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Especial: The Post – A Guerra Secreta

“As notícias são o primeiro rascunho da história.”

The Post é um filme mediano. Daqueles que tá indicado a melhor filme porque é dirigido pelo Spielberg e tem um elenco astronômico. A história tem um potencial muito mal utilizado e, falando em indicações não exatamente merecidas, a Meryl Streep passa 2/3 do filme sem fazer por merecer a sua milésima indicação a melhor atriz.

Basicamente, o filme é baseado em uma história real de um jornal americano, o The Washington Post, que recebe uns documentos secretos sobre a presença americana na Guerra do Vietnã e precisa decidir se publicam ou não, enquanto sofrem uma forte pressão do governo Nixon. Só que a história do filme acaba não sendo essa, na verdade. E aí começam os problemas. O Post é um jornal comandando por uma família, e quando o marido da personagem da Meryl comete suicídio, ela passa a ser a dona de tudo. Enquanto tudo isso acontece, o jornal vai entrar na bolsa de valores, com as ações sendo vendidas para o público. Então, o clima de tensão é pra ser imenso. Porém, não é. No começo do filme, isso mal é sentido pelos personagens, parecendo apenas algo de fundo, que tá lá mas que não tem muita relevância no contexto geral. O suicídio é mencionado poucas vezes, sendo tratado como um acidente. A Katherine (Streep) parece não se abalar com quase nada do que acontece, mas a sensação que fica é que o próprio filme não deu esse espaço pra ela.

Além disso, há toda a questão da venda das ações do jornal. É uma atitude bastante arriscada, mas que pode ser a única salvação pra um jornal que já tá ficando pra trás em comparação com os concorrentes. E quem tá chefiando tudo é uma mulher, que não é levada a sério ou tampouco respeitada, inclusive não podendo participar de algumas discussões bastante relevantes.

Mas o maior problema de The Post é a forma como ele é executado. Aparentemente, a ideia inicial era contar a história de um momento específico, porém o filme só ia afetar ou as pessoas que viveram aquele momento de alguma forma ou aquelas que sabem o suficiente da história americana. Então, ficou a sensação quem em dado momento da produção eles resolveram mudar o foco, pra fazer com que a gente se importe com os personagens, pra daí se importar com o filme como um todo. Aí surge a coisa do jornal e da Katherine ter tudo a perder com a publicação da matéria, mas já é meio tarde demais pra rolar alguma identificação. Porém, é nesse momento que a personagem da Meryl Streep cresce e faz por merecer a indicação. Mas veja bem, é uma atuação bem padrão da Meryl, não sendo muito mais do que ela já apresentou até mesmo na indicação do ano passado, em Florence Foster Jenkinks. A questão do suicídio passa quase despercebida durante boa parte do filme, mas é só no fim que se torna uma questão relevante para a própria personagem.

Tem uma parte do filme em que o personagem do Tom Hanks e a da Sarah Paulson tão conversando sobre o peso que seguir em frente e publicar as informações secretas teria pra ele. Aí, ela diz que, por mais que ele tenha muito a perder, a Kay teria muito mais. E daí eu fiquei pensando “o que ela tem mais a perder?”, porque o filme não faz muita questão de deixar claro o que seria essa perda, já que toda a ideia do jornal pertencer à família dela há gerações não foi muito ressaltada.

Mas falando de coisas boas, os fatos reais nos quais o filme se baseia são muito importantes. Quando os documentos que mostravam que os últimos presidentes americanos vinham mentindo pro povo e pro Congresso há décadas vazaram, a decisão de um Nixon que já tava cheio de problemas foi de ir à justiça pra impedir que mais informações fossem reveladas. Só que isso é um ataque direto à primeira emenda da Constituição americana,  que fala sobre a liberdade de expressão e da impressa irrestrita. E como o New York Times já tinha publicado e tinha sofrido uma sanção da justiça, sendo impedido de publicar qualquer outra coisa que tenha relação com o assunto, o Post tava numa situação complicada. Por um lado, tinha os documentos e uma história pra contar. Do outro, tinha a possibilidade de ser processado e, com isso, fazer com que os investidores voltem atrás na compra das ações. Mas a Katherine Graham tomou a decisão correta e autorizou a publicação das informações. E logo em seguida veio Watergate, então…

No fim das contas, o filme é mais uma mensagem de “a imprensa é muito importante” – referência direta a tudo aquilo que tá acontecendo no governo Trump – do que uma ótima obra. Mas vale a pena ver, de qualquer forma, pela importância histórica.

Ficha Técnica:

Nome original: The Post

Gênero: Drama/Thriller/História

Direção: Steven Spielberg

Elenco: Meryl Streep, Tom Hanks, Sarah Paulson, Bob Odenkirk, Alison Brie, entre outros.

Classificação: 12 anos

Duração: 116 minutos

País: EUA, Reino Unido

Ano: 2017

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Rafael Augusto

Um hiperativo que não sabe viver sem ler, escrever, ouvir música, ver séries e filmes, geralmente tudo ao mesmo tempo. Fã de ficção científica, suspense, Stephen King e histórias em quadrinhos.

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