Posts Populares

Grey’s Anatomy – S14E10 – Personal Jesus

Esse é aquele famoso episódio em que literalmente tudo dá errado. Coitada da April!

Nesse episódio, focado na April e como ela foi obrigada a lidar com diversas tragédias em um mesmo dia, tivemos um acontecimento chocante atrás do outro. Grey’s Anatomy já é conhecida como uma série que constantemente traz todo mundo às lágrimas, e com razão, mas desde o começo a série também é marcada por posicionamentos políticos muito progressistas e por abordar questões amplamente discutidas e polêmicas da sociedade. Nas últimas temporadas isso vêm se intensificando ainda mais, principalmente considerando que a Shonda é uma pessoa muito engajada politicamente, assim como grande parte dos atores (cito em especial o Jesse Williams e a Ellen Pompeo, que falam muito sobre racismo, violência policial, feminismo, entre outros).

E nesse episódio tivemos uma abordagem extremamente sensível a respeito da violência policial contra negros nos EUA, e em especial contra jovens do gênero masculino (que são os mais frequentemente atingidos). Seguimos Eric Sterling, uma criança negra de 12 anos que recebeu um tiro no pescoço de um policial enquanto tentava entrar em sua própria casa por uma janela, pois havia perdido suas chaves. Acredito que o nome do paciente (Eric) não tenha sido acidental, pois um caso extremamente emblemático de um homicídio cometido pela polícia contra uma pessoa negra foi a morte de Eric Garner em 2014, um homem de 43 anos que foi abordado pela polícia de maneira errônea e, quando se recusou a cooperar, foi enforcado até a morte pela polícia de New York após repetir por onze vezes a frase “I can’t breathe” (“eu não consigo respirar”). Essa foi uma das principais mortes que impulsionou o movimento Black Lives Matter.

A morte de Eric foi uma das mortes de pacientes mais traumáticas de toda a série, na minha opinião, principalmente porque pudemos ver o sofrimento da família e como os médicos (em especial o Jackson) foram obrigados a discutir várias vezes com a polícia para que o jovem pudesse ser tratado de maneira digna, porque nem as algemas queriam tirar dele.

Mudando de foco, descobrimos (o que já era esperado) que Jo e Alex não foram os responsáveis pelo atropelamento de Paul (ainda bem, porque isso seria um sério problema de roteiro preguiçoso, já que ninguém aguenta mais ficarem o tempo todo usando como plot alguma ligação do Alex com violência). E a storyline do Paul não poderia ter acabado de maneira melhor: ele mesmo acabou se matando após recusar o conselho médico de ficar parado, e tentar levantar para (provavelmente) agredir ou ameaçar Jo e Jenny, bater a cabeça e ter morte cerebral (por efeito de uma concussão logo após outra concussão grave).

A conversa das duas sobre os respectivos relacionamentos abusivos são um ótimo guia para os telespectadores/as identificarem e saírem de situações parecidas, como: o parceiro fazer com que você se afaste de parentes e amigos; duvide de si mesmo/a o tempo todo; seja verbalmente ou fisicamente agressivo, e fazer você acreditar que a culpa é sua, entre outros.

Voltando à April, ela teve um dos dias mais difíceis que alguém poderia ter NA VIDA. Primeiro ela descobre que o Webber passou a competição pra ela somente pra se livrar e poder concorrer, o que foi chato mas nada muito traumático, mas a partir daí é tudo ladeira abaixo. Gostei muito da interação dela com a Karin, porque a atual esposa poderia muito facilmente odiar a ex-noiva de primeira e pedir pra ser atendida por outra pessoa, mas ela foi acima de tudo muito educada em todos os momentos. Precisamos de mais pessoas assim.

E foi de partir o coração a April e o Matthew conversando sobre como ele achou a alma gêmea dele, e como ele estava feliz por ela ter feito o mesmo com o Jackson. Além disso, ele ainda lembrou sutilmente que ela estava grávida e deveria atualmente ter uma criança de três anos, mas todos lembramos que o primeiro filho dos dois não sobreviveu. Várias feridas não cicatrizadas cutucadas no mesmo dia.

Em seguida, descobrimos que Eric está sendo levado pra sala de cirurgia porque a carótida dele rompeu, e ainda leva um esporro da Arizona por não ter avisado de como a Karin estava mal. Ela morre. Eric também morre. E nesse momento eu estava chorando copiosamente sobre o teclado do computador. Por fim, pra acabar com a April de vez, o David, que tentou cortar a própria mão porque “ela o fazia pecar”, começa a fazer várias perguntas sobre Deus e como nós podemos acreditar na Bíblia sendo que a April tinha acabado de dizer que era um bando de metáforas, não as palavras literais e verdadeiras de Deus. Depois dessa, acredito que até o mais fervoroso dos religiosos ia começar a se perguntar sobre o sentido de tudo aquilo.

E depois da morte de Eric, temos as lindas cenas em que o Jackson fala com os policiais que todos nós temos vieses e podemos agir sem pensar, mas isso não pode deixar de ter consequências para os policiais porque eles carregam armas letais. E realmente, as pessoas literalmente MORREM por causa de falhas de julgamento de policiais todos os dias, e parece que nada é feito dentro dessas corporações pra evitar esses desastres. Amém, Jackson. E a segunda cena tristíssima (eu chorei MUITO!) foi a Bailey e o Ben tiveram A Conversa com o Tuck, que para pessoas negras significa ensinar que você não pode sob nenhuma hipótese correr da polícia, ou se comportar mal, mesmo que seus amigos brancos estejam fazendo isso, porque quem vai morrer não são eles.

“You’re amazing and perfect, and I want you to stay that way.”

 

Um episódio desses, bixo?! Vejam abaixo a promo do próximo episódio, e me falem se também choraram com todas essas tragédias. Até a próxima review!

gostou da matéria? deixe um comentário!

Isabella Oliveira

Poderia estar matando ou roubando, mas provavelmente levaria pouquíssimo jeito para a coisa, daí eu faço Direito. @brockhxmptxn no Twitter.

Tema por Gabriela Gomes Todos os direitos reservados ao Panela de Séries