24 de setembro de 2016
Justiça – S01E19 – Capítulo 19

Tem feridas que talvez nunca cicatrizem…

Olá manes, eu (Andy), estou de volta para finalizarmos o final de Rose e Débora, que acompanhamos nas últimas 5 semanas e já adianto, foi um ótimo episódio. Vamos lá:

O episódio Começa com Rose e Débora na praia, Débora pergunta se Rosé já sente o bebê, mas ela diz que não e Débora diz que está muito feliz por ela e que no final das contas é uma história bonita a dela com Celso e acredita na boa paternidade dele. Rose diz que acha que Débora não deveria ir atrás do estuprador pois isso pode dar em piores consequências e a questiona sobre o que ela vai fazer quando o encontrar, ela diz que vai fazer justiça, que se ela não fizer nada ele não vai parar completando com a frase
“Estuprador não para, precisa ser parado”

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Poltergeist aparece com Jessica vendendo drogas, a polícia chega e prende ela, Rose pega Jessica e diz que ela é sua filha, para que a criança não seja levada ao conselho tutelar. Rose chega com Jessica na casa de Celso e diz que se ele não quiser cuidar dela, ela vai mesmo assim, por isso ser uma dívida dela, e todos nós queremos saber que dívida é essa, o que aconteceu de tão grave com Rose na cadeia que ela tenha essa dívida tão grande a se pagar? Celso topa cuidar de Jessica, sendo fofo com ao dizer “Se isso é uma dívida tua é uma dívida minha também”

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Marcelo e Débora estão jantando em casa e ele conta que a assistente social ligou e falou que tinha uma bebê que foi filha de uma mãe que viveu com HIV e ninguém queria adotar por preconceito, essa é uma realidade triste para quem vive com HIV, as pessoas pensam que o indivíduo está condenado a morte, acha que ele tem AIDS, e esse é muitas vezes o motivo de até mesmo suicídios, um indivíduo que vive com HIV vive bem e normalmente como qualquer um que não viva com essa realidade, ele toma seus remédios normalmente e pode e deve namorar, transar, sair com os amigos, curtir e construir uma família, ser feliz, como qualquer outro, falta informação e as pessoas se tornam ignorantes sobre esse assunto, é muito importante que Justiça se abra a esse debate mesmo que de forma tão rápida e no penúltimo episódio. O nome da bebê é Maria e Débora gostou, ele conta que eles têm que organizar tudo pois a assistente vai lá no dia seguinte, o mesmo dia que Débora marcou de ir atrás de Oswaldo com os capangas que Celso arrumou.

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O episódio segue com Rose acordada no meio da noite preocupada com Débora, Celso acorda e a conforta, ela pergunta se ele a ama e ele diz que sim e que vai dar tudo certo. Débora acorda na madrugada e pega um cigarro na gaveta e vai fumar, vendo o quarto do bebê ela pega um móbile e o instala, ela fica observando ele girar e lembra do segundo encontro dela com Oswaldo, em que ele tentou estuprá-la de novo.

No dia seguinte Débora está observando a rua e Marcelo esperando a assistente social, que tinha marcado ao 12:00, 11:50 chegam os caras que vão com ela atrás de Oswaldo, e ela arruma uma desculpa para Marcelo e vai atrás do cara. Na casa dela a assistente social a espera, ela e sugere que Marcelo ligue para Debora, que ignora a ligação. A assistente social pergunta se Débora realmente quer adotar a criança e ele afirma, fiquei nervoso por Rose não ter ido com Débora atrás desse cara, os caras perseguem Oswaldo, quando ele pensa que os despistou, eles o pegam e temos o encontro dele e Débora. A cena muda para um galpão onde Oswaldo apanha e Débora vê tudo, ele ainda diz que não fez nada, mas ela afirma que é ele.

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Marcelo vai atrás de Débora na escola e descobre que ela foi demitida por ter deixado as crianças sozinhas do nada, Vicente e Isabella fazem figuração, quando Vicente ainda estava vivo, Marcelo liga para Lucy perguntando por Débora, mas a mãe diz que não sabe da filha e questiona se está tudo bem, ele diz sim.

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Cena de Débora ainda vendo Oswaldo apanhar, eles começam a dialogar e ela diz que ali ele não tem voz, que ela quem manda, ele pede para levarem ele para cadeia, que lá vão currar ele, mas ele passa um ano, sai e vai atrás dela, para comer ela de novo pois sabe que ela gosta, é aí que ela perde a cabeça e começa a bater nele com um ferro até matar. Eu sou totalmente contra resolver violência com mais violência, mas foi impossível não ficar satisfeito com essa cena de Débora matando Oswaldo, o cara era nojento e podre, violentou diversas meninas e como Débora disse, ele não iria parar, alguém precisava intervir ele, por mais que esse não seja talvez o caminho certo, foi bom ver ele sofrendo nas mãos de uma de suas vítimas.

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Rose está cuidando de Jessica quando Celso chega e conta que Débora matou Oswaldo na paulada, ela pergunta por Débora e ele diz que não sabe onde ela está. Marcelo chega em casa e ver as roupas de Débora ensanguentada, mas não acha ela ali, ele acha um endereço e vai até lá, o endereço onde Oswaldo foi assassinado por ela, nesse momento eu pensei que se ele fosse preso no lugar dela eu não iria achar ruim hahaha. Ele acha uma carta de Débora no local contando a história da violência que ela sofreu e da busca por justiça dela, confessando que foi ela quem o matou sozinha, sem ajuda de ninguém, cenas de Débora numa estrada sozinha com uma bolsa nas costas aparecem.

