“Pior do que morrer, é viver-se morto”.

Justiça foi uma das séries (nacionais e internacionais) que mais rapidamente me cativaram! Primeiramente, sou recifense e ver minha cidade tão bem representada é um orgulho. O trabalho de pesquisa realizado pela equipe desta série foi incrível, tudo é incrivelmente verosímil à realidade, desde as expressões de fala à retratação de ambientes e situações.

No primeiro episódio somos apresentados à uma realidade mais elitizada, no segundo nos deparamos com o completo oposto, no terceiro temos um entrelace seguido por um choque dessas duas realidades (Rose chega a dizer “só percebi que era negra e pobre quando fui presa”) e neste quarto episódio vemos a classe intermediária.

Claro que o foco da série não é primordialmente destacar essas nuances, mas o que eu quero mostrar ao apontar isto é que essa produção foi densamente pensada, cada mínimo detalhe, cada ligação, cada situação, tudo em prol de criar algo realístico, o qual possamos nos identificar e sermos tocados pessoalmente. Como estudante de rádio/tv meus olhinhos brilham com cada um desses detalhes lindos; produção, roteiro, fotografia, coreografia, cenografia, trabalho de pesquisa, direção. E sem mais delongas, meus sinceros agradecimentos à essa equipe maravilhosa, já sou uma grande fã!

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Agora, finalmente vamos ao que interessa de fato: o episódio 4! E olha, nos trailers este parecia ser, talvez, o episódio mais denso da série, já que iria falar de um tema muito polêmico, a eutanásia.

Beatriz era a primeira bailarina do principal teatro da cidade, casada com o contador da Boa Viagem transportes, Maurício. Após uma série de acontecimentos interlaçados, Antenor (o sócio da BV Transportes que deu um golpe) está fugindo em direção ao aeroporto e acaba atropelando a bailarina (negando socorro e fugindo) e deixando-a tetraplégica!

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Maurício vê tudo e inclusive o rosto do desgraçado! É uma cena muito forte e que conta com a presença indireta de boa parte dos outros personagens. Elisa está saindo do teatro e entrando no carro, o marido de Fátima estava dirigindo o ônibus que vinha atrás de Antenor, Deborah e Rose estavam prestes a salta do ônibus e Maurício esperava pela esposa do outro lado da rua.

Muita gente reclamou nesse episódio da velocidade dos acontecimentos, dizendo que tudo rolou muito rápido; já que na mesma noite Beatriz sofre o acidente,  passa por cirurgia, descobre que está tetraplégica para sempre e pede pela eutanásia. Sim, de fato, dificilmente tudo aconteceria tão freneticamente na vida real, mas aqui aplicamos a chamada “licença poética”, hahaha. A série precisa de tudo acontecendo na mesma noite e sinceramente, isso não tira nem um pouquinho do brilho desse roteiro!

A cena em que Beatriz pede ao marido para matá-la é MUITO tocante. Imaginem, a moça é bailarina, toda a sua vida gira em torno da expressão corporal, da dança e do movimento, e de repente, ela se vê para sempre presa à uma cama, sem poder mover nenhum músculo do pescoço para baixo. E então, ela diz algo que me tocou profundamente: “o acidente foi eu não ter morrido”, ficou evidente para mim que aquela era a pior situação possível para alguém como ela. Pior do que morrer, era morrer e continuar viva.

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Maurício sabia que não havia nada que ele pudesse fazer, a não ser atender ao último pedido da esposa. Então sim, ele a mata. Em mais uma interligação entre histórias, Maurício vai atrás de Celso (ficante de Rose, o rapaz do quiosque que disse para Vicente ir atrás da namorada, traficante e cafetão da filha da Fátima) para conseguir o “coquetel da morte”, as drogas letais que tirarão a vida de Beatriz, sem dor.

Mesmo Beatriz tendo gravado um vídeo dizendo que PEDIU para ser morta, eutanásia é crime no Brasil e isso resultou na prisão de Maurício (pelo art. 121, mesmo crime do Vicente), no fim das contas. E por fim, temos a prisão do 4º personagem principal da série.

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O mais triste nisso tudo é que Maurício e Beatriz viviam uma vida feliz e realizada, eles se entendiam e se completavam! Cauã e Marjorie deram uma química incrível à seus personagens! A cena em que eles fazem amor foi uma das mais lindas coreografias até aqui! Ao som de “Chão de Giz” (Zé Ramalho), Beatriz e Maurício expõem toda a plástica que envolve seus personagens e deixam explícito para nós como “movimento e expressão” compõem a áurea da Beatriz. Tudo muito bem montado para nas cenas seguintes, justificar a “escolha” de Beatriz pela eutanásia.

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Já preso, Maurício recebe a visita de Celso, que por saber que ele é contador, o mandar entrar em contato com o traficante dentro da prisão para ganhar dinheiro e até ajudar em seus negócios pessoais. Passando os 7 anos de detenção, é exatamente Celso quem busca Maurício na penitenciária e o leva de volta pra casa.

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Maurício agora anseia por vingança, ou sendo mais justa, anseia por justiça e quer ir atrás do VERDADEIRO culpado pela morte de sua esposa, Antenor, que agora é candidato à governador do estado.

O que eu quero saber mesmo é como Antenor se livrou do golpe que deu em seu sócio e agora até um grande político se tornou (não que essa parte de bandido + política me surpreenda)! Vai ser interessante ver o que aconteceu nos 7 anos em que Maurício esteve preso e melhor ainda será acompanhar a busca por justiça dos personagens e as interligações que ainda estão por vir! Não sei vocês, mas eu estou extremamente feliz com a série e ansiosíssima pelos próximos episódios!

Luana Medeiros
Luana Medeiros

Recifense que se importa absolutamente nada com o que pensam a seu respeito, amante e defensora dos animais, completamente apaixonada por Maroon 5 e cheirinho de livro novo. Especialista em festas de um só e cantoria no chuveiro.
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