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His Dark Materials – S01E08 – Betrayal [Season Finale]

Acho que esse é o ponto, eu nunca me considerei um pai

Antes tarde… que mais tarde! Em tempos menos conturbados do que vivemos atualmente, a HBO em parceria com a BBC concluiu a primeira temporada de His Dark Materials. A super adaptação dos livros de Philip Pulman foi muito fiel ao material original, e mesmos nos pontos em que se distanciou o fez de maneira satisfatória.

Um dos muitos acertos da temporada foi antecipar a história de Will, personagem que somente é apresentado no segundo livro da série, mas que tem tanta importância quanto Lyra para a trama. Nos livros a história do garoto é contada aos poucos no segundo volume e que talvez não funcionaria para a narrativa da série, isso sem considerar que foi possível explorar melhor o personagem, aprofundando a relação do menino com a mãe, o desaparecimento do pai e a forma como ele teve que amadurecer rapidamente.

Outro acerto foi trabalhar os personagens de Lorde Asriel e da Sra. Coulter, no filme de 2007 nos deixa com a impressão de que um simplesmente representa o mal e o outro o bem criando a falsa impressão que todas as atitudes de um são nobres e corretas e a do outro são cruéis e visam prejudicar alguém, na realidade ambos os personagens possuem uma ambiguidade que é essencial para a trama, a série construiu bem a narrativa que ambos possuem um objetivo com seus respectivos trabalhos e não medirão esforços para atingir seus objetivos. As duas abordagens foram escolhas de roteiro, porque ainda que James Mcavoy e Ruth Wilson estejam impecáveis na série (tenho que enaltecer Ruth Wilson mais uma vez, que mulher!), Nicole Kidman e Daniel Craig fizeram um belíssimo trabalho no filme.

Após os desdobramentos das ações de Lyra que resultaram não só na completa destruição do trabalho de sua mãe em Bolvangar, como ajudaram seu pai a não só se ver livre e Iofur trouxeram exatamente o que ele havia pedido, uma criança.

A interação de Lyra com Asriel contrasta bem com a primeira interação que presenciamos lá no primeiro episódio, ainda na Faculdade de Jordan. Lá Asriel ainda era apenas o Tio de Lyra e ela não havia passado por todos os percalços de sua jornada para o norte. Dessa vez vemos a mesma Lyra atrevida, mas dessa vez a garota já não busca mais respostas, o que não impede que ela seja surpreendida mais uma vez ao ser rejeitada por Asriel. Provavelmente nunca veremos o amor paternal de Asriel, pelo menos não da maneira que esperamos, Asriel se preocupa com Lyra o suficiente para mantê-la segura, mas ela não é suficiente para impedi-lo de alcançar suas ambições.

Ao mesmo tempo que descobrimos as intenções de Asriel, descobrimos que seu trabalho está intimamente ligado ao de Coulter, enquanto ele acredita que o Pó é a chave para destruir não só o Magisterium, mas também toda a fé na Autoridade, ela acredita que o Pó é a origem de todo o mal que corrompe a humanidade e portanto deve-se buscar uma forma de impedir que a ele afete a humanidade, temos aqui a clara crítica a igreja católica e a justificativa para o Vaticano não ser fã da obra de Philip Pulman e afirmar que o filme de 2007 não deveria ser lançado no natal devido a sua temática “antinatalina”.

No clímax do episódio, Asriel sacrifica Roger para abrir um portal entre dois mundos, Coulter chega a tempo de tentar impedi-lo de cruzar o portal, ele então tenta convence-la de acompanha-lo na jornada entre mundos, mas ela não aceita e ficamos sabendo que Lyra de fato é uma prioridade maior que as descobertas cientificas para Coulter.

Se o encanto de Lyra com Asriel foi desaparecendo conforme ela foi conhecendo o pai a morte de Roger foi o ponto final, Lyra está disposta a frustrar os planos dele e vingar a morte do amigo, ela, junto a Pan, cruza o portal entre os mundos, abrindo caminho para os acontecimentos do livro seguinte.

Em outro mundo acompanhamos o Will, a temporada toda a história de Will foi secundária, ainda que seja muito importante, os fatos que cercaram o garoto não eram o foco e sim os que cercavam Lyra, no entanto não podemos ignorar alguns acontecimentos.

Desde que deixou sua mãe em segurança Will vaga por Londres e nesse episódio o vemos cruzar um portal, mas o que é mais intrigante é que cada vez mais vemos a ligação de Will, seu pai e Grumman, um explorador que morreu no ártico. É essa a ligação mais importante do arco de Will e Boreal acaba de confirmar suas suspeitas, will é a chave para encontrar Grumman e suas descobertas.

De maneira geral eu gostei muito da primeira temporada de His Dark Materials, muito fiel aos livros, a história foi bem trabalhada e me deixou muito curioso para a próxima temporada. Para mim as destaques da série são Dafne Keen e Ruth Wilson que deram vida perfeitamente as suas personagens, gostaria de destacar também Lin-Manuel Miranda, ainda que a primeira imagem de Lee Scoresby que me vem a cabeça seja a de Sam Elliott, Lin nos entregou também um trabalho incrível que assim como Elliott entrou para o imaginário dos fãs da saga.

E vocês, o que acharam? Para quem já leu a saga, estão contentes com a adaptação até então? E quem ta conhecendo a série agora? Até a próxima temporada!

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Felipe Tanabe

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