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Game of Thrones – S08E05 – The Bells

E a Daenerys enlouqueceu de vez. Satisfeitos?

É inacreditável o que fizeram com Game of Thrones. Na verdade é inaceitável, porque não é exatamente uma surpresa os rumos que as coisas estavam tomando. Eu sou da teoria que faz umas duas temporadas que a série virou um grande fan service e eles faziam basicamente o que daria mais audiência, não se importando muito com a história que era contada. Mas veja bem, fan service por si só não é algo exatamente ruim, vide o que fizeram em Avengers: Endgame – tudo que a gente sempre quis tava lá e tá tudo (naquelas) bem. Mas aqui, o pessoal se passou e esse episódio foi o ápice de tudo o que não deveria ter acontecido nem de brincadeira.

O maior problema de Game of Thrones foi a incongruência do que eles próprios construíram ao longo dos últimos anos. O Rei da Noite, por exemplo, foi tratado, durante sete temporadas, como o maior vilão que os humanos já enfrentaram. Não é o Norte, não é o pessoal da Muralha; é TODO o planeta. A série foi construída desse jeito, com o primeiro episódio começando com uma menção aos mortos e tudo o mais. Ele foi lá e matou um dragão, derrotou todo mundo que chegava perto dele, assombrava o Bran, coisas típicas de vilão. Aí, o que aconteceu? Ele foi morto, sem fazer absolutamente nada. A morte ter sido pelas mãos da Arya nem é um problema, ela passou anos e anos treinando pra isso, inclusive. Porém, a forma como a morte aconteceu, em um episódio, com uma facada, fez parecer que optaram pela saída mais simples, de deixar todo lance mais humano e menos sobrenatural. Eu posso não concordar com isso, levando em conta todo o universo que foi criado, mas ok, escolhas.

Vou colocar o plot da Dany aqui porque me livro da raiva que tô sentindo. Dá pra começar falando de profecias. Láááá em Qarth, quando a série ainda era boa e a noite era escura e cheia de terrores, a menina viu umas coisas enquanto tava procurando os dragões que tinham sido raptados. Em uma dessas coisas, ela vê o Trono de Ferro, na Fortaleza Vermelha, cercado de ruínas e algo que parecia neve. Hoje, a gente percebeu que a grande real é que não era neve, mas sim cinzas, já que a querida QUEIMOU TODA A CIDADE. Não é só as partes militares, onde tinham inimigos, que podiam fazer mal pra ela ou pro resto da tropa, mas TODA A CIDADE. Crianças, idosos, velhos, homens, todo mundo. Sem dó e nem piedade. Parando pra pensar, vai ter gente que vai vir com “mas pera, ela tinha motivos pra isso, todo mundo em que ela confiava traiu ela, mataram a melhor amiga dela, o fiel escudeiro dela morreu, o homem que ela ama traiu ela e não quer mais saber dela” e seja lá o que vocês criem pra tentar se enganar nisso. Pegando como exemplo a morte do pai do Sam. Ela não tocou fogo nele porque ela não gostava dele, ou porque ela achava ele bobo. Ele se negou a dobrar o joelho, se tornando um inimigo de estado, e foi morto por isso. O Ned fazia isso também, o Jon teve que fazer, não é nada tão incomum. Mas daí pro ponto de TOCAR FOGO NA CIDADE, tendo plena consciência de que Porto Real tava cheia de pessoas inocentes? Tem uma diferença bem grande aí e conseguiram o que queriam: a Daenerys enlouqueceu.

Mas, analisando o que foi construído ao longo dos anos, toda a saga dela, é muito estúpido pensar que ela se tornou essa pessoa, essa mulher emocional que só reage às coisas botando em fogo em todo mundo que discorda dela. É simplista, é idiota, é sem sentido. É incongruente com uma personagem que passou a vida adulta buscando mostrar pros outros que era diferente, que não era aquilo que esperavam que ela seria só porque era uma Targaryen. O negócio da loucura tava sendo introduzido, aos poucos, e os outros personagens tavam percebendo isso? Sim. Mas não quer dizer que isso tenha sido algo legal. Basicamente, ela virou uma personificação do “se não é por amor, é por terror”.

