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Lucifer – Season 6 – Uma homenagem a toda trajetória da série [Series Finale]

Parceiros até o fim! Com uma temporada que, a cada episódio, trouxe um maior clima de despedida, Lucifer nos deixa com a sensação de dever cumprido.

Diversas séries que fazem sucesso e tem muitos adoradores, exatamente por esse motivo, acabam sendo renovadas sucessivamente e se perdem na própria história. Na minha opinião, Lucifer não é uma delas. A série foi salva pela Netflix após ser cancelada pela Fox em uma terceira temporada não tão memorável. A rede de streaming resgatou o programa e trouxe um novo ar para ele, facilitando seu prolongamento por mais alguns anos.

Lucifer tem um protagonista e uma coprotagonista óbvios e que dispensam comentários, mas o sucesso da série se deve ao elenco como um todo, tão carismático quanto os principais.

Este texto vai ter alguns apontamentos quanto a coisas que poderiam melhorar, mas já aviso logo: como a temporada, que pareceu mais um tributo à série, aqui pretendo fazer o mesmo.

A season começou um pouco devagar, para falar a verdade. Sempre foi um consenso entre os admiradores que a mitologia da série é mais envolvente do que os casos em si. Há muito tempo, eles deixaram de ser o foco principal para serem, apenas, um acessório do show. Nessa temporada não foi diferente. Apesar disso, destaco, no 6×02, a abordagem do mundo das drag queens, que foi ótimo e importante pela representatividade.

A partir de agora e para não deixar nenhum personagem principal sem destaque, vou separá-los por grupos e falar especificamente de cada um, porque a última review de Lucifer merece homenagear todos eles.

Deckerstar, de uma maneira geral, viveu uma lua de mel nessa temporada. Consolidados como um casal, eles evoluíram juntos e seu desenvolvimento foi nítido. Algumas brigas ocorreram, é claro, mas nenhuma que ameaçasse, de fato, o relacionamento que os dois construíram durante esses anos. Foi bonito de ver todos os momentos em que eles se apoiaram e acreditaram um no outro. Mas a temporada não poderia ser só sobre isso e, então, logo no primeiro episódio, uma anja com asas cortantes aparece no inferno querendo a cabeça de Lucifer. Pelos trailers e pelo primeiro episódio, não tinha como imaginar que a jovem – não tão jovem assim – soltaria a bomba que vinha pela frente. Aurora era, na verdade, a filha de Chloe e Lucifer que, ao estar no leito de morte de sua mãe, volta no tempo para matar o pai, achando que ele as abandonou por livre e espontânea vontade.

A história poderia ter ficado sem pé nem cabeça a partir desse momento. No entanto, a condução da narrativa foi cuidadosa, explicando, sem pressa, pontas que poderiam ficar soltas e mostrando gradualmente o porquê de Lucifer supostamente ter abandonado a família e não ter visto Rory crescer. Inclusive, queria destacar as várias cenas dos dois juntos, que nos apresentaram um outro lado de Lucifer que ainda não conhecíamos: ele como pai.

Um ponto importante também foi a vocação do nosso anjo caído favorito. Luci começou a temporada com o objetivo de se tornar, enfim, Deus, mas conforme o tempo foi passando essa ideia parecia cada vez mais distante. Foi maravilhoso quando ele finalmente se deu conta de que seu destino era ajudar almas atormentadas no inferno a se perdoarem. Olhando para trás, realmente isso se encaixa muito melhor com o personagem e sua trajetória.

Também queria deixar registrado aqui como significou para mim aquele final em que Chloe, já com idade avançada, morre e vai reencontrar seu grande amor no inferno para viverem juntos pela eternidade. Na minha opinião, coroou toda a linda história que o casal viveu. Só teria sido melhor se ele tivesse conseguido se dividir entre sua vocação e sua família, mas não se pode ter tudo, infelizmente.

Já no primeiro episódio, Maze e Eva resolvem se casar. O “pedido” acontece depois de uma discussão sobre os parentes de Maze. Infelizmente, Eva apareceu pouco durante a temporada. Adoraria que ela tivesse estado em mais momentos, porque enxergo na personagem um carisma bem grande que chama minha atenção.

Ao falar das duas nessa review, o mais importante é citar como seu ciclo foi fechado da melhor forma. Elas se casaram em uma cerimônia muito bonita com Linda sendo a celebrante e rodeadas de muito amor e de seus melhores amigos. Claro, não sem antes haver bastante confusão e uma ameaça de não ter casamento nenhum. Tivemos direito até a aparição de Adão, ex-marido de Eva, representando o clássico hétero top. Como foi lindo ela caminhando até o altar sozinha, sem precisar que homem nenhum a levasse até lá. Por toda a história da Bíblia que se conhece, isso é uma mensagem muito significativa.

Enfim, o casal viveu feliz para sempre indo atrás de bandidos, com direito a lua de mel aqui no Brasil. Foi um final muito justo para as personagens. A última coisa que quero destacar é a conversa final de Maze e Lucifer em que ele, finalmente, diz que a demônia é sua melhor amiga. Foi um fechamento e tanto para a relação conflituosa de amizade dos dois. A conversa foi linda e cheia de emoção.


Aqui vem um dos pontos que preciso, não criticar, mas dar uma cutucada no roteiro. Eu amo a Linda, já falei isso em algumas outras reviews, adoro o jeito dela e acho que é a personagem mais engraçada da série, mas fiquei decepcionada em como a terapeuta foi subaproveitada nessa temporada. A história de sua filha foi praticamente esquecida. Ela poderia muito bem ter aparecido em uma ou duas cenas ao menos para mostrar o desenvolvimento da relação das duas. Além disso, os poucos arcos que Linda teve não foram muito relevantes nem pareceram ter um propósito, já que o livro, por exemplo, só serviu para relembrar outras cenas e ela nem seguiu com a ideia de publicá-lo.

Em contrapartida, Amenadiel teve uma boa narrativa que pareceu se encaixar perfeitamente, resultando no desfecho final, tanto dele próprio se tornando, enfim Deus, quanto o de sua parceira temporária, a policial Harris. Toda a luta de Amenadiel contra o detetive racista foi muito boa. Na verdade, todos os episódios que Lucifer aborda o racismo através de algum plot de Amenadiel são muito bem feitos e bastante sensíveis. Concluindo a análise, finalmente Charlie teve suas asas aparecendo!! A última cena deles foi bem fofa, Amenadiel comemorando foi ótimo.

Sobre essa personagem, só queria falar: como eu amo! Ella Lopez é incrível e merece ser exaltada, porque nessa temporada, sim, ela foi mais valorizada pelo roteiro. Depois de anos se envolvendo apenas com bad boys, a cientista, enfim, conseguiu ser feliz no amor com Carol, que acabou se mostrando um homem realmente bom. Ela também finalmente descobriu a verdade sobre Lucifer e sua família. E o melhor, sozinha! A cena em que revela a todos no casamento de Maze e Eva que finalmente sabe a verdade foi boa demais. A personagem merecia esse destaque só dela.

Eu, de verdade, não tenho o que reclamar de seu arco narrativo nessa temporada. Amei ela descobrindo que seu amigo imaginário é, na verdade, o anjo da morte. Por fim, sua história acabou com chave de ouro com a Iniciativa STEM Miss Lopes para incentivar jovens meninas a entrarem nas ciências. Tudo isso, é claro, obra do nosso Lucifer. Sempre achei fofa a amizade dos dois e esse final só confirmou isso.


Dan também teve uma boa trajetória nessa temporada e um encerramento digno. Muita gente pode não ser fã do cara, mas ele sempre teve seus momentos. O ex-detetive acaba passando a maior parte dos episódios da temporada na Terra apenas como um espírito, uma alma sem corpo. Ele descobre que isso é pior do que se estivesse no inferno, já que não pode ser visto nem abraçar seus entes queridos. Foram bem tristes algumas cenas dele angustiado por não poder estar com sua filha.

Admito que fiquei curiosa para saber qual era a culpa que o ex-marido de Chloe carregava. Era algo tão óbvio e ao mesmo tempo não tão claro, já que Dan fez algumas coisas erradas durante sua vida, pelas quais ele se sentiu mal depois. Só que o amor por sua filha sempre foi tão grande e a única coisa que nunca se pôde discordar sobre ele. A culpa do ex-policial era por ter deixado Trixie sem ter sido um bom exemplo para ela. Foi maravilhoso todo o discurso que a menina fez o defendendo. Também me emocionei quando, já na Cidade de Prata, ele está com Charlotte. Desde que houve a morte do policial na última temporada, eu esperava por esse reencontro dos dois. E tudo melhorou ainda mais com a felicidade dele comendo pudim e beijando sua amada.

Já que também estamos falando de Trixie, queria só adicionar esse fator à pequena lista de coisas que não gostei, já que também foi um ponto de muitas críticas por parte do público da internet. A menina sempre foi uma personagem muito amada da série, os fãs a viram crescer na frente das câmeras e, mesmo assim, a garota quase não teve tempo de tela, sendo praticamente substituída por Rory, já que nem no leito de morte de Chloe apareceu. Trixie merecia mais.

Bom, é isso por hoje. Sei que o texto ficou longo, mas não podia deixar de abordar cada detalhe e ressaltar a importância dos personagens que acompanhamos durante todos esses anos. Vou sentir saudades de Lucifer, e vocês? O que acharam da sexta e última temporada? Se emocionaram, queriam que ainda fosse renovada, se decepcionaram, esperavam mais? Me contem nos comentários e nos vemos numa próxima review!

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Luiza Pinheiro

Carioca da gema e jornalista de corpo e alma. A primeira série que viu mesmo, aquela que a deixou viciada, foi One Tree Hill. Depois disso nunca mais parou e engatou uma depois da outra. Também ligada em cinema, não perde uma cerimônia do Oscar.

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