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Grey’s Anatomy – S15E19 – Silent All These Years

Sobre consentimento, abuso, estupro e sobrevivência.

Disclaimer importante: Se você ou alguém que você conheça sofreu ou sofre abuso sexual ou estupro, ligue para o número 180 (Central de Atendimento à Mulher), ou procure a Delegacia ou Delegacia da Mulher mais próxima de você, preferencialmente o mais rápido possível após o crime para que sejam tomadas as medidas emergenciais de saúde e legais. Você não é obrigada(o) a iniciar uma ação penal se não quiser, mas é imprescindível em caso de estupro com penetração tomar a pílula do dia seguinte e um coquetel de profilaxia para evitar HIV, hepatite e outras infecções sexualmente transmissíveis e/ou gravidez indesejada. Procure um(a) familiar ou amiga(o) de sua confiança e SEMPRE se lembre: você não está sozinha(o)!

Agora, vamos ao episódio:

Neste que foi um dos melhores e mais importantes episódios de toda a série até aqui, o que é dizer muito considerando as suas quinze temporadas, Jo foi a personagem central em ambos os arcos mais importantes: primeiro, quando Abby, uma mulher com um corte na cabeça chega ao hospital inicialmente sem querer maiores tratamentos, mas que descobrimos logo depois que foi estuprada na noite anterior; e quando é mostrado o que aconteceu quando Jo foi conhecer sua mãe biológica.

Sobre a história de Abby: mesmo quem (felizmente) nunca passou por uma situação horrível e extrema como a de um estupro consegue se identificar, sendo mulher, em algum nível com o caso dela. Ela saiu do trabalho, teve uma discussão boba com seu marido, saiu de casa, tomou um drink e se dirigiu à sua casa novamente. No caminho, foi estuprada. É uma situação que poderia acontecer com qualquer uma de nós, mas o importante é enfatizar que a vítima evidentemente não possui qualquer culpa em uma situação como essa. Se ela estivesse com uma roupa diferente naquele mesmo lugar, ou se não tivesse bebido, ou mesmo se um milhão de outras coisas fossem diferentes, mas ela se encontrasse no mesmo lugar, ela seria estuprada mesmo assim.

Temos, com isso, que a constante aqui não é a mulher (ou pessoa) vítima, e sim o estuprador. Estupros acontecem porque (em 99,8% dos casos) homens estupram mulheres. Porque estupradores existem. É infelizmente muito comum atualmente que vejamos casos de mulheres idosas, ou mulheres hospitalizadas que não possuem qualquer meio de resistência, ou mulheres religiosas que não deixam quase nenhuma parte de seu corpo à vista, que são estupradas mesmo assim. A vítima nunca é a culpada. Jamais.

As posturas da Jo e da Teddy neste caso foram impressionantes, um exemplo incrível da importância da empatia e, sobretudo, de um treinamento médico adequado para lidar com situações como essa. Ambas reconheceram os sinais de abuso sexual e procederam com um protocolo que permitiu à Abby poder realizar o kit pós-estupro após o seu consentimento inequívoco, e, ao fim do episódio, que permitiu que ela tivesse forças para contar ao seu marido o que havia acontecido, e também poder notificar o crime às autoridades policiais. Gostaria de frisar aqui que é realmente ótimo que Abby tenha tido a força imensa de denunciar o crime, mas mesmo que ela optasse por não denunciar, esta seria uma escolha somente dela e que mereceria apoio da mesma forma. Sabemos que a justiça é difícil, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, e que um processo criminal é bastante doloroso para a vítima, mas se houverem evidências materiais (daí a importância do kit) ou testemunhas, é mais do que possível conseguir justiça. Espero que ela consiga.

Continuando: a história de Abby afetou Jo especialmente pois pouco antes de sua entrada no Hospital, Jo havia ido conhecer pela primeira vez a sua mãe biológica. Impossível imaginar o quando deve ter doído ver sua mãe em uma linda casa, com um marido, um cachorro e dois filhos, e aparentemente feliz, considerando tudo que Jo teve que passar na vida para conseguir algo semelhante. Após uma conversa num restaurante próximo, Jo ainda descobre que sua mãe a teve como fruto de um estupro que sofreu no início da faculdade.

Com certeza vai ser muito difícil para Jo superar toda essa situação e conseguir falar com Alex sobre isso, mas deu pra ver ao final do episódio que ela já conseguiu sentir uma considerável empatia em relação à sua mãe, e nós também conseguimos. Afinal, a mulher (Vicki) escondeu a gravidez de absolutamente todos em sua vida, e durante todo esse período e por vários anos ela sofreu de Transtorno do Estresse Pós-Traumático, até que conseguiu apoio psicológico para lidar com isso. Imagino que qualquer pessoa vendo a série consegue imaginar a razão de uma mãe que tem um filho resultado de um estupro não conseguir olhar para a criança sem ser lembrada constantemente do estupro e de seu estuprador. Existem mulheres que conseguem viver com isso, mas não se pode esperar realmente isso de alguém. Claro que a situação em que Jo foi deixada não foi ideal, o que resultou em sua infância infernal e, posteriormente, num casamento abusivo que quase a matou. Toda a situação é horrível, mas Grey’s Anatomy consegue episódio após episódio nos tornar mais empáticos, nos colocando no lugar de pessoas que sofreram traumas horríveis e vendo como elas sobreviveram a tudo o que lhes aconteceu.

E, por fim, Bailey e Warren descobrem que Tuck está saindo com uma menina, o que significa que está na hora de ter “a conversa” com ele. Ben, como sempre, foi simplesmente perfeito decidindo poupar Bailey de ter que passar por esse momento e ensinando de maneira simples e didática a Tuck a importância do consentimento. Basicamente, se todas as pessoas envolvidas não estiverem se divertindo, ou se uma delas disser A QUALQUER MOMENTO que quer parar, não importa o que elas estejam fazendo ou o quanto uma delas estiver se divertindo, o jogo para. Imediatamente. Com respeito a todas as partes envolvidas.

Em resumo: o episódio foi perfeito. Absolutamente sem defeitos, assim como essa temporada no geral. I’m so fucking grateful for my favorite TV series. Fiquem abaixo com a promo do próximo episódio, que parece ser bombástico com a volta de Megan e com Jo lidando com seus sentimentos após conhecer mais sobre sua história:

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Isabella Oliveira

Poderia estar matando ou roubando, mas provavelmente levaria pouquíssimo jeito para a coisa, daí eu faço Direito. @brockhxmptxn no Twitter.

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