Já o Tyrion, a história dele faz sentido. Ele sempre foi muito mais próximo do Jaime do que de qualquer outra pessoa, então era natural ele querer salvar o irmão da morte e dar uma chance dele ser feliz com a mulher que ele amava (o que também é outra incongruência, mas ok, vamos falar sobre ela também), assim como ele recebeu essa chance. E aí que a Dany é traída, de novo, por uma das pessoas em quem ela mais confiava. Ela não confiava tanto assim no Varys, e ele acabou queimado, mas enfim. E é muito perturbador ver como ele tá perturbado com tudo que acontece com a cidade, enquanto a batalha acontece. Tudo que ele fez era pra evitar esse derramamento desnecessário de sangue e, quando não deu certo (bem errado, inclusive), ele percebeu que o Varys tava certo. Meio que todo mundo percebeu mais ou menos no mesmo momento, na verdade. Inclusive o Jon Snow.

O menino Aegon tá numa sinuca de bico né. Ele não quer mais ficar com a tia, o que é a coisa mais compreensível desse rolê todo, mas ainda respeita e segue a rainha. Só que, ao contar pra Sansa e pra Arya a real ascendência dele, ele quebrou um pedido que a Dany fez. E partir daí, tinha um monte de gente sabendo, o que afetaria a sucessão ao trono. Mas a grande real é que o Jon não quer nada disso. Poucas vezes deixaram ele fazer o que ele queria, na real, e ele realmente não quer saber dessa coisa de ser rei, de ser Targaryen. Ele só quer ser o bastardo que sempre foi e deixado em paz. Mas levando em conta a situação atual, ele percebeu que tudo deu errado. Mesmo tendo combinado o lance dos sinos, de parar e tudo o mais, a Dany olhou pra Fortaleza Vermelha, jogou pro saco qualquer resto de sanidade, e foi queimar a cidade. Aí, o menino Snow viu que as outras pessoas tavam certas. Por mais que ele não fosse a melhor pessoa pra ser rei, a Dany certamente não era a melhor rainha possível. E se a rainha tá enlouquecida, os soldados dela também. Eles atacam guerreiros que tinham se rendido, tentam (e provavelmente conseguem) estuprar mulheres. E cabe ao Jon tentar resolver isso, do melhor jeito inútil dele.

A cena do Jaime com o Euron parece algo que foi tirado de um gerador de aleatoriedade. Colocaram o nome dos personagens em dois sacos e um lugar aleatório em outro e tiraram três papeis de dentro. Há quem diga que pode ter a coisa de “o Euron quer ser pai do filho da Cersei e tudo o mais e o Jaime é o rival”, mas ainda assim, meio sem sentido. A grande verdade é que tudo envolvendo o Jaime não vem fazendo nenhum sentido. Ele teve o MAIOR arco de redenção dessa série toda. Passou de escroto que joga crianças da janela “por amor” pra virar um cavaleiro que, por amor mesmo, dá aquilo que uma das pessoas mais injustiçadas da série sempre quis. Mas daí, pra ele poder morrer junto com a irmã, eles jogaram tudo pro alto e fizeram ele esquecer tudo que passou. Porque, vamos combinar, ele não amava mais a Cersei; a irmã virou um problema que ele precisava resolver. Desde a cena em que ele estupra ela no Septo, pós morte do Joffrey, já dava pra saber que ali não tinha amor, que ali tinha outra coisa diferente. E, ao optar por jogar fora essa redenção, esse amor que ele encontrou na Brienne, pra voltar pra irmã, surge uma daquelas incongruências pesadas.

Mas, pra não dizer que não teve nada bom, QUE COISA LINDA FOI A BATALHA DO CÃO CONTRA O MONTANHA. Arco fechado, redondinho, terminando naquilo que o Sandor mais temia, mas completando a quase eterna busca por vingança. É muito louco ver que a raiva mútua entre os dois era tão forte que até foi o suficiente pro Gregor sobrepujar o modo zumbi que o Qyburn (que morte sem graça, inclusive) instalou nele.

E vocês sabem quem vai matar a Daenerys pra livrar o mundo do mal, né?

 

 

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Rafael Augusto

Um hiperativo que não sabe viver sem ler, escrever, ouvir música, ver séries e filmes, geralmente tudo ao mesmo tempo. Fã de ficção científica, suspense, Stephen King e histórias em quadrinhos.

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