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Especial: The Haunting of Hill House – Season 1 (Com Spoilers)

Não olhe para trás…

No dia 12 de outubro, a Netflix estreou sua mais nova série de terror que conquistou uma chuva de críticas positivas e consequentemente caiu na graça do público por sua trama muito bem elaborada e por seu terror psicológico e envolvente. The Haunting Of Hill House (em português, A Maldição da Residência Hill) conta a história de uma família que se muda temporariamente para a mansão Hill, que supostamente é amaldiçoada. Lá, a família Crain,, que é composta por Hugh e Olivia Crain, junto com os seus cinco filhos, Steven, Shirley, Theodora, Luke e Eleanor (os dois últimos são gêmeos) vivem as mais diversas e assustadoras experiências sobrenaturais, e em uma noite, algo muito aterrorizante acontece, que faz com que a família tenha que sair de lá.

Após explicar rapidamente a série para vocês, quero trazer aqui alguns tópicos que são mais relevantes, assim como algumas curiosidades e também SPOILERS, então se você ainda não terminou de assistir a série, ou pretende começar, fique ciente que esse texto contém spoilers.

Vamos começar falando pela produção da série, que é maravilhosa e muito bem pensada. Os episódios são separados por passado e presente, e cada um deles é focado em um personagem, sendo disposto em: Episódio 1- Steven; 2- Shirley; 3- Theo; 4- Luke; 5- Nell. Steven é o filho mais velho e quando adulto, se tornou um escritor que fez sucesso com um livro contando as situações que ele e sua família viveram na mansão Hill. Shirley é a filha mais velha, e quando adulta, se tornou tanatopraxista, administrando um necrotério em sua casa junto com seu marido Kevin. Theo é a filha do meio, e quando adulta, se torna uma psicóloga especializada em crianças. Luke e Nell são os gêmeos mais novos, Luke quando adulto se torna um dependente químico, e Nell, que nunca se recuperou dos acontecimentos da casa mesmo quando adulta, tenta reconstruir sua vida após conhecer e casar com seu psicólogo.

Como já dito, os cinco primeiros episódios são construídos com enfoque em cada um dos personagens, o que torna tudo muito interessante, pois podemos conhece-los mais profundamente e saber o que cada um deles presenciou individualmente. Então de forma resumida, Steven em seu episódio apresenta para nós brevemente o acontecimento da última noite da família Crain na mansão. Não sabemos o motivo de eles fugirem de lá, só sabemos que sua mãe, Olivia, não foge junto com eles. Nesse episódio também nos é introduzido a aterrorizante mulher do pescoço torto, um fantasma que somente Nell viu. Ao final dele, descobrimos que Nell morre após voltar para a mansão já no presente, o que deixa aquele gancho gostoso para já fazer a gente querer maratonar a série.

O segundo acompanha Shirley, e mostra algumas experiências sobrenaturais que ela vivenciou, mas nenhuma delas relaciona-se de forma direta com os acontecimentos de Nell.

No terceiro temos Theo, e nele há algumas coisas interessantes, como o fato de ela misteriosamente ganhar ‘poderes’ capazes de sentir os sentimentos somente com o toque, e isso vale tanto para pessoas quanto para objetos. A maneira como ela adquiriu isso é bem assustadora, pois durante a noite, enquanto ela dormia, algo deitou ao seu lado e a abraçou segurando sua mão. Ela acha que é Nell, mas quando se vira não há ninguém deitada junto com ela. Sua mãe, Olivia, conta para ela que isso é algo de família, e que ela, assim como Olivia, é sensitiva.

Ao quarto episódio, acompanhamos Luke e alguns eventos assustadores que se entrelaçam com a trama final da série. Ele foi constantemente assombrado por um fantasma de um senhor de bengala de tamanho incomum. Além disso, ele diz que possui uma amiga na floresta aos arredores da casa, e essa menina se chama Abigail.

