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Into The Night – Season 1 – A Nova Série de Mistério da Netflix

Uma série sobre aviões e mistérios (não, não tem nada a ver com Lost)

Séries abordando um evento apocalíptico e acompanhando um grupo de pessoas sobrevivendo a ele não são exatamente novidade, a todo momento somos apresentados a uma novíssima ficção cientifica que promete ser o mais novo sucesso dando uma nova abordagem a derrocada da humanidade. Into the Night, série Belga produzida pela Netflix e lançada em maio deste ano, não se propõe a ser a mais nova ficção cientifica de sucesso, por isso não foge dos clichês, no entanto isso não é uma coisa totalmente ruim, ainda que não traga nenhum elemento novo a série cumpre seu papel de entreter

Logo de início somos lentamente apresentados a um seleto grupo de pessoas que aguardam no saguão do aeroporto de Bruxelas, dentre esses se destaca Terenzio, um soldado da OTAN extremante nervoso que tenta embarcar em qualquer voo que vá para oeste. Pouco a pouco vamos recebendo pistas de que algo está errado, uma passageira que subitamente perde contato com a sua amiga que está em Nova York e um telejornal interrompido pois o apresentador desmaia em frente a câmera.

A aventura realmente começa quando Terenzio percebe que o evento apocalíptico tema da série chegará a Bruxelas em pouco tempo e para se salvar seria necessário tomar uma atitude drástica. Munido com a arma de um soldado que ele nocauteia no saguão de embarque ele sequestra um avião que iniciava o embarque. Contando apenas com aqueles que já estavam a bordo da aeronave, o copiloto, uma aeromoça, dois funcionários do aeroporto e um pequeno grupo de passageiros da primeira classe, Terenzio ruma a oeste.

A série tem um ritmo intenso, a todo momento os sobreviventes tem de enfrentar algum problema ou conflito, seja um rádio quebrado, um dano no avião, a consequência de uma atitude mesquinha de algum deles ou a falta de informações sobre o que está acontecendo com o mundo, além disso cada episódio deixa um gancho instigante que desperta a curiosidade pelo próximo episódio, elementos suficientes para quem, como eu, adora maratonar séries.

Ao mesmo tempo que o ritmo da série não nos deixa desgrudar os olhos da tela um segundo sequer, ele acaba por ser um grande problema para o desenvolvimento dos personagens, a ação constante impede que seja adicionada qualquer profundidade aos personagens, deixando-os unidimensionais (a menina rica e mimada, o homem reclamão e preconceituoso, o homem com um passado misterioso, mas que na verdade é gentil, a mãe que fará de tudo por seu filho doente, etc), a única motivação do grupo é a sobrevivência e os conflitos são gerados exclusivamente em torno dela, não permitindo que questões mais profundas que a solução do problema que se apresenta sejam trabalhadas.

O ritmo acelerado ainda cria outro problema, na mesma velocidade que problemas e conflitos são criados eles são resolvidos e nem sempre de uma maneira crível, uma série de coincidências acaba por ajudar a soluciona-los, seja um dos passageiros tem uma habilidade especifica para aquela situação ou seja a localização de recursos que não deveriam estar disponíveis tão facilmente.

Outro ponto que incomoda é a facilidade que certas tarefas são empenhadas por passageiros que não deveriam saber como realizar esse tipo de tarefa, um ex-piloto de helicópteros pousar sozinha um jato comercial, uma enfermeira que trabalhava como cuidadora realizar um procedimento cirúrgico sem qualquer auxilio ou mesmo uma pessoa comum, sem qualquer experiencia prévia, reabastecer um avião.

A série ainda tem algum mérito por abordar temas mais complexos como a xenofobia e a islamofobia, mas o faz de maneira tão superficial que esses temas sequer chegam a ser discutidos, sendo apenas inseridos na trama sem ter qualquer repercussão. Já vimos séries do gênero conseguirem abordar os mesmos temas de maneira bem mais satisfatória.

Into the Night definitivamente não será a série cujo o enredo te deixará pensando por horas, o evento apocalíptico não chega a ser complexo, as relações entre os personagens são bem diretas e o roteiro tem uma série de furos que até um espectador menos atento não deixa passar, mas a série te deixa grudado, os seis episódios passam muito rápido e a curiosidade sobre qual será o destino dos sobreviventes ao fim de cada episódio te faz continuar até o final.

Será a próxima vencedora do Emmy? Não, mas com certeza – caso você não esteja procurando uma superprodução e esteja disposto a deixar passar alguns furos de roteiro – garantirá por volta de quatro horas de entretenimento!

Me conta ai embaixo o que você achou da série! Até a próxima!

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Felipe Tanabe

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