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Marcelo vai atrás de Rose e diz que jogou a carta no lixo, que virou cúmplice de Debora, ela diz que a culpa é dela e por incrível que pareça ele finalmente reconhece que nada daquilo é culpa de Rose, ela diz que ele pode contar com ela para o que precisar.

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E antes de voltarmos ao episódio eu gostaria de mostrar essa belíssima Imagem linda do Recife, é o último episódio é essa foi uma das melhores obras já feitas no Nordeste, pela TE Globo, foi gratificante é magnífico ver , finalmente, a cidade que nasci e cresci sendo palco de uma de histórias tão tocantes e tão reais, tão pernambucanas, como as de Justiça.

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Maurício dá a casa dele para Celso e Rose, quando escutam um barulho de tiros, chegando fora do puteiro eles notam que alguém tentou matar Maurício, provavelmente a mandato de Antenor, e Rose perdeu protagonismo até para Maurício no próprio episódio.

A polícia chega no local do crime de onde Oswaldo foi assassinado e Lucy quem vai fazer a reportagem do caso, ela diz que não se formou para isso, e provavelmente nem imagina que esse foi o cara que estuprou a filha, até que ela nota o broxe que deu a Débora e fica claramente desestabilizada com isso, pede para que tirem ela de lá. Talvez finalmente Lucy tenha sentido a dor de Débora vendo essa cena. O mais interessante desse último episódio foi notar a redenção de Lucy e Marcelo, ambos tiveram que chegar a situações extremas para entender tudo que Debora vinha explicando a eles, Marcelo finalmente percebeu que Rose não tinha culpa em Débora querer Justiça e Lucy sentiu um pouco da dor de sua filha ao achar o broche que ela a deu para proteção no local do crime de Oswaldo, é como diz Criolo em Ainda há tempo “As pessoas não são más, elas só estão perdidas, ainda há tempo”.

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Rose, Celso e Jessica chegam na casa que Maurício deu a eles, ela acha a casa linda e ele diz “É aqui que vamo criar nossos menino tudo” e ainda dá um notebook novinho para ela completando com “Jornalista precisa de um computador né” começa a tocar Hallelujah e uma cena linda de Débora na estrada aparece, fechando o núcleo de Rose. O mais interessante na narrativa de Rose é que talvez a autora quis introduzir uma das pautas do feminismo preto na sua história, o qual diz que é uma forma de empoderamento que mulheres pretas formem uma família e se tornem donas de casa, pois a mulher preta é ensinada desde criança a ser forte e trabalhar, portanto quando uma mulher negra decide que vai apenas cuidar de sua casa e de seus filhos, essa é uma forma de empoderamento, por isso muito do feminismo branco, que maioria conhecemos não se encaixa completamente na luta da mulher preta. De qualquer forma Rose foi nossa maior decepção em Justiça, foi uma personagem mal trabalhada e que não contribuiu tanto como poderia ter contribuído, Rose poderia ter ido atrás de Douglas, poderia ter se tornado ativista da causa preta, para lutar contra uma polícia racista. E por mais que Justiça tenha sido incrível, que tenha feito críticas magníficas a polícia brasileira, pecou em se aprofundar no racismo tão presente na nossa sociedade, digo isso pois isso foi o que puxou o início do núcleo de Rose e ter sido deixado de lado da forma como foi, é decepcionante.

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Justiça ou Vingança? Toda a busca de Débora por Oswaldo, em meu ver, entrelaçam essas duas nuances, Justiça pois parar Oswaldo era necessário e a polícia não estava preocupada em o fazer, talvez se Debora o levasse até a delegacia fosse tratada como uma louca e soltasse o cara, como já aconteceu com tantas outras mulheres que não são devidamente ouvidas e vingança por no final ela não ter controlado sua raiva e ter dado um fim a tudo aquilo da pior forma, com violência. O pior é ter visto como nada disso trouxe a paz de Débora de volta, mesmo quando ela está na estrada após tudo, ela parece um tanto perturbada e incomodada, a paz de Débora se foi quando Oswaldo a invadiu, quando ele decidiu que era dono do corpo dela por uma cultura podre e machista, que é a cultura do estupro, toda a crítica de Justiça com Débora foi a de mostrar o quão terrível é a vida de uma mulher violentada dessa forma e como precisamos combater isso, Oswaldo ter sido assassinado não resolve todo o problema, enquanto ele morre, outras milhares de mulheres são estupradas por outros milhares de Oswaldos e eu ficaria muito feliz se isso fosse apenas uma realidade da ficção, mas é doloroso saber que nesse caso a ficção se baseou numa realidade fria e obscura, que é o medo de toda mulher diariamente.

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Por fim, estou maravilhado com essa série incrível e ainda mais por ser uma produção brasileira e se passar na cidade que tanto amo, chamada Recife. É uma pena saber que histórias como a de Rose e Débora sejam tão corriqueiras por aqui, e por todo o Brasil, mas é isso que temos que extrair de uma produção como justiça, indignar-se com essas podridões e lutar contra elas na nossa realidade. Estou morrendo de saudades desses personagens e de ver Recife na TV, personagens tão marcantes e bem trabalhados, com atuações maravilhosas. Obrigado por nos acompanhar aqui no Panela de Séries e que venham mais “Justiças” por aí, um grande beijo em todos vocês.

Gerson Elesbão
Gerson Elesbão

Nem tão complicado demais, mas nem tão simples assim: quebra-galho, colunista e seriador. Dificilmente atualiza o Banco de Séries, mas adora gongar as séries amadas pelo público. @gersonelesbao
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