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Cine Panela: Mank

Crítica sem Spoilers

Dando continuidade ao nossa especial do Oscar, hoje nossa coluna irá cobrir Mank, novo filme do aclamado diretor David Fincher. Seu primeiro filme num hiato de seis anos (o último foi Gone Girl), tempo no qual ele esteve se dedicando a série Mindhunter – inclusive uma excelente série, pena ter sido cancelada.

Pode-se dizer que Mank é diferente do tipo habitual de filme que estamos acostumados a ver do Fincher. Sua especialidade é thrillers, que o consagraram como um dos maiores diretores da atualidade, a exemplo de Seven, Zoodiaco e Clube da Luta. Mesmo assim Mank carrega algumas das características do diretor, como o humor e dialogos rápidos, que vimos em A Rede Social. Na verdade as semelhanças com A Rede Social não param por ai. Mank também é uma biografia de um artista, de certo modo excêntrico, e mostra toda sua luta para construir seu Magnus Opum, assim como as dificuldades para ser creditado como criador da obra.

Mank pode ser considerado um filme chato para muitos. E não sem razão. Dentre todos os indicados ao Oscar talvez seja o mais parado em questão de plot. Praticamente nada a acontece e o único desafio a ser vencido é a construção de um roteiro em tempo recorde. O filme é recheado de fan service e fatos históricos para os cinéfilos de plantão que conhecem bem o período da Old Hollywood, especificamente os anos 30. Então uma boa dose de conhecimento sobre a época ajudam a tornar o filme mais interessante. Talvez seja esse o ponto forte do filme: a habilidade nos detalhes dos fatos.

Na verdade eu diria que a maior preciosidade do filme é Amanda Seyfried. Ela está maravilhosa em todas as suas cenas (que infelizmente não são muitas), e o filme parece brilhar quando ela aparece. Gary Oldman como o personagem principal também faz um bom trabalho, e apesar de haver outros excelentes atores que foram esnobados pelo Oscar, não poderia dizer que foi injusta sua indicação. Ele está ágil, preciso e engraçado na atuação, em um trabalho que poderia sair errado nas mãos de outro ator.

Mank funciona mais como uma ode a Cidadão Kane (considerado o melhor filme já feito), e quem não viu o filme talvez irá perder muito do que Mank significa. As referencias para o filme estão lá, como o uso de iluminação e os constantes flashbacks. Em questão do personagem principal, enquanto Kane vai em busca do poder total, Mank vai se auto destruindo, mas de certo modo sem deixar de ajudar as pessoas ou tentar se reconciliar no final. Uma assistida a Cidadão Kane se faz necessária antes de ver Mank. Faz um bom tempo que vi Cidadão Kane, então pode ser que deixei passar algumas outras analogias.

No fim das contas Mank é um filme muito bem feito e interessante. Funciona mais como Oscar Bait – já que a academia adora filmes que referenciam a Old Hollywood e os detalhes por trás da produção do filme – do que um próprio filme para diversão. Em questão técnica é perfeito, e vale a pena assistir se você gosta da época, de Cidadão Kane e do Fincher. Fora isso, temos outros concorrentes melhore a estatueta, e alguns inclusive que foram esnobados (Never, Rarely, Sometimes, Always), e acredito que suas chances de levar melhor filme são mínimas.

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Autor

Roz

Engenheiro por formação, escritor wannabe por obrigação. Nem exatas, nem humanas, renascentista. Reinventando-se. Inconformista. Cinéfilo. Cosmopolitan. Shitalker. De Pepita a Bowie. De 80s cheese a Sopranos.

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