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Especial: The Umbrella Academy, Season 1 (Com Spoilers)

Crescer como super herói é nada menos do que traumatizante.

“The Umbrella Academy”, já no começo do ano, entrou no nosso Panelaço de séries e temporadas mais aguardadas de 2019, e não por menos. Como já deve ser de conhecimento geral, filmes e séries de heróis estão mais em alta do que nunca, e a Netflix não poderia perder seus contratos com a Marvel sem compensar com novas cartas.

A série, que é inspirada na novela gráfica de mesmo nome (escrita por Gerard Way – vocalista do My Chemical Romance -, e ilustrada pelo brasileiro Gabriel Bá), conta a história de 7 irmãos adotivos que cresceram como super heróis, mas ao longo dos anos foram se distanciando, até restar apenas uma relação familiar extremamente quebrada.

Antes mesmo do início da série, já nos trailers, tínhamos conhecimento que o mundo estaria prestes a acabar em 7 dias. E o que nos foi vendido foi uma história frenética sobre como impedir o acontecimento, que parece ser iminente.

E bem, não foi exatamente isso que recebemos no produto final, sinto em dizer. A história é muito boa, as adaptações feitas das HQs para a série foram muito acertadas, os personagens são interessantes e o potencial era realmente incrível. No entanto, eu sinto que tentaram demais complicar uma premissa muito simples.

Fazer uma série de 10 episódios sobre 7 dias realmente parece ser complexo. Mas o excesso de acontecimentos que não acrescentam muita coisa à história principal acabou sendo um tanto quanto exaustivo. Durante, pelo menos, os 7 primeiros episódios não muita coisa aconteceu efetivamente.

Sabíamos da ameaça do fim do mundo, sabíamos que o Five tinha ido ao futuro e vivido muita coisa. Mas haviam muitos contornos para entregar algo diretamente impactante para o desenrolar do enredo. E isso tornou minha maratona bastante maçante, por muito tempo.

Mas eu segui adiante, pois, apesar da minha severa crítica ao “complicar o simples”, Umbrella Academy brilha em desenvolver – quase todos – seus personagens. E além disso, a escolha do elenco não poderia ter sido melhor.

O garoto Aidan, que interpreta o Five, tem apenas 15 anos, e eu posso afirmar para vocês com toda a certeza que ele carregou essa série nas costas. Em todos os momentos que eu pensei em desistir, foi a minha curiosidade de ver o que mais ele poderia entregar que me fez continuar.

Eu imagino que interpretar um senhor de 58 anos, num corpo de uma criança de 13 não seja simples. Mas o ator conseguiu canalizar essa energia de uma forma extremamente crível, o que me deixou impressionada de verdade.

Outra atuação que merece destaque aqui é a do Robert Sheehan, o Klaus. Esse personagem acabou se tornando um dos mais interessantes e melhores desenvolvidos dessa 1ª temporada. Ele poderia ter caído na vala do clichezão do drogado que se esconde da realidade, mas Klaus se tornou muito mais do que isso.

Carismático desde sempre, ele conseguiu dar uma profundidade emocional maravilhosa para o Número 4, mas sempre sem perder sua leveza. Nós pudemos acompanhar todas as nuances do Klaus e suas angústias em tentar ser melhor. E por fim, conseguir.

Ainda que o plot central tenha sido previsível – MUITO previsível, eu diria – o grupo de irmãos ainda tem um potencial incrível de exploração. Luther e Allison acho que não colou muito, né? Eu não consegui morrer de amores por eles, e acho que o resto da internet sentiu o mesmo. Contudo, Allison e Vanya desenvolveram uma relação muito legal nos capítulos finais e isso sim merece ser notado. Claro, não é uma relação romântica, mas nem toda série precisa de romance para se segurar, e digo com convicção que “The Umbrella Academy” tem potencial para transcender sob isso.

Um dos melhores ganchos para a 2ª temporada, para mim, é o do Sr. Hargreeves. Ao que tudo indica, ele é um alien que veio à Terra com o intuito de reunir esses jovens e prevenir a extinção do planeta. Sem muita explicação, isso nos foi entregue, e agora, eu quero ir bem mais afundo nisso aqui.

Seria interessante mergulhar nas motivações do Sr. Hargreeves, compreender a sua backstory, entender seus movimentos. Ele tinha cada passo planejado, mas ainda assim tudo deu errado. Porém, até que ponto nós podemos afirmar com total certeza que realmente deu errado? E se até essa “falha” tivesse sido prevista, e haja alguma motivação maior por trás?

Eu não li as HQs, então realmente não sei até que ponto posso especular nisso. Mas pensando no universo audiovisual exclusivamente, esse é um gancho que pode render muita coisa, se bem planejado e executado.

Honestamente, eu daria um selo positivo para “The Umbrella Academy”. Acho que acabou sendo uma adaptação válida e que se sustenta sozinha. No entanto, acho que faltou convicção disso na hora da execução.

É um enredo despretensioso, é previsível, é clichê, mas isso não é problema. Dá para criar algo grandioso sem grandes reviravoltas, mas é preciso vestir essa camisa. É preciso ser sincero sobre isso desde o início e trabalhar nas entrelinhas. E todas as tentativas de “The Umbrella Academy” de fugir do inevitável foram bastante falhas.

A série mistura elementos formidáveis de “fantasia e cinismo” que me lembraram bastante “Desventuras em Série”, e acho que esse tom tem que continuar para uma segunda temporada. São personagens excêntricos, surreais, mas que dialogam com o mundo “real” de uma maneira muito orgânica.

E se potencial não for motivo suficiente para maratonar “The Umbrella Academy”, ainda tem toda a questão da parte técnica que simplesmente excede toda e qualquer expectativa. Os efeitos especiais da série estão PRIMOROSOS, é quase imperceptível as transições entre real e computador. O macaco “Pogo” é, de verdade, digno de um filme do “Planeta dos Macacos”, extremamente bem feito.

Além disso, a fotografia é belíssima e toda a produção de arte se preocupou bastante em deixar tudo “nos trinques”. Como já mencionei anteriormente, apesar da história acontecer no nosso universo, tem uma leve atmosfera surrealista, e a arte conseguiu balancear isso de uma maneira muito precisa.

As sequências em que o tempo está parado te deixam realmente impressionado. É quase como uma fotografia que se mexe, e eu imagino que chegar nesse nível de perfeição não foi fácil!

No fim, eu diria que “The Umbrella Academy” é uma boa série, com bons acertos e algumas falhas. Talvez, ela acabe sendo menos do que o esperado. Mas ao meu ver, ainda assim é uma maratona que vale a pena, se você estiver com tempo vago em suas mãos!

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Luana Medeiros

Imagine só que um dia me foi perguntado quem eu era, e juro, até hoje não sei responder. Mas os fatos são: tenho 21 anos; sou de escorpião; amo meu cachorro e meu gato mais que tudo; estudo Rádio/TV/Internet, ouço Maroon 5; piro no Adam Levine; consigo colocar os pés atrás da cabeça; e - contraditoriamente - por fim, nasci de 7 meses.

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