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Kidding – S01E07 – Kintsugi

Já ouviu falar de Kintsugi?

Jeff está cada vez mais fora de si, ao mesmo tempo que está cada vez mais são. É engraçado como, ao mesmo tempo em que ele se perde na sua própria insanidade, ele passa a conseguir um pouco mais de controle sobre si mesmo. Porque ele não é dono da sua vida, ele não é dono nem da própria imagem. Ele é um bem, um objeto e como tal, é altamente comerciável. E quando ele consegue um pouco de poder sobre isso, é como se ele recuperasse uma parte de si mesmo. Parece complexo, mas não é. Quando foi a Los Angeles para gravar as frases do boneco, ele não quis seguir o roteiro, quis seguir seu coração. Isso mostra um pouco de controle sobre o que é produzido em seu nome, não o deixa na posição passível de seguir ordem. E isso é incrível! Ainda mais para uma pessoa tão passível como ele, é uma pequena vitória e por mais que ele não perceba, precisa ser comemorada. Assim como ele improvisa nas gravações, se recusando a seguir o roteiro feito por terceiros, é como se ele gritasse que ainda tem um controle, ou deveria ter, do próprio programa. Afinal, sem ele não há nada. Pelo menos não tão rápido.

O novo Mr. Pickels do Japão vai até os Estados Unidos para aprender algumas coisas com Jeff e acaba ficando na casa de Dee Dee, porque Jeff não está mentalmente capacitado para hospedar qualquer pessoa agora. Mesmo com dificuldade de comunicação, pelo pouco inglês, Pickles-san e Dee Dee criam uma conexão interessante, ainda mais por ser uma pessoa do outro lado do mundo, mas que em pouquíssimo tempo percebeu todos os problemas da mulher. O diálogo deles através dos bonecos é, simplesmente, arrasador, porque a gente consegue finalmente entender quem é a Deirdre, o que se passa em sua mente, quais demônios habitam sua cabeça. E, infelizmente, as coisas que descobrimos não são as melhores. Deve ser muito difícil para alguém crescer a sombra de outra pessoa e pior ainda e continuar se escondendo a vida toda, por vontade própria. Não ter uma vida para chamar de sua, não ter seus próprios desejos, sonhos, realizações. Viver a vida através de outras pessoas, seguindo as vontades delas, seja casar, ter filhos, ou qualquer outra coisa. Talvez o fato de sempre ter que ser o apoio de alguém, tenha a impossibilitado de nascer para si mesma. Não sou psicóloga, não saberia realmente entender o que se passa com Deirdre, mas o que podemos perceber nessa cena foi um singelo pedido de socorro, de alguém que já perdeu parte da vida, alguém se que perdeu de si mesma, mas que acredita que ainda tenha tempo de se reencontrar. Quando Pickles-san fala sobre Kintsugi, é um real soco na cara, pois cada palavra entre todo todos os espaços do seu corpo e, por favor, não deixem que elas saiam, porque são importantíssimas: “Kintsugi, é a prática de fazer arte, quebrando algo especial e colar os pedaços, com ouro entre eles. Suas cicatrizes não significam que está quebrada. Elas provam que está curada. Quebrar significa cicatrizar.” Por isso que ele entrega uma escultura “quebrada” com remendos de ouro para o antigo Pickles japonês, como uma homenagem.

Ah, confesso que estava tão feliz com a cena de todos reunidos para a ceia de Ação de Graças, porque é um feriado muito significativo para os americanos e todos deixaram as diferenças que poderiam ter de lado, para estarem juntos nesse dia. Jill e Peter, Jeff e Vivian, os ex com seus novos namorado, todos interagindo, sem nenhum tipo de situação embaraçosa. Nas famílias atuais, isso é cada vez mais comum e é incrível. Tudo estava ainda mais legal, porque descobrimos que o tratamento de Vivian deu certo e ela estava em remissão, ou seja, ela estava se curando e não tinha mais apenas seis semanas de vida. Então isso era um motivo ENORME de comemoração. Todos estavam fazendo planos… planos em família. Bem, até que a bomba explodiu e a alegria se transformou em choque. Vivian não queria mais Jeff. Ele servia para quando ela estava morrendo, mas agora que viveria, ele não era mais o bastante. E isso é EXTREMAMENTE injusto. Ele esteve ao lado dela nos últimos momentos, bons e ruins, e, de repente, ele não servia mais. Servia para vê-la morrer, mas não serve para vê-la viver. E o pior: ela o dispensa na frente de todos. O que mais me doeu foi que, em sua passividade e sua grandiosa capacidade de entender o outro, Jeff apenas disse: “Eu entendo, estou feliz por você”. Oi? Mas felizmente ele estava rodeado das pessoas que o amam, e o amam de verdade, porque compraram sua briga e sob uma chuva de xingamentos (merecidos) Vivian é expulsa da casa de Deirdre, deixando Jeff sem chão mais uma vez. Tadinho, o pobre não merece isso.

A venda dos brinquedos é um sucesso e confesso que vi uma referência ao meu filme de Natal favorito ali, quando os pais brigam pelos brinquedos, a ponto de destruírem parte da loja. Só que ainda não sabemos o que Jeff gravou como mensagens e estou extremamente curiosa com isso. E após o término com Vivian, Jeff fica muito mal novamente, a ponto de congelar em frente a câmera e não conseguir gravar quase nada. E pior, tem um agravante: ele será anfitrião de toda a cerimônia que culmina com o acender da árvore de Natal e isso é transmitido ao vivo para o país todo. E eles estão apavorados com as coisas que Jeff pode falar, já que ele não está seguindo nada. E, realmente, ele está com a cabeça em Vivian e, num gesto totalmente altruísta, paga todas as dívidas da mulher, que não tinha medo de gastar dinheiro, já que morreria em breve. Mesmo com o coração partido, abandonado sem nenhum remorso, Jeff ainda se preocupa com ele e isso mostra como ele é um homem incrível. Sim, incrível, mas ainda passível de surtar e é isso que acontece em seguida. O escritório do seu pai é destruído e, talvez, isso faça com que a raiva que ele mantém presa dentro de si se dissipe um pouco.

 

Reveja a cena que me deixou pistola feat chateada aqui:

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Thais Pereira

Feminista, leonina com ascendente em gêmeos e lua em virgem, viciada em memes, em Friends e problematizar na internet. Formada em História da Arte, mas consciente que nunca vai trabalhar com isso na vida. Normalmente eu escrevo e falo mais do que deveria. Eu mesma, Thais Mello.

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