Por fim, temos Nell e sua trama envolvendo a mulher do pescoço torto. Descobrimos aqui o motivo de ela ter morrido, e a forma foi a mais inesperada de todas! Após anos sem o aparecimento dessa assombração, ela retorna e misteriosamente mata o marido de Nell. Com isso, ela acaba decidindo voltar para a mansão para enfrentar esse mal de uma vez por todas e lá aparentemente acaba ‘enlouquecendo”, já que a casa muda completamente para ela. Ela é induzida a ir até o topo da escada da casa, e lá, acaba se jogando enrolando seu pescoço em uma corda, quebrando o seu pescoço e morrendo. Entretanto, o plot é revelado quando ela, antes de morrer, aparentemente caí em uma “dobra temporal” (assunto que vou abordar novamente mais a frente) e volta em todos os momentos em que ela viu a mulher do pescoço torto, ou seja, essa assombração era nada mais nada menos do que ela mesma!

Depois desses cinco primeiros episódios, o sexto é sobre o funeral de Eleanor, e esse episódio, diferente dos outros, foi filmado todo em plano sequência, o que mais uma vez mostra como a produção dessa série é incrível. Após isso, acompanhamos a trama que leva ao desfecho da série em quatro episódios, sendo dois desses episódios um sobre Hugh e outro sobre Olivia, e por fim, os dois últimos mostrando o que aconteceu naquela noite fatídica e os segredos do red room.

Aproveitando o gancho sobre essa “dobra espacial” que aconteceu no quinto episódio, tivemos outros eventos que mostram que a mansão tem algum controle sobre o espaço-tempo e sobre a natureza de forma específica. Também no sexto episódio, acontece flashbacks que mostram os Crains passando por uma intensa tempestade que atinge o local. Durante essa tempestade, a energia da casa acaba, e Nell, que estava junto de toda a família, sem deixar rastros acaba desaparecendo. Entretanto, ao final de toda a trama da busca por ela, Eleanor reaparece dizendo que estava o tempo todo na sala junto deles, e que ela gritava, mas eles não a ouviam, ou seja, como se ela estivesse entrado em outra dimensão e por isso eles não conseguiam vê-la. Além disso, a tortuosa tempestade que atingiu a mansão, literalmente atingiu só eles, pois os arredores da mansão estava tudo normal, como se uma leve chuva tivesse caído, mas essa tempestade foi tão forte que estourou janelas e arruinou a estrutura da casa, o que mostra que não foi um acontecimento normal. O fato é, esse efeito de tempo que a casa proporciona, afeta em escala maior Nell e Olivia, que também teve momentos parecidos em outros episódios, como no nono e décimo episódio, em que ela vê tanto o passado quanto o futuro de seus filhos. É difícil achar uma causa para isso, ainda mais que não sabemos a origem da casa, mas o fato é que ela consegue burlar as leis da física e trazer esses saltos atemporais de forma com que se mescle com os eventos sobrenaturais que ali acontecem.

Agora uma curiosidade que envolve a produção, são os easter eggs que a produção deixou para nós durante os episódios da série. Em cada episódio, uma dezena de fantasmas surgem escondidos em locais bem discretos, o que torna a experiência de vê-los desafiadora e ainda mais aterrorizante caso você os encontre. São vários deles espalhados por diversos cantos da casa, alguns aparecem em locais bem fáceis de se encontrar, mas por estar prestando atenção na trama, muitas pessoas acabam não os vendo. Outra coisa bem legal que acontece também, é o jogo que eles fazem com as estátuas da casa, que estão em constante movimento. Elas sempre mudam de posição, e é um detalhe bem sútil, mas que se notado causa alguns calafrios.

Por fim, temos o grande mistério da série, que é o mistério do red room e o acontecimento da última noite dos Crains na mansão Hill. Bom, vamos começar por Olivia, que é a peça chave desse acontecimento. Durante os episódios, pudemos perceber que ela estava cada vez mais se deteriorando mentalmente, isso devido ao fato de ela estar em constante contato com os fantasmas da casa por ser sensitiva. Entretanto, uma força maior acaba tomando conta de seus pensamentos, e essa força é da entidade da senhora Hill, a fundadora da casa que causou inúmeros incidentes quando residia lá. A senhora hill foi capaz de matar seus dois filhos com as próprias mãos, além de ter feito seu marido se matar se “enterrando” dentro da parede da casa. Além disso, ela também matou sua mãe e provavelmente alguns empregados da mansão. Após isso, ela acabou se matando, e essa entidade acabou tomando posse da casa, se tornando a grande entidade maligna que ali reside. Com isso, após Olivia ser assombrada pela senhora Hill, no último episódio descobrimos o que aconteceu após a fuga dos Crain da mansão, que acabou deixando Olivia sozinha ali. Olivia estava totalmente transtornada, e ela havia conseguido entrar no red room, que ao primeiro momento se mostrou ser uma sala vazia com uma pequena mesa de chá no centro. Ela pegou Nell, Luke e a pequena Abigail, que é na verdade a filha da senhora Dudley, e dissuadida pela Mrs Hill, Olivia acaba tentando mata-los envenenados. Entretanto, Hugh consegue salvar Nell e Luke a tempo, mas Abigail acabou tomando o veneno e morre, o que gera um confronto entre eles, por Hugh achar que Olivia enlouqueceu. Após ele conseguir escapar com as crianças, os diversos fantasmas da casa acabam perseguindo Olivia, e chegando no mesmo local em que Nell futuramente se mataria, novamente dissuadida pela Mrs Hill, a matriarca da família acaba se jogando da escada e se mata.

Ao presente, Luke junto com o restante da família acabam voltando para a mansão para tentar acabar com todo esse mal de uma vez. Eles enfrentam novamente os seus pesadelos, mas com a ajuda de Nell, eles conseguem sobreviver às forças da casa, e acabam se desvinculando de uma vez por todas com a mansão. Hugh também teve um papel nesse final, pois ele acabou se entregando a residência, o que pode significar algum tipo de oferenda para que a casa deixasse o resto de sua família sair viva de lá. Ele acaba se confrontando com a entidade da senhora Hill, mas Olivia acaba o salvando, e eles, junto com Nell acabam se entregando ao coração da casa, ou seja, ao red room.

O conteúdo desse quarto era nada mais nada menos do que as necessidades de cada um, e funciona basicamente da mesma forma que a sala precisa de Harry Potter. De acordo com os desejos dos morados, o red room se torna aquilo que eles mais desejam, sendo assim:

  • A sala de leitura de Olivia
  • A sala de jogos de Steve
  • A sala de estar da Shirley
  • O estúdio de dança da Theo
  • A casa na árvore de Luke
  • A sala de brincar de Nell

Todos esses lugares só existiam para cada um deles, e surge de acordo com as necessidades de cada um. O quarto vermelho é como o coração da casa, e é o que acaba por supostamente trazer toda a força da mansão. Hugh se entregar para a casa, e entrar para o quarto junto com Liv e Nell, é um gesto bem simbólico em que ele literalmente está se doando para alimentar a mansão, mas dessa vez, de forma a trocar a vida de seus filhos pela a sua, sem derramar sangue, já que a senhora Hill não conseguiu mais controla-los.

Apesar da série ter terminado de forma bem fechada, a mansão ainda é um mistério para nós, pois não sabemos como surge todo o seu poder e o que o quarto vermelho realmente significa. Caso haja uma segunda temporada, é bem provável que seja algo não relacionado aos Crain, e sim contando a história da mansão e de seus fundadores.

The Haunting of Hill House foi uma grande surpresa nessa fall season, e por todo seu terror e drama, ela acabou por me ganhar por completo, sendo uma das minhas séries favoritas que vi esse ano. Acho que ainda há muito o que se explorar aqui nessa primeira temporada, há muitas teorias decorrentes ao fato de a série ser bem semelhante a filmes como Os Outros e Invocação do Mal, o que traz logo aquele suspense de “será que tudo isso é realmente o que parece ser?”. Uma coisa é certa, os mistérios de Hill House foram inquietantes e assombrosos, e garantiu o espaço da listinha de séries que valem a pena dar uma conferida.  

• Entrevista com Carla Gugino respondendo perguntas importantes sobre a série •

Créditos: A Maldição da Residência Hill // Tradução: Ariane AB

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Ricardo Souza

Tem gente que diz que sou um amorzinho, eu digo que sou um trouxa. Viciado em maratonar séries e ficar na bad depois de assistir tudo em um dia. Amo muito música indie, quando quiser me chamar pra ouvir Florence já sabe onde procurar. Mineiro do interior que não puxa o 'r' quando fala, mas adora um pão de queijo.

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