Começo, final, meio… O que estamos assistindo?

Em  uma season finale bastante correta e divertida, LOVE se destaca principalmente por saber costurar e aproveitar bem os seus personagens, algo que começou a fazer alguns episódios atrás e seguiu em uma sequência ascendente até aqui. Analisando a série como um todo – e preciso fazer isso no finale – a maior parte dos plots me parece bem encaixado na história principal, e de alguma forma se relacionam com o ‘amor’ do casal principal.

O foco do episódio em si foi novamente Gus e sua situação no trabalho. Ascendendo a escritor e participando de reuniões de pauta, Gus se mostrou bastante imaturo e de certa forma limitado ao seu pensamento pequeno. Apesar das ideias dele serem coerentes e suas intenções muito boas, obviamente você precisa de tato para conseguir prosperar quando você tem uma chance tão rara num mercado tão saturado e concorrido como o de roteirista. A cena de Gus com Arya foi bastante forte, e sensacional se compararmos a trajetória do personagem. Ele tomou conta da sua vida e descontou todas frustrações na menina – com uma dose de humor muito apreciada. A piada com Woody Allen foi um shade poderoso, e divertidíssimo.

Gus ainda tem um momento para ‘concertar’ sua trajetória: resolver o que for que era que ele tinha com Heidi. Aqui ele acaba saindo fragilizado e de certa forma afetado, mesmo que ele sempre soube que o caráter desse relacionamento era apenas superficial, e que não tinha futuro. Mas com o término com Mickey, ele precisava da segurança, ele precisava de alguém ao seu lado, mesmo que não fosse a pessoa certa.

judd_apatow_67332

Mickey, por outro lado, ganhou uma trama um tanto aleatória, mas bastante sincera. A gente sabe o quanto ela está fragilizada ao perder Gus, principalmente por reconhecer que ele é alguém muito especial e com muito amor para compartilhar. Ao perder o gato (Grandpa, adoro o nome do pet), Mickey mais uma vez surta, pois neste ponto ela já não pode se permitir perder mais coisas. E ela também tem sua chance de descontar suas frustrações no abrigo, misturada com a paranóia de que eles estariam matado animais lá.

Agora, a melhor parte de Mickey mesmo foi na reunião do SLAA. Aquilo que comentei nas reviews anteriores, de que ‘faltava alguma coisa’ para que possamos compreender os motivos de Mickey por inteiro finalmente nos é revelado. Seu problemas vão muito além de bebidas, drogas: seu problema é emocional. Ela se encontra agora em meio a tantas histórias e percebe que após todos esses anos, ela não busca amor nas pessoas, ela busca amor em si mesmo. A participação de Robin Tunney foi um ponto bastante positivo – adoro o trabalho dela e acho ela uma fofa. Sua revelação de que está comemorando 1 ano como solteira mexeu com Mickey, que finalmente entendeu que para estar em um relacionamento precisa estar de bem consigo mesma – e resolver seus conflitos.

Para seguir com sua vida, Mickey ainda precisa de uma coisa, algo que em inglês se chama closure. Ela sabe que nunca amou de verdade, com a exceção de Mickey, e para que ela consiga superar isso ela precisa fechar a página com Gus, mesmo que ainda queira continuar esse romance. E ela vai em busca disso, ao ver Gus postar uma foto em seu Instagram identificando onde ele estaria. Gostei da metáfora da geladeira vazia como se fosse um vazio dentro dele, exatamente o que ele está sentindo – e Mickey também. E a cena final dessa temporada fecha com um belo beijo entre os protagonistas, algo bastante precipitado em minha opinião, uma vez que a construção de Mickey e Gus estava indo muito bem. Poderia ter sido trabalhado melhor esse crescimento deles individualmente para então eles ficarem juntos.

Love

Fechando a primeira temporada de forma morna, esse é o melhor adjetivo para descrever a série como um todo. Ela não inovou nem trouxe algo que possa prender o publico e nos fazer identificar com a série a ponto de esperarmos ansiosamente por uma segunda temporada. Ao contrario, sua trajetória foi bastante simples e parece que nunca atingiu ao potencial que se propôs quando veio com a proposta de mostrar o amor pela visão dos dois personagens. Em termos de comédia, a série teve algumas doses bem sutis e apreciadas, mas ainda ficou devendo um pouco. Os dois personagens vieram de opostos muito longes, e ao longo suas características foram se mesclando e se combinando, desenvolvendo os protagonistas – essa é a melhor definição para a primeira temporada, uma temporada para definir seus personagens. Espero que a segunda temporada aproveite todo o terreno que preparou até aqui e nos mostre algo superior, porque ficou devendo muito aqui na primeira.

Amei: os dois protagonistas estão muito bem em seus papéis. Gillian Jacobs é hilária e se sai bem na comédia  – algo que já sabemos de Community(#sixseasonandamovie). Paul Rust veio como nerd, nada atraente, mas mesmo assim pegou as mais gatas da série. Os dois evoluíram ao decorrer da série e são um destaque positivo no final – afinal seguraram a série nas costas. A química entre os dois foi bem construída no inicio, mas por causa da história afastou eles no final. Curioso para entender como vão resgatar isso no futuro…

Faltou amor: edicão final, fotografia, diálogos… A série não teve uma característica técnica muito bem definida e pareceu pouco criativa nesses quesitos que destaquei. Várias cenas mal filmadas, cortes bruscos, diálogos fora de contexto deixaram a série como um todo com uma característica negativa. Isso certamente afastou o público, que procurou uma magia e algo que o fisgasse na série para poder maratonar.

love-netflix-2.0.0

Fernando Zingler
Fernando Zingler

Gaúcho, engenheiro, mestre em Engenharia de Transportes. Ama Zelda, Pokemon e vôlei, e é apaixonado por séries e músicas em geral. No Panela, assim como na vida, fala coisas aleatórias sobre comedias românticas, tipo Modern Family e LOVE, e eventualmente participa da cobertura do The Voice.
Deixe-nos um comentário!
%d blogueiros gostam disto: