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The Boys – Season 1 – Os Heróis de uma forma como você nunca viu

E se os mocinhos fossem os vilões?

Com uma temática um tanto quanto áspera, The boys ganhou vida e saiu dos quadrinhos direto para o stream da amazon. A produção que é digna de filme retorna dia 04 de setembro com a sua segunda temporada, e eu tenho certeza que estamos todos ansiosos para ver o que vem por ai depois daquele final simplesmente PERFEITO!!

Garth Ennis é um dos maiores nomes quando falamos de HQ para adultos, títulos como “Preacher” (o meu favorito) fazem parte do histórico desse cara que é simplesmente maléfico em tudo que faz e “The Boys” vem na contramão da estética que empresas como Marvel e DC vendem sobre heróis.

A trama acompanha a jornada de Hughie Campbell (Jack Quaid), um jovem que perde sua namorada em um brutal acidente envolvendo um herói super veloz, o Trem Bala. E em busca de justiça, Hugie logo percebe que existe todo um sistema pensado para inocentar esses heróis que passavam longe de ser como um Superman da vida. Ele entende que a justiça não irá reparar a perda de sua namorada e então ele recorre para a vingança e acaba se juntando a um carinha bem estranho chamado Billy Butcher (Karl Urban), que lhe aborda oferecendo aquilo que a justiça não lhe deu. Daí em diante é só sangue, morte e porrada. E, como a segunda temporada está bem ai nossa porta, eu vou trazer para vocês hoje pontos que fazem dessa, a melhor série de heróis que já existiu. (Os Flash fãs choram com uma coisa dessas).

Sátira x Realidade

Garth Ennis tem como inspiração o mundo obscuro das celebridades para construir sua critica ácida a como pessoa normais são endeusadas e vendidas como produtos. É impossível assistir The Boys e não lembrar como Heróis se tornaram rentáveis para a indústria. A série por várias vezes traz momentos que podem ser facilmente comparados a vida real como, por exemplo, quando a Vought vai apresentar Starlight como sua nova super heroína, dificilmente você não irá lembrar da Gal Gadot sendo apresentada na Comic Con como a Mulher maravilha. Temos também a Vought usando da religião para alcançar um público mais conservador o que logo nos faz lembrar das últimas eleições presidenciais tanto no Brasil quanto no US elegendo Trump e Bolsonaro, ambos com discursos conservadores e a cada episódio que passa a mensagem de Ennis fica clara ao telespectador. Muito além de heróis inescrupulosos, ele quer mostrar como as massas são manipuláveis, os heróis nada mais são do que a personificação da mídia, dos políticos, religiosos e etc… a nossa necessidade de ter alguém como modelo, nos faz eleger heróis e segui-los cegamente como se fossem deuses, mas, eles são pessoas normais, propensas a falhas de caráter e moral e se seduzem com poder. Nós pagamos o preço das imperfeições dos heróis devido a posição de poder supremo que nós mesmos entregamos a eles. Seja nos quadrinhos ou na série, The boys tem muito mais da nossa vida real do que imaginamos.

Ousadia

Logo de cara, The Boys surge com dois grandes desafios. O primeiro é adaptar quadrinhos para TV, uma coisa que acontece muito, mas, dificilmente é feito da forma certa, vide como exemplos The flash, Arrow e Supergirl. Series que também foram adaptadas dos quadrinhos mas que na minha opinião pessoal, falham de forma miserável nessa missão. O segundo é tentar se destacar num universo tão monopolizado por super-heróis que já tem a fórmula do sucesso pronta, e nesse quesito o projeto de Eric Kripke, Evan Goldberg e Seth Rogen não tem medo de trazer uma nova visão para um gênero que já está ficando de certa forma saturado. Eric Kripe tem no seu currículo a criação de uma das séries mais famosas e longas dos últimos anos, ele é o criador de “Supernatural” e tinha como missão dar a The boys um olhar cinematográfico sem perder a sua essência e proposta que é tão única das demais. Ele faz isso muito bem e nós dificilmente conseguimos comparar The boys com qualquer outra produção do gênero.

Elenco

Boa parte do sucesso de uma produção, sem sombra de dúvidas vem do quão envolvido o elenco está com a história, e o envolvimento dos atores com seus respectivos personagens é algo latente na série. O nome mais forte é sem sombra de dúvidas do Karl Urban que da vida ao Butcher e constrói o seu personagem de forma louvável. Eu não consigo gostar do Buchter e inicialmente eu me forçava a torcer pelo sucesso dele porque ele queria derrubar o sistema podre que envolvia os heróis, mas, com o passar do tempo você começa a perceber que ele está ali mais por um interesse próprio do que para o bem comum de todos. E todas essas camadas são graças ao papel brilhante do Karl que entrega tudo o que o personagem precisa e dosa muito bem a quantidade de humor negro que ele carrega. Antony Star não deixa a desejar também e da ao Homelander nuances que vão desde ao herói que todos precisam a um piscopata frio com um olhar de dar medo. Os sete que são a versão da liga da justiça tem todos os clichês que uma história de super herói merece e a Erin Moriarty consegue traçar a complexidade da starlight de forma tão esplêndida que você dificilmente consegue enquadra-la em um padrão como com os outros heróis.

Nível de produção

Erik Kripke recebe todo o louvor por conseguir dar a The boys um ar cinematográfico Pra ninguém colocar defeito. Os episódios são muito minuciosos e detalhados, desde a transição nas cenas aos efeitos sonoros, fica claro que a série está muito acima do que temos hoje nas produções do gênero. Tudo funciona muito bem e a série dificilmente arrasta sua narrativa ou não prende a atenção do telespectador, muito pelo contrário, ela é pensada para ser bem objetiva e muito bem amarrada sem deixar pontas. O gancho do final é a cereja do bolo pra mostrar que histórias de heróis podem ser menos previsíveis do que nós pensamos.

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Dam Souza

Baiano que tem caruru e vatapá no sangue, aquele que é o canto da cidade e só discute com quem entende de Inês Brasil.

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