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Especial: Melhores Filmes de 2018

Olár pessoas cinéfilas fãs do Tarantino e que acham o Donnie Dark conceito. Mais um ano se encerrou e chegou aquele momento de fazermos listinhas sobre o que de melhor teve em 2018.

Houveram grandes acontecimentos na tela: paramos para ver a guerra de Thanos e o nascimento de uma estrela. No mundo dos super heróis tivemos bastante representatividade o retorno de uma das melhores animações já feitas. Ficamos mudos e cegos para sobreviver, mas chegamos.

Alguns critérios adotados: cada membro da equipe fez sua indicação do filme que não poderia faltar na lista; só valem filmes estreados no Brasil em 2018, seja cinema ou streaming; para tornar a lista mais variada, não incluímos os indicados ao Oscar de melhor filme. Para estes, fizemos uma review separada especialmente para cada um. Os de 2018 você encontra aqui. Os indicados de 2019 iremos soltar dois a cada semana, um na terça e um na sexta, começando de amanhã até a data da premiação, que ocorre em 22/02/2018. Então não deixe de acompanhar no site o especial do Oscar e o que achamos de cada filme indicado.

– The Florida Project – by: Robson

O segundo filme do diretor de Tangerine, Sean Baker (se você ainda não viu essa maravilha toda gravada na câmera de um Iphone acompanhando um dia na vida de duas trans em LA, o que você está fazendo com sua vida?), consolida o diretor e seu estilo como um dos melhores atualmente. Novamente acompanhamos a trajetória de uma classe marginalizada, pessoas que vivem nesses motéis baratos de beira de estrada, especialmente uma mão solteira e sua filha pequena.

O filme é bem realista, das roupas a palheta, e não romantiza a classe baixa, como a maioria costume fazer – oi A Procura da Felicidade. Então não espere ver aqui pobres sonhando em virar ricos ou reclamando de sua posição. É algo tão intrínseco a sua existência, que eles não percebem sua condição. Estão rodeados por maravilhas do mundo capitalista que não podem tocar (a Disneylandia e o carrinho de super mercado são bem representativos aqui), mas nem por isso deixam de se divertir. Existe espaço para felicidade e fraternidade. Mesmo sem governo ou família para estender a mão, eles encontram uns nos outros a ajuda necessária frente a problemas básicos, como alimentação e moradia. Para estas pessoas não há escolha, é roubar e se prostituir ou ser despejada e passar fome. Milk shake e revista de colorir são luxos. Humanidade e inocência não.

A Ghost Story – by: Robson

Aparentemente, o filme acompanha a história de luto de uma mulher ao perder o marido. Só que é bem mais que isso. A partir dessa premissa o filme vai quebrando todas as suas expectativas quanto aos rumos que deveria/vai tomar. O que deveria ser um drama ou terror típico já visto, se torna uma experiencia conceitual surreal, que só vai delineando suas verdadeiras intenções do meio em diante. Então não se assuste em ficar totalmente perdido diante das quebras temporais.

É um filme existencialista, que lembra de nossa mortalidade e como somos insignificantes no tempo espaço. Nada tem sentido. Todos vamos morrer e ser esquecidos um dia. As músicas de Bethoven serão esquecidas um dia, até mesmo os fantasmas, que deviam ser imortais e durar além vida, morrem. Não somos nada. Te deixa numa bad, mas daquelas boas, de aceitação perante a constatação de verdade universal imutável. É como um abraço à solidão e ao vazio existencial.

O filme tem uma das melhores cenas e monólogos do ano, em minha opinião, junto a cena do jantar de The Square (2018): a da festa quando todo o sentido é explicado e levamos um soco no estomago. Outro destaque é a cena estranha agoniante na qual vemos a protagonista comer ininterruptamente por cinco minutos uma torta em silencio. Um filme não convencional que deveria ser visto por todos os mortais.

– Hereditário – by: Rick Souza

O terror psicológico é sempre algo instigante devido às possibilidades e surpresas provenientes da imprevisibilidade do tema. Em Hereditário, a mescla de drama e terror imersos em uma história profunda, misteriosa e assombrosa, fazem com que a obra se destaque no gênero e ganhe notoriedade sendo um grande thriller.

Na história, acompanhamos a família Graham após a morte da matriarca da família. Misteriosos acontecimentos começam a perpetuar sobre eles, até chegarmos a mais um macabro acontecimento que trará o luto e o terror para a casa dos Graham. O filme se destaca devido a grande imersão que ele proporciona aos telespectadores. Ele é um filme sensível, que consegue fazer muito com pouco, que traz o terror de forma simples, sem precisar de recursos forçados. A obra foi feita para nos deixar desconfortáveis, e o roteiro, somado a grande edição visual e sonora, fazem deste um dos maiores acertos desse gênero. Agora, o que torna o roteiro e essa edição tão especiais? A forma que o diretor Ari Aster conduziu o mistério, colocando trilhas sonoras invertidas do usual, bem como a utilização do silêncio inquietante são alguns dos destaques que elevam o filme de categoria. Há cenas em que o completo silêncio nos proporciona mais medo do que um jumpscare. Há momentos em que as situações que os personagens presenciam são tão desconcertantes que nos deixam arrepiados. Há detalhes que dão significado a coisas macabras. Tudo isso vai se ligando e formando a grande teia de Hereditário.

O filme, para mim, veio com uma proposta um tanto quanto parecida com A Bruxa, filme de 2016, mas, diferente desse, Hereditário conseguiu de forma mais convincente e assustadora me cativar e amedrontar, ao passo em que ele colocava a minha mente para funcionar ao tentar desvendar o grande mistério que assola a trama.

Por fim, quero ainda colocar em destaque as grandes atuações desse elenco surpreendente, principalmente a atuação de Toni Collete, que conseguiu extrair todo tipo de sentimento ao ritmo do cabalístico enredo. Uma pena a mesma não ter tido o reconhecimento nas recentes premiações.

Hereditário merece estar entre os melhores filmes do ano de 2018 pela forma visceral que a obra foi construída. A perspicácia, bem como o inquietante e desconfortante conflito de sentimentos que o filme causa é algo de muito mérito, e mesmo não sendo pioneiro, o coloca em posição de destaque diante a tantas outras tentativas falhas do gênero.

– Os Vingadores: Guerra Infinita – by: Thais Pereira

Se anos atrás você pensaria que iriam junta mais de vinte heróis num único filme e que isso daria certo? Bem, a Marvel conseguiu. E como conseguiu! Vingadores: Guerra Infinita foi um dos filmes mais aguardados do ano e com isso criou-se uma expectativa gigantesca em torno do mesmo. Havia o medo de que o filme não atendesse ao que o público esperava, mas com a bilheteria ultrapassando os dois bilhões de dólares mundialmente, acredito que as pessoas gostaram. O filme é a primeira parte de culminação de dez anos do universo cinematográfico da Marvel, o primeiro ponto aonde todos os dezoito filmes anteriores nos levaram.

Vimos primeira parte da saga do titã Thanos reunindo as seis jóias do infinito, para cumprir o seu objetivo: nivelar o universo. Poderia ser algo nobre, se isso não fosse a base de um genocídio na escala de bilhões de vidas num simples estalar de dedos. Nossos heróis se juntam e tentam impedir, mas a ameaça é maior do que eles podem suportar e o pior acontece. Ao estalar os dedos, Thanos faz com que metade do universo desapareça, inclusive grande parte dos nossos heróis favoritos.

Quebrando o padrão dos filmes do gênero, Guerra Infinita mostra a vitória do vilão. E estando de posse de todas as jóias do infinito, Thanos tem um poder gigantesco em mãos e nossos heróis precisarão de muita ajuda para vencê-lo. E pra isso temos uma Capitã chegando por aí, mas isso é assunto para outro especial…

Vingadores: Guerra Infinita é um filme excelente, um dos melhores do ano e chega para mostrar que blockbusters e filmes de heróis, sempre tratados como “inferiores” deveriam ter mais reconhecimento. Não é à toa que esse filme se tornou um marco na cultura pop e vamos lembrar dele por longos anos.

– Aniquilação – by: Rafael Augusto

Aniquilação é um daqueles filmes que a gente precisa sentir algo enquanto assistimos. Nem é uma questão de entender os milhões de possibilidades que as ideias lá apresentadas trazem, mesmo. A questão é que cada uma dessas possibilidades desperta uma sensação diferente e é aí que o filme cresce.

A premissa do filme é alto bem interessante. Do nada, surge um domo em um lugar dos Estados Unidos e todas as tentativas de estudar o que acontece lá dentro não deram muito certo. Nenhum dos cientistas, militares ou qualquer pessoa que entrou lá saiu e a própria transmissão de dados é bem complicada. Ai, o exército resolve mandar uma equipe só de mulheres, achando (ou torcendo) que as coisas vão ser diferentes. E aí que tudo começa a ficar bem mais interessante. Coisas acontecem com as formas de vida que tão dentro do negócio. Mudanças a nível genético afetam tudo, desse plantas até animais complexos.

Sabe aquela coisa de sentir? É muito necessário prestar atenção nos diálogos do filme. Em dado momento, alguém diz que quase ninguém se mata, mas que todo mundo se autodestroi de alguma forma. E a temática da autodestruição, da morte,   de coisas que fazemos mesmo sabendo que fazem mal, tá lá como parte integrante, essencial do filme.

Outra coisa: prestem atenção nos detalhes. De tudo. E inclusive, daria pra falar sobre a forma de distribuição do filme. A ideia do diretor era que o filme fosse lançado nos cinemas, com tela grande, IMAX, e tudo aquilo lá. Porém, o estúdio tinha levado um baque e não tava querendo correr o risco de jogar um filme “tão complicado” pro mercado e arcar com todo o curso de distribuição, resolveu vender os direitos pra Netflix. De certa forma, isso é bom, porque o filme alcançou mais gente do que provavelmente alcançaria no cinema. Mas Aniquilação não foi planejado pra ser visto na tela do celular. Tem coisa demais acontecendo, e de certa forma, tudo é importante. Então, reforçando, prestem atenção no máximo de coisas em que conseguirem.

(P.S. tem uma trilogia de livros e o filme foi baseado no primeiro deles, mas são coisas bastante diferentes. A leitura ainda vale, mas é bom ter esse conhecimento.)

– Oito Mulheres e um Segredo – by: Thais Pereira

Juntar Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Mindy Kaling, Sarah Paulson, Awkwafina, Rihanna e Helena Bonham Carter num único filme, só poderia resultar em algo bom. A versão feminina do já clássico “Doze Homens e Um Segredo” já foi concebido com uma expectativa gigantesca, já que carregava nomes de peso no elenco e podemos afirmar que elas não deixaram a desejar.

A sempre maravilhosa Sandra Bullock consegue nos convencer como uma esperta ladra, que ganha a vida de forma nada convencional, com pequenos (ou não golpes); Cate Blanchett está incrivelmente linda, como o braço direito e melhor amiga que toda mulher pode querer; Helena Bonham Carter entrega uma personagem simples, porém excêntrica, como só ela poderia; Anne Hathaway está estonteante como uma atriz aspirante ao estrelato, com toda o deslumbramento e certa futilidade caracaterísco; mas uma das que roubam a cena mesmo é Rihanna, que mesmo entre esses nomes de peso, não se faz de rogada e entrega uma hacker louca e exótica de forma sensacional.

O plot do filme não é o mais original, ainda mais sendo um filme de assalto. Mas todo o plano e execução do roubo são incríveis e mostra a habilidade de cada uma desse grupo estranho. Desde o planejamento, até a execução, cada uma tem um papel importante e recebem o destaque necessário. Não é porque temos nomes “maiores” no elenco, que as outras se tornam apenas coadjuvantes. Todo mundo aqui recebe destaque, inclusive James Corden, que faz uma participação muito engraçada. (Se era para mostrar empoderamento feminino, poderiam ter colocado a Ellen Degeneres, mas seguimos em frente). Há algumas revelações ao longo do filme que te deixa surpreso e torna tudo mais ainda legal.

Só que como nem tudo são flores, deixo aqui dois pontos fracos do filme:

1. Desde o início fica claro que a personagem da Anne faria parte do grupo e isso tira a surpresa de um dos melhores plots do filme. Se a divulgação tivesse sido feita de uma forma que percebêssemos que ela não era uma das ladras, seria um choque a revelação!

2. Nós descobrimos o destino de Danny Ocean logo no começo do filme e ficamos aguardando que não fosse real. Teve um momento em especial, que todo mundo ficou esperando George Clooney surgir na tela de surpresa, porém não foi dessa vez. Elliott Gould, o eterno Jack Geller de Friends, foi o responsável por aparecer e fazer a ligação entre a antiga trilogia e o novo filme.


– As Menções Honrosas: The Square; As Boas Maneiras; BlacKKKmans; Trama Fantasma; Mamma Mia;

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Autor

Roz

Engenheiro por formação, escritor wannabe por obrigação. Nem exatas, nem humanas, renascentista. Reinventando-se. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. De Pepita a Bowie. De 80s cheese a Sopranos.

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