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Kidding – S01E08 – Philliam

Todo mundo tem um limite.

Sabe, assistir “Kidding” toda semana vem sendo, particularmente, quase que terapêutico para mim. A vida geralmente é tão corrida, 24hrs parecem não ser nem suficientes para a quantidade de coisas para se completar em um dia. E daí, chega o fim de semana, e eu finalmente sento para assistir minhas séries.

Para mim, “Kidding” é uma poesia visual. Todos os dramas e assuntos abordados são marcados por tanta sensibilidade e delicadeza. E não só isso. As construções das cenas são lindas também, todo o cenário dialoga intimamente com o que está acontecendo em cena. E as atuações… Um primor a parte.

Acredito que cada pessoa que acompanha a série, já conseguiu se enxergar ali em algum momento. Eu não sei o que vocês viveram, eu não conheço suas cicatrizes, mas eu sei que todo mundo têm uma história, e ela nos trouxe aqui. E o episódio de hoje, mais do que qualquer outro, fez questão de demonstrar tão sutilmente como empatia pode mudar o mundo.

Sabe, é difícil de imaginar o quanto cada um pode aguentar. Dado a exata carga de pressão, pessoas boas podem fazer coisas absurdas, impensadas. Vou dar um exemplo bem pessoal, mas quando eu tinha uns 12 ou 13 anos, eu era realmente incapaz de entender o que levaria uma pessoa a tentar tirar a própria vida. Eu lembro tão perfeitamente de pensar “mas gente, viver é tão bom, tantas coisas para fazer”.

Daí a gente vai vivendo, experienciando diferentes formas de dor, aprendendo um pouquinho a cada volta que a vida dá. Até que um dia, eu vi alguém próximo a mim chegar no limite, e talvez, pela primeira vez eu fui capaz de compreender que não é preciso muito pra corda arrebentar, apenas a combinação perfeita de acontecimentos. E olha, essa realização não é branda, ela ecoa pra sempre.

É como uma equação, mas exclusiva de cada um. Por melhor que conheçamos as pessoas, jamais seremos capaz de absorver completamente suas dores e aflições. Podemos tentar, oferecer a mão, nos colocarmos no lugar. Mas somente quem sente é verdadeiramente capaz de entender.

Jeff tenta sempre ser a melhor versão de si mesmo, mas até ele tem um limite. O episódio inteiro foi baseado no contraste entre a realidade de Jeff e a realidade de Darnell, como esses caminhos se cruzaram e como essas histórias completaram um círculo perfeito quando Darnell estendeu a mão ao Jeff destruído.

A cena da mesa de jantar, onde Phill é extremamente indelicado e Darnell expõe a abrupta distância de suas realidades é extremamente simbólica. Não que Phill não tivesse direito de sofrer, mas às vezes ficamos tão presos na nossa bolha que é difícil de imaginar a dor do outro. E mais do que nunca, acho que essa deficiência de se colocar no lugar do outro está afastando as pessoas.

Ainda nessa cena, a esposa do Jeff o interrompe e apenas diz um “obrigada por entender”, quando perguntado se Jeff poderia comparecer à execução do pai de Darnell. E claramente, mais algumas milhas de afastamento foram colocadas ali. Mas Jeff é a personificação do que deveríamos almejar ser.

Ele não gosta das lacunas, por isso, independente do que tenham dito a ele, ele comparece à execução. E mais que isso, ele consegue enxergar alguém que precisa de ajuda e não tem dúvidas sobre o que fazer quanto a isso. E no fim, tudo chega a um “full circle”.

Darnell não diz uma palavra, apenas estende a mão à alguém chegou no limite.

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Luana Medeiros

Imagine só que um dia me foi perguntado quem eu era, e juro, até hoje não sei responder. Mas os fatos são: tenho 21 anos; sou de escorpião; amo meu cachorro e meu gato mais que tudo; estudo Rádio/TV/Internet, ouço Maroon 5; piro no Adam Levine; consigo colocar os pés atrás da cabeça; e - contraditoriamente - por fim, nasci de 7 meses.

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