e também do tão comentado episódio de Black Mirror: Nosedive. Só por aí já sabíamos que seria uma obra-prima. Joe nos traz uma espécie de biografia diferente de Winston Churchill, mas não o tipo de biografia que estamos acostumados, que aborda a vida inteira do personagem, Darkest Hour nos remete apenas a uma parte da vida do homem: o início de seu mandato como Primeiro-Ministro.

A Inglaterra vivia a Segunda Guerra Mundial, e o atual Primeiro-Ministro foi deposto, que é quando Churchill entra em cena, tentando combater a ameaça nazista que está tomando toda a Europa. Seus companheiros de gabinete começam a pressioná-lo para fazer um acordo com a Alemanha Nazista, comandada por Hitler. Suas tropas, assim como as francesas, que estavam no continente para ajudar, acabaram ficando encurraladas em Dunkirk, uma cidade francesa. Temos aqui o nosso paralelo com o filme do Nolan.

Para quem assistiu Dunkirk sabe que [SPOILER] as tropas francesas e inglesas ficaram presas na praia, sob ataque alemão, e sem conseguir partir em retirada, afinal, todas embarcações eram afundadas pelos caças nazistas que sobrevoavam a região de tempos em tempos. Eles só conseguiram ser evacuados (no caso, as tropas inglesas) quando barcos de civis foram pegos pelo governo para busca-los, já que os grandes navios estavam sempre sendo bombardeados. O filme (Dunkirk) mostra a guerra que estava acontecendo com paralelo com o momento que vivia o governo inglês com a tomada de posse do Winston. Ambos acontecem ao mesmo tempo. [FIM DO SPOILER].

Mas Churchill não se rendeu, e fez o seu tão conhecido discurso:

“Continuaremos até o fim. Lutaremos nos mares e oceanos, defenderemos nossa ilha a qualquer custo. Lutaremos nos campos e nas ruas, nunca nos renderemos e mesmo que esta ilha ou grande parte dela estivesse subjugada ou passando fome, então continuaria a luta, até que, quando Deus assim quiser, o novo mundo, com todo o seu poder e pujança, se disponha a acorrer para a salvação. Nós nunca nos renderemos!”

É apenas uma parte de todo o grandioso e histórico discurso, mas Churchill sabia que, se prosseguisse com aquela guerra, a dor e sofrimento seriam algo inevitável, mas ele tinha que defender a liberdade. A sua decisão fez a população inglesa enfrentar cinco anos de luta contra a crueldade e o país manteve-se firme na defesa de seus princípios, nunca se rendendo.

Como dito, o Primeiro-Ministro é interpretado por Oldman, que fez um trabalho incrível, e está sendo reconhecido. Depois de algumas dezenas de filmes, acredito Gary chegou ao ápice de sua carreira com esse longa, onde o roteiro caiu como uma luva em seu colo. Arrisco-me a dizer que o ator não só atuou e interpretou, como também viveu Winston Churchill, em seus trejeitos, seus tiques, sua forma de falar, e até mesmo na sua postura. O trabalho foi de uma entrega pessoal onde eu não espero menos do que o Melhor ator do ano. E PASMEM, ele conseguiu passar todo expressionismo do Primeiro-Ministro, como quilos de maquiagem na cara. Com toda certeza, Gary Oldaman foi a cereja do bolo. Sou formado em The Crown, e duvidei muito quem alguém pudesse fazer um Winston melhor que o John Lithgow, mas paguei minha língua.

As atuações foram sim o ponto alto, mas não seriam a mesma coisa sem o impecável trabalho das equipes de maquiagens e figurinos, e quer saber o motivo? Gary Oldman está  I R R E C O N H E C Í V E L. Mas não só ele, a equipe toda mergulhou de cabeça nos anos de 1940 e trouxeram para atualidade todas suas melhores roupas. Até mesmo os cabelos dos personagens, os móveis em cada cena, o gabinete político, tudo nos leva em uma viagem para a época onde aconteceu. Devo admitir que não me surpreenderia se esta equipe deixasse o Oscar com este troféu também.

Devo elogiar também a incrível fotografia deste filme, que fez muito jus ao seu nome e deixou a maioria das cenas com uma carga escura, pouquíssima luz, e quando surgia algum foco, era sobre o personagem de destaque, nos mostrando onde deveríamos prestar atenção. Houve uma cena de iluminação vermelha, fugindo do padrão (que foi inclusive uma cena ótima), mas no restante do filme temos sempre um padrão de escuro com focos de luz contrastando. Sem contar os enfoques no Churchill, o posicionamento de ter um enquadramento dentro de um enquadramento, como no caso do corredor, principalmente. Foi um belíssimo trabalho.

Como já dito, o filme é como se fosse uma biografia temporária, então o seu foco é inteiramente voltado para o Winston, e são pouquíssimas as cenas que não temos sua presença. O desenvolvimento do personagem foi incrível, e nos entregou algo acima do esperado. Entretanto, por ser um filme SOBRE o Churchill, tivemos pouquíssimo foco em outros personagens, que quase não foram trabalhados, e não tiveram o desenvolvimento necessário.

O filme em si tem uma pegada bem lenta, e como é um fato histórico conhecido, não tem aquela tensão da surpresa no final. A carga emotiva do filme não é grande, sendo o seu maior momento o discurso. O filme é extremamente político, como nas cenas de debate no gabinete. Se você procura por um filme com desenvolvimento rápido e que prende o espectador, este não é o certo. Possui um grande foco no fator histórico, e suas melhores características ficam por conta da parte técnica e dos atores. Quem curte um filme de época com acontecimentos que mudaram o destino do mundo, com certeza vai curtir. Para mim, é um dos melhores do ano.

Talvez Você também goste de...

24.02.2019 Cine Panela: Vice

gostou da matéria? deixe um comentário!

João Pedro

Canceriano de 20 anos localizado no Mato Grosso. Fã de divas pop, porém viciado em muitas bandinhas indies também. Assisto séries e filmes em horário integral, e estudo Direito nas horas vagas.

Tema por Gabriela Gomes Todos os direitos reservados ao Panela de Séries