Vamos falar sobre a dolorosa história de Rose…

Inicialmente quero informa-los que eu (Andy) ficarei com os episódios de quinta nessas cinco semanas de dor e sofrimento que com certeza Justiça nos proporcionará. Também é válido falar sobre a forma tão linda e crua que assuntos tão reais vem sendo tratados aqui, nos dois últimos episódios vimos a dor de uma mãe ao perder sua filha, o que acredito que seja uma dor imensurável e que não define classe social para doer mais ou menos, já no outro enredo vemos uma mãe injustiçada e arrancada de seus filhos pelos planos de um policial corrupto e safado.
Então gente, como bom pernambucano que sou não vou abrir mão do que a de melhor na nossa língua para comentar esse episódio com vocês, o que acredito que seja ainda melhor para entrarmos na atmosfera que Justiça consegue criar. Vou destrinchar o episódio para vocês e depois a gente faz um debate arretado com a visão desse pernambucano problematizador aqui.
O episódio começa com Rose pegando o gostoso Vladimir Brichta (que é casado com Adriana Esteves), acontece que ela ainda era de menor, mas isso não é problema pra família tradicional brasileira né gente, beijos Verdades Secretas! Logo somos apresentados a Débora, que em primeira impressão achamos que era só uma amiga de Rose, mas descobrimos que ambas cresceram juntas, já que a mãe de Rose sempre trabalhou na casa de Lucy, mãe de Débora e jornalista de classe média, a mesma que interroga Euclydes, pai de Vicente, no primeiro episódio.
Rose e Débora vão até a UFPE faculdade federal ver o listão do vestibular onde descobrem a aprovação de Rose, ela passou em jornalismo e as duas muito animadas vão contar a notícia a Dona Zelita, mãe de Rose. É lá que Lucy dá uma computador para Rose, alegando que agora elas serão colegas de profissão e ainda afirma que o aparelho está totalmente bom, apesar de não ser novo, o que logo vemos que é mentira quando Rose conta a Débora que ele estava cheio de vírus, no caminho que elas faziam até o restaurante em que iam comemorar a aprovação de Rose (prestem atenção nesses pequenos detalhes pessoal). É no restaurante que Justiça mostra a primeira e dura realidade negra no nosso país que ainda carrega tantas marcas da escravidão, numa tentativa de reservar uma mesa, as 22hrs, num restaurante vazio, Rose é impedida pela atendente racista, quando Débora descobre, arma o maior barraco (com toda razão) e as duas conseguem a mesa e ainda um vinho por conta da casa. Eu particularmente fiquei incomodado que Rose não tivesse o empoderamento e tenha precisado de uma mulher branca para “salvá-la”, mas isso é uma coisa que vamos debater mais à frente. É com as duas sentadas no restaurante após a branca salvar mais uma vez o dia, que temos uma frase muito simbólica, dita por Débora, “É a gente quem faz a lei sair do papel” e isso faz completo sentido, podem criar mil leis contra racismo e qualquer forma de opressão, se as minorias não se manifestarem, de nada elas servirão.
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O episódio segue com uma cena linda de Dona Zelita conversando com Rose no “quartinho da empregada” o qual eles dormiam, ela dá dinheiro para a filha comprar todos os materiais necessários da faculdade, que Rose reluta em aceitar por saber das necessidades da mãe, mas acaba aceitando, vemos ai o quão bem essa menina foi criada. E como se não bastasse, Dona Zelita ainda vem com a seguinte frase “Minha avó foi escrava e minha filha vai ser jornalista” essa frase mexeu com meu coração, é por isso que cotas são tão importantes, assim como negros em universidades e em todos os espaços. Vemos em tão imagens do Rio Capibaribe e uma de suas belíssimas pontes a noite, um Recife tão escuro e sombrio como o rumo que aquela história estava tomando, palmas para essa fotografia!
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Então Rose e Débora vão para o rolê de busão, isso mesmo, gente como a gente sabe? É aí que vemos mais das interligações maravilhosas de Justiça, como sabemos o motorista do busão é o marido sem sotaque de Carminha Fátima e elas também presenciam o acidente de Beatriz, a bailarina do núcleo de sexta. O rolê das meninas é um Luau em Boa Viagem, e não sei se vocês sabem mas esses luaus realmente aconteciam por aqui, mas foram proibidos pelos habitantes dessa parte nobre da cidade, assim como na realidade, na ficção esse luau estava repleto de jovens usando “balinhas” e “docinhos”, o que não significa que eles fossem “marginais” gente, eles estavam ali apenas se divertindo.
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As meninas foram ao Luau para comemorar a aprovação de Rose e o aniversario da mesma, quando elas decidem comprar mais “balinhas do amor” com Celso, que é o boy de Rose (e novo Alexandre Ticiano), todos os amigos delas, que por ironia (ou não) são maioria jovens brancos, pedem que ela compre também para eles, além de comprar o “corre” de geral, ela ainda compra pra ela e Débora, que sugere que ela compre mais, além de 2 beck do amor, o engraçado é que quem fica com toda a dorga mais pesada é Rose e Débora apenas guarda os dois beckzinhos. É aí que vemos Vicente no bar de Celso, afogando as mágoas pela falência do pai, só que dessa vez como figurante. Elas voltam a festa mas Rose não chega a entregar o “corre” para os amigos brancos antes que a “poliça” chegue chegando no rolê, já atirando e comandada por ninguém mais, ninguém menos, que o nojento do Douglas, ele mesmo pessoal, o nojento que implantou o tijolo de maconha na casa da nossa amada Fátima Carminha, e como se não bastasse isso, ele começa a revistar só os negros da festa e ainda diz para Débora que “Aquilo era hora de moça direita estar em casa” além de corrupto, ele é extremamente racista e machista.
Enquanto Rose é presa, Débora assiste tudo de longe aos prantos e atrás dela conseguimos ver um figurante bem gato que na verdade é Maurício, marido de Beatriz, a bailarina atropelada, e Débora nem para tentar falar algo com os policiais serviu. Agora com sua filha presa, Dona Zelita decide ir embora da casa de Lucy, que alega que na casa dela elas sempre foram tratadas como da família, como se isso fosse um grande privilégio né gente, afinal ela é muito boa mesmo em tratar duas mulheres que cresceram dentre da casa dela como família, ela merece um Nobel Da Paz por isso! Mas nossa heroína Zelita dá a resposta que todos queríamos ouvir(ou quase todos) “Empregado só é da família quando ainda serve para trabalhar!” Eu vibrei com essa resposta SIM!
Dona Zelita usa o dinheiro que tinha dado a Rose para seus materiais para pagar o advogado e pede para que a filha não se deixe corromper sua personalidade e gente, nós que acompanha Orange sabe que a cadeia pode mudar as pessoas mesmo né? Beijo Piper! “A gente sente o impacto, num é Nicoleen?!”
Então Dona Zelita se levanta e começa a dizer a gritar dentro da cadeia que sua filha tinha sido presa por racismo (e foi mesmo! Tô contigo mulher), mas os policiais logo a reprimem e levam Dona Zelite para longe de sua filha numa cena extremamente dolorosa Crying A River
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Rose passa 7 anos na cadeia, o mesmo tempo que Vicente passou por assassinar uma mulher, mas vamos aos fatos né pessoal, Vicente era um playboyzinho e por “boa conduta” teve a pena reduzida, enquanto nossa única protagonista negra foi presa injustamente e passou o mesmo tempo que ele, mais uma boa crítica e ponto positivo para Justiça. Débora agora casada abre as portas da sua casa para sua antiga amiga, afinal como dito pela mesma ao marido, ela já tinha abordando ela uma vez, não podia fazer isso de novo, já o marido, demonstrou seu mais puro preconceito contra ex-presidiarias, se não tinha racismo ali também, afinal ele tratou Rose com uma frieza surreal, me desculpem, mas eu não fiquei nem um pouco surpreso com a atitude do homem branco. Descobrimos com dor no coração que Dona Zelita havia falecido e Débora era a única “família” que sobrou de Rose. Como não bastasse toda a humilhação que Rose já passou, ela ainda volta para o quarto da empregada em que vivia com sua mãe, onde acha o jornal antigo que tinha sua foto com o título de “Traficante tinha passado no vestibular” mais uma crítica que Justiça se propõe a fazer, enquanto Vicente assassinou brutalmente sua namorada e foi tratado como “Filho de empresário”, ela uma mulher pobre e negra que cometeu um crime menor, é tratada com um dos piores adjetivos. Ponto positivo para Justiça e negativo para o jornalismo! Em meio a tudo isso, Débora ainda tenta justificar o fato de não ter ido entrevistar sua “irmã” nós 7 anos que ela passou presa e a única coisa que se passa na minha cabeça é “ME POUPE!”
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Então Débora decide levar Rose para jantar fora (até porque isso vai resolver toda a mer** que ela fez né) e num flashback descobrimos como ela conheceu o marido, que foi numa festa de caridade, unindo isso a todas as vezes que Débora tentou justificar seus erros com Rose me fazem realmente nutrir um carinho por ela, apesar dela ter vacilado, é nítido o quão mal isso fez a ela também e nos minutos finais do episódio descobrimos que Débora é estéril por uma violência brutal que sofreu, num carnaval ela foi estuprada, por ninguém mais, ninguém menos, que o pintor que estava na casa de Elisa lá no primeiro episódio e aí vemos uma das cenas mais dolorosas e pesadas de Justiça, um estupro tratado da forma mais crua possível, eu como homem já sinto medo de que isso venha acontecer comigo ou alguma das mulheres que vivem próximas a mim, não consigo nem imaginar como uma mulher não deva se sentir diariamente tendo que viver com esse fantasma nas costas prestes a atacá-lá a qualquer momento. E é por isso que precisamos combater a cultura do estupro. Após saber disso Rose sugere que as duas façam justiça (ou vingança?) e numa belíssima atuação de Luisa Arraes, Débora topa ir atrás do pintor estuprador!

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Eu gostaria de abrir um espaço aqui para comentar sobre uma das falas de Rose, já no restaurante ela diz a Débora “Só vim entender que era preta e pobre na cadeia”, e essa frase é simbólica por diversos motivos, mostra a evolução da personagem que antes não sabia lidar com o racismo e agora já entende quem ela é, a toda visão de mundo que ela teve por crescer ao lado de uma menina branca dentro da casa de uma mulher branca e nunca ter percebido de fato o racismo que sofria, além dessa ser a realidade de tantos negros que não percebem toda a opressão que sofrem por diversos motivos, eu mesmo só vim notar que já fui vítima de racismo e como ele me afeta depois de um bom tempo, é válido todos nós, seres humanos, notarmos como o racismo afeta a população negra em tantas formas e muitas vezes até sem se ter essa percepção, resistência negra sempre!
“A polícia não acha porque não quer!” Diz Rose para Débora, em mais uma crítica à polícia, que a prendeu por consumir drogas, em que ela estava apenas se agredindo e na hora de achar um verdadeiro criminoso, muitas vezes dão voz a mulheres violentada e invadidas.
O episódio 3 de Justiça trouxe um Recife sombrio e pavoroso, mostrando um lado obscuro e real que nunca foi mostrado antes numa produção da globo, segundo estatísticas Pernambuco é o 7º maior estado  com taxa de homicídios da população negra, além de que mais de 5 estupros são registrados POR DIA aqui.
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Além de toda a crítica maravilhosamente bem trabalhada, venho elogiar a construção de Rose, a bela trilha sonora da série no geral e as ótimas atuações de todo o elenco. Como pernambucano esse foi o episódio que notei o sotaque mais fiel, claro que tem muito a melhorar de alguns atores e atrizes, mas das duas protagonistas achei maravilhosos, apesar de que para Luisa Arraes esse não deve ter sido um problema tão grande já que ela é filha de pais pernambucanos.
Agora nós resta esperar e ver como as duas vão se vingar (ou fazer justiça), eu já estou louco de ansiedade! Até mais tarde, visse!
Andy
Andy

18 anos, pernambucano, sagitariano com asc e vênus em aquario, lua em câncer! Gente signo é importantee, sou muito loka dos signos sim e apaixonada por cultura pop, além de claro, problematizadora, não pode faltar. Bjxxx de luxx
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  • Clarice Calil

    Não sei oq foi melhor… o episódio ou a review!!! Lacrouuu Andy ♥

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