Amar alguém e ser amado significa muito para mim. Sempre fazemos piadas dessas coisas, mas tudo o que fazemos na vida não é uma maneira de ser amado um pouco mais?” – Celine (Julie Delpy), em Antes do Amanhecer.

Podemos reclamar de clichês, de previsibilidade, da maneira açucarada com a qual eles são abordados e de várias outras coisas, mas de uma coisa eu tenho certeza: todo mundo ama um bom romance. Dos realistas aos contos de fadas, das animações aos live actions, dos dramas de época às sci-fis futurísticas, todo mundo já deve ter torcido para um casal terminar junto, todos já devem ter se sentido representados por algum relacionamento retratado em algum filme.

E é baseado nisso que venho fazer este especial, no mês dos namorados, para tentar exemplificar um pouco da variedade de abordagens que o romance já teve na história do Cinema. Para fazer isso, decidi mostrar alguns olhares diferentes sobre os relacionamentos que costumam ser tocados nos filmes. Então vamos a eles.

O ROMANCE EM SEGUNDO PLANO

Han & Leia

Embora seja uma parte importante na vida de alguns personagens, os romances muitas vezes não são tratados como o objetivo ou como o pilar principal de um filme, sendo assim colocados em segundo plano para uma humanização da história e/ou personagens. Nesse sentido, é impossível não lembrar de sagas famosas como Star Wars e Harry Potter, que costumam sempre manter uma atenção grande para os interesses amorosos de seus personagens, sem necessariamente tornar esse romance no foco do filme.

Outros exemplos: O Clube dos Cinco, Homem-Aranha, Meninas Malvadas e Orgulho e Esperança.

O ROMANCE JOVEM

my girl

Creio que todos nós já tivemos nossas ânsias e expectativas sobre a primeira paixonite e como uma arte que imita a vida real, é claro que o amor jovem e puro não poderia faltar aqui. Muitas vezes ele não passa de uma troca de flertes inocentes que os personagens sequer entendem, mas não deixa de ser um sentimento tão ou até mesmo mais avassalador quanto os que os adultos sentem. E é impossível falar desse tipo de olhar sem falar do filme Meu Primeiro Amor, que mesmo não sendo exatamente uma obra impecável em todos os aspectos, é uma das mais marcantes neste aspecto e a que mais conseguiu transmitir aquele senso de ingenuidade de uma primeira paixão.

Outros exemplos: O Primeiro Amor, ABC do Amor, Os Batutinhas e Moonrise Kingdom.

O ROMANCE “VELHO”

Amour

Se o romance entre os jovens é algo inocente, entre as pessoas mais velhas ele é mais complexo e desafiador, mas não menos encantador. Provando que o romance pode acontecer no mais tardar da vida (ou durar até lá), esses filmes costumam carregar um peso dramático enorme, pois além de enfrentar problemas relacionados aos relacionamentos, a velhice traz à tona empecilhos que complicam ainda mais as vidas dos personagens, além de envolver tudo em uma melancolia quase palpável de tão real. Acho que o exemplo mais impactante que tivemos nos últimos anos foi Amor, uma obra que apresenta um retrato difícil de esquecer sobre como o passar dos anos é um inimigo bastante árduo de se combater.

Outros exemplos: 45 Anos, Simplesmente Complicado, Alguém Tem que Ceder e Amor Entre Ruínas.

O ROMANCE NÃO HUMANO

Walle

De vez em quando, um filme ou outro costuma apostar em personagens não humanos e, portanto, em romances não humanos. Mesmo que haja uma necessidade de antropomorfizar cada um desses personagens para que seja gerada uma identificação com o relacionamento deles, acho que a mensagem por trás disso é clara: o amor é algo universal, pode atingir a todos, sem diferenças de qualquer tipo que seja. Para exemplificar isso, nada melhor do que falar de Wall-E e Eve, de Wall-E, que conseguem ser mais românticos do que certos casais de carne e osso só dizendo apenas uma palavra.

Outros exemplos: Os Muppets, O Estranho Mundo de Jack, A Dama e o Vagabundo e Monstros S.A.

A AMIZADE COLORIDA

Harry & Sally

Poderiam duas pessoas que se conectam intimamente serem apenas amigos? E aqueles que se pegam de vez em quando? Podem realmente manter a amizade sem se envolver emocionalmente? Essas e outras questões de “amizades coloridas” já foram bastante abordadas no Cinema e temos vários exemplares, um deles até ganhou este título! Comumente esses filmes costumam ser óbvios e bem clichêzentos, mas na maioria das vezes são bastante agradáveis de se ver, isso quando não surge uma grande obra como Harry e Sally – Feitos Um Para o Outro, que é o filme que todos os que exploram esse tema querem ser.

Outros exemplos: O Casamento do Meu Melhor Amigo, Amizade Colorida, Será Que? e Sexo Sem Compromisso.

O ROMANCE QUE DESAFIA PRECONCEITOS

BBM

Briga entre famílias, negros e brancos, gays, enfim, todos os casais que desafiam “limites” sociais e/ou são formados por minorias que sofrem preconceitos também ganham seu espaço no Cinema e costumam gerar histórias emocionantes. Nem sempre apostando num final feliz, esses filmes costumam ser carregados de dor e carregam em seus romances a única bolha de esperança e felicidade que seus personagens encontram. O caso mais óbvio, e talvez o mais excelente deles é, O Segredo de Brokeback Mountain, que é facilmente um dos contos de amor “proibido” mais intensos que já vi.

Outros exemplos: Romeu + Julieta, Carol, Longe do Paraíso e Azul É a Cor Mais Quente.

O ROMANCE BREVE

Before Sunrise

Nem todos os relacionamentos duram, por mais especiais ou felizes que sejam, alguns deles acabam em pouco tempo ou nem mesmo chegam a ser concretizados. Estas obras quase sempre terminam com uma despedida de cortar o coração ou terminam em aberto. O filme mais marcante neste quesito é Antes do Por-do-Sol que, mesmo sendo a primeira parte de uma trilogia sobre casal, pode representar o que acontece quando se tem que partir e deixar a pessoa amada para trás. O retrato do dia que Jesse e Celine é tão apaixonante e crível que não há quem não se envolva pela maneira em como os dois se completam e quem não fique triste pela sua separação.

Outros exemplos: Weekend e Desencanto (na verdade, há outros, mas esse trio é tão excelente que citar qualquer outro seria injusto).

A REPULSA QUE VIRA AMOR

Beauty

Quem nunca acompanhou uma história onde o casal de protagonistas se odiavam e depois passaram a enxergar além das aparências um no outro e começaram um belo romance? Acho que todo mundo já viu ao menos um filme assim. E creio que é impossível falar desse tipo de abordagem sem lembra de A Bela e a Fera, uma das mais belas histórias de como o amor pode vir dos lugares menos esperados e surgir da maneira mais pura possível.

Outros exemplos: Como Perder Um Homem Em 10 Dias, 10 Coisa que Eu Odeio Em Você, Orgulho e Preconceito (ok, forcei um pouco, mas tinha que colocar este filme em alguma categoria) e Aconteceu Naquela Noite.

OS TRIÂNGULOS AMOROSOS

Casablanca

Na maior parte das vezes, o romance é formado por duas pessoas, isso todos sabem. Porém, em alguns casos, o coração pode abranger mais de uma pessoa e aí surgem os triângulos amorosos. O caso mais famoso e lembrado da história da Sétima Arte é o de Casablanca, que é o pai dos clichês dos filmes de romance e é um exemplo de como manter o público indeciso sobre para quem deve torcer em um triângulo amoroso. A frase “sempre teremos Paris” é icônica justamente por quebrar expectativas e jogar a responsabilidade da escolha final nas mãos da pessoa inesperada.

Outros exemplares: O Diário de Bridget Jones, Vicky Cristina Barcelona, Amores Imaginários e Enquanto Você Dormia.

A REALEZA E A PLEBE

Titanic

Mesmo podendo entrar na categoria de romances que enfrentam preconceitos, este tipo de abordagem é tão comum, mas tão comum que merece ser separado em uma categoria separada. O mais recorrente é o cenário “garoto rico e garota pobre”, no entanto foi com o oposto que ganhamos um dos maiores romances da história do Cinema. Jack e Rose formam um casal tão clássico e tão marcante que, ainda que alguns acusem Titanic de ser piegas, é impossível falar em romance em filmes sem lembrar quase que imediatamente desses dois.

Outros exemplos: Cinderela, Uma Linda Mulher, Encontro de Amor, Diário de Uma Paixão, Piratas do Caribe e Desejo e Reparação.

 

E esse foram os olhares que decidi detalhar aqui durante este mês dos namorados. É claro que há outros tipos de abordagens para os romances (Namorados Para Sempre, 500 Dias Com Ela, Simplesmente Acontece…), porém creio que essas especificadas aqui resumem bem a variedade de tipos de relacionamentos retratados no Cinema e demonstram o quanto essa arte explora o assunto. Então vamos dar um viva a esse sentimento universal que é o amor e esperar que ganhemos histórias tão maravilhosas quanto aquelas citadas aqui. Por ora é isso e até o próximo especial de cinema do Panela!

Ícaro
Ícaro

Cinéfilo de carteirinha e atual professor de Herbologia em Hogwarts, tem a escrita como uma de suas paixões e acha que o mundo seria um lugar melhor se as pessoas não ligassem tanto para a opinião dos outros.
Deixe-nos um comentário!
%d blogueiros gostam